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domingo, 5 de março de 2017

Curiosidades 62


Obra tamanha foi esta, a que Camilo Castelo Branco (1825-1890) nos deixou, dos seus laboriosos anos de escrita. Quem primeiro ousou balancear números, terá sido Fialho de Almeida, seu confrade e amigo, que se atreveu a atribuir-lhe 180 livros, num total de 54.000 páginas impressas.
Em anos mais recentes (1980), Alexandre Cabral foi mais longe e mais minucioso ao avançar:
- 30.000 páginas correspondentes a 133 títulos, referentes a primeiras edições.
- 2.000 páginas das polémicas.
- 2.600 páginas de escritos diversos e avulsos, reunidos por Júlio Costa Dias em 5 volumes.
- 5.569 páginas traduzidas para português, em 14 títulos de autores estrangeiros.
- 15.000 páginas de correspondência.
Ora, e com isto tudo, nos seus cerca de 40 anos de labor literário, segundo Alexandre Cabral, Camilo terá escrito, em média, quatro páginas por dia, sem qualquer intervalo de férias ou dias santos...
É obra!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A ironia de Camilo


Nem sempre o pathos camiliano deve ser tomado à letra mas, por vezes, no meio dos avassaladores sentimentos dos seus romances, torna-se difícil destrinçar o que é verdadeiramente sério daquilo que é um abuso lúdico e irónico do Escritor. Em tempos (anos 60), Alexandre Cabral teve o mérito de reunir em livro As Polémicas de Camilo, que foram editadas pela Portugália. Em 1851, e na sua polémica com Miguel Sotto-Mayor e Azeredo, Camilo faz algumas considerações sobre as composições poéticas daquele autor, hoje desconhecido e ignorado. Aqui vai uma pequena parte da diatribe camiliana:
"...O Sr. Azeredo poetou. Sobre a coluna do Pirata e da Miscelânea a trova pendia-lhe do estro torneada, gentil, graciosa e perfumada, como o primeiro beijo que treme pudibundo nos lábios escarlates de uma virgem qual a sonham poetas da força fantástica do Sr. Azeredo. A prosa, como jorro cristalino de Vaucluse, derivava-se-lhe de fonte inspirada, com quanta limpidez, lhaneza, e harmonia os bons prosadores do século XVI nos preparavam estes sonos infinitos, que tão saboreados exprimimos em desleixados bocejos e deliciosos espreguiçamentos do século XIX. Era de uma fertilidade fabulosa a musa do Sr. Azeredo! O génio parecia carpir-se-lhe nos abismos da alma, por não achar mais rimas para trovar, como um grande conquistador chorara ao ver cerrarem-se-lhe os horizontes do mundo. Librada sobre as páginas do Cândido Lusitano, aquela alma sequiosa de reduzir como Mascarillo, a madrigais a história «da sua terra natal» prometia uma prostração lastimosa depois dos estorcimentos inspirados de uma abrasada vertigem de metrificação. Ainda assim, o verso grande, e o pequeno, e o pequenino floreavam-lhe espontâneos à superfície, como àquele Ovídio tão seu amado..."