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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Osmose 90


Há sempre alguma incomodidade nas partidas. Mas também na chegada. Chamam-lhe jet lag, quanto à sensação física de desconforto (muitas vezes, com mudanças horárias e de sono), talvez por conveniência prática de classificação. Mais difícil, porém, é definir e nomear o estado de alma do pré e post-viagem: o não estar cá nem lá. Enquanto não arrumamos, de todo, o chip interno que nos acompanhou. Que as roupas, os livros e as fotos quase se arrumam por si, automaticamente, numa submissão parada de natureza morta.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Citações CCCXXIII


" Toda a viagem é um regresso à infância; não à nostalgia de um bem perdido, mas duma possibilidade de felicidade que acenava na infância e que o futuro, em vez de concretizar, sufocou; duma stendhaliana promesse de bonheur, que a vida e a História, no seu curso sequente, desmentiram."

Claudio Magris (Trieste, 1939), in Alfabetos (pg. 220).

terça-feira, 26 de abril de 2016

Balanço das terras interiores


Arrumadas as impressões mais vivas e passadas as sensações pelo crivo analítico dos dias que, entretanto, foram decorrendo, havia que extrair uma suma destas errâncias que, tirando Faro com mar à vista, foram todas pelas terras do interior.
A primeira palavra que me ocorre é afabilidade, das gentes, e a compostura agradável das vilas e cidades. Mais uma vez Faro é excepção, na sua desarrumação quase caótica. A juventude do ar de Évora (a Universidade ajuda...) surpreendeu-me, muito embora o Fundão, que também tem um pólo de ensino superior, me tenha parecido sonolento e envelhecido. Destaque para a vivacidade dinâmica de Viseu, apesar das suas dezenas de rotundas absurdas. Confirmei o meu gosto por Evoramonte, apesar de adormecida no tempo. Como entorpecidos, e menos belos, me pareceram Fronteira, Ourique, Cabeço de Vide ou, até, Montemor-o-Novo.
E como o nosso percurso tivesse objectivos muito precisos (ver os Compromissos da Misericórdia, na sua impressão de 1516, de Valentim Fernandes  e Hermão de Campos), tive a noção real de quanto esta Instituição (Misericórdia) é importante, e a sua função é nobilíssima, para estas terras interiores tão carecidas de infra-estruturas sociais de apoio às populações mais desfavorecidas. Destaque, mais uma vez, para Evoramonte, cuja Misericórdia me pareceu funcionar em moldes de grande profissionalismo.
Respira-se, no entanto, um ar parado por estas regiões, que parecem sem futuro, na maior parte das zonas visitadas. Uma última palavra simpática para a gastronomia regional que, mesmo em restaurantes modestos e despretensiosos, era de muito boa qualidade e paladares.

domingo, 27 de julho de 2014

Vamos andar entre aqui e acolá...


...oxalá faça bom tempo!...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Divagações 43


Como um pequeno novelo mal dobado, e talvez fruto de experiências mais recentes, cada vez mais a viagem é, antecipadamente, um longo incómodo, quase a rasar o desconforto físico e uma ligeira angústia embrulhada, que se não desata. Senão quando, arrumadas as malas, já sentado, as rodas do avião, do combóio ou do automóvel iniciam o seu movimento em direcção ao objectivo preciso. Que tem sido de morte, ultimamente.
Só então, corpo e espírito se reunem na serenidade, sem movimento, da viagem. Apesar das circunstâncias.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Divagações 34

Quando se regressa, de longe, é preciso algum tempo e algum espaço. Para desfazer as malas. Para habituar os olhos a outra luz, para rearrumar a alma.
O silêncio ou a música podem ser o cenário necessário ou, ao menos, suficiente. Até se fecharem, de novo, as gavetas. E, de noite, voltarmos a saber o sítio exacto dos interruptores, para acender as luzes da casa.