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sábado, 26 de abril de 2025

Do conto

 

A arte do conto tem que se lhe diga e eu penso que atingiu o seu grau de perfeição nos séculos XIX e XX.
Fui grande apreciador desta variedade literária, embora exigente, e esperava sempre que, a exemplo de um bom e clássico romance policial, o conto me trouxesse uma conclusão inesperada no final.
Não creio que, actualmente, haja grandes contistas portugueses ou estrangeiros, pelo menos, da qualidade, talvez inultrapassável, de La Parure (O Colar), de Guy de Maupassant (1850-1893) ou O Sacristão, de Somerset Maugham (1874-1965).

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Paul Gauguin : leitura e pintura

 


Creio que poderia apostar que o meu primeiro contacto com Paul Gauguin (1848-1903) foi através da leitura e não dos seus quadros. Aí pelos meus catorze anos, o meu professor de Inglês (Dr. Fabião) desafiou-me a ler The Moon and Sixpence (Um gosto e seis vinténs, na Colecção Miniatura), romance em que Somerset Maugham (1874-1965) efabulava a vida do pintor francês sob a personagem fictícia, mas bem elaborada, de Charles Strickland.



Por essa altura, o meu gosto incidia sobre as obras de Van Gogh e de Fra Angelico, para considerar apenas os extremos... Mas o pequeno romance de Maugham abriu-me a curiosidade para a pintura singular de Gauguin. De que eu destacaria, preferencialmente, um quadro, de 1902, pouco conhecido, intitulado Rapariga com Leque, pertencente ao Museu Folkwang, de Essen.






quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Para grandes males, grandes remédios...


As desculpas esfarrapadas de um tal Ramalho, CEO do Novo Banco, por causa de umas vendas de imobiliário, ao desbarato, do ex-património do BES, fez-me lembrar o brilhante (por causa do gel) Horta Osório, bancário estrangeirado célebre - apesar das depressões - de que a ramalhal personagem foi ajudante menor e obrigado, em tempos. Ou seja, o Ramalho é da escola do Osório.
Estas luminárias, perante a crise de um Banco, têm sempre os mesmos remédios e igual falta de imaginação, para os salvarem: encerram agências, despedem pessoal, aumentam as comissões aos clientes e vendem património ao desbarato (de preferência a amigos ou confrades). Tudo chapa zero...
Para minha grande surpresa, a santa madre igreja portuguesa também não tem muita imaginação e usa dos mesmos fármacos. Até me fez lembrar o escritor inglês Somerset Maugham (1874-1965) e um dos seus melhores contos, intitulado "O Sacristão", em que um dos dois acólitos, de uma igreja inglesa, é despedido para contenção das despesas da paróquia. A desculpa, que o prior lhe dá, é ele ser analfabeto. O facto é que esse sacristão ficcionado serviu a igreja vários anos, sem que isso constituísse impedimento de maior.
Fátima, embora com eufemismos também blandiciosos, prepara-se para fazer o mesmo.
Francamente, ó D. Manuel Clemente!...

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Pinacoteca Pessoal 163


Sempre tive a tentação de considerar da mesma família artística os pintores Graham Sutherland (1903-1980), Lucian Freud (1922-2011) e Paula Rego (1935), muito embora entre o nascimento do primeiro e o da última medeiem mais de 30 anos. Ter-se-iam mutuamente influenciado? Não sei responder, com rigor.
Pelo menos, as suas obras têm alguma afinidade estilística, sobretudo a nível de retratos e representação de figuras humanas. Com uma forte e impressiva pincelada que sugere alguma agressividade subjacente.


Dos três, é Sutherland quem se dispersa por mais aspectos artísticos: gravura, vidro, tecido e pintura naturalmente, e em que o retrato tem um papel preponderante. São conhecidos os magníficos retratos do escritor Somerset Maugham (aqui representado por um desenho preparatório) e do crítico de arte Kenneth Clark. De grande qualidade era também o seu trabalho sobre W. Churchill, encomenda de um grupo de personalidades, e que o político - de gosto artístico excessivamente conservador - por não ter gostado, terá consentido que viesse a ser destruído pela Esposa (este facto foi registado em poste do Arpose, a 28/1/2018: Curiosidades 68).


domingo, 5 de agosto de 2018

Acasos, oportunidades, gostos


Por mero acaso, ontem, tive a oportunidade, e felicidade, de ouvir, em sequência intervalada, entrevistas a 3 escritores, qualquer delas interessante, tendo em conta a bagagem de experiência pessoal, a obra e inteligência dos autores, mas também a qualidade dos entrevistadores, que acaba por ser, nestes casos, decisiva e fundamental. Foram eles, por ordem cronológica: John Le Carré, Salman Rushdie e, finalmente, Jacinto Lucas Pires.
Tenho de confessar que a entrevista que mais me agradou foi a de John Le Carré, talvez porque seja o escritor cuja obra conheço melhor, mas também porque gosto muito de o ler. Não digo adorar, porque é um verbo que não entra no meu léxico deste tipo de coisas, nem sentimento que costume experimentar.
Pus-me a divagar depois. E, se é certo, que se reflectir um pouco, eu sou capaz de explicar, em palavras simples, a razão por que aprecio Camilo e Eça, Maugham e E. M. Cioran, teria uma enorme diculdade em justificar e argumentar o meu gosto pelas obras de Simenon ou de John Le Carré. Socorro-me de Pascal, que dizia: O coração tem razões que a razão desconhece.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Dos contos, como ficção

Não sei se hoje os leitores contumazes costumam ler muitos contos. Mas creio que as editoras preferem editar aqueles tijolos, que vemos muito pelos transportes públicos. E que permitem aos putativos e ocasionais leitores, sem grande concentração (eu creio que também há leitura automática!...), entreter, sem pensarem muito e à tona, o seu tempo de deslocação.



Durante uma boa parte da minha vida, sobretudo até à maturidade, eu comprava muitos livros de contos. E havia bons contistas portugueses. O meu tempo livre não era muito, mas era muito intercalado e havia contos, de 3 ou 4 páginas, admiráveis, que deixavam um rasto prolongado, e imorredouro, na minha memória. Estou a lembrar-me de pequenas narrativas de Somerset Maugam ou de Guy de Maupassant, por exemplo.



Na altura, eu não era esquisito. Quanto aos de temática policial, Edgar Allan Poe ou Conan Doyle eram dos meus preferidos. Na índole histórica, Alexandre Herculano e as suas Lendas e Narrativas mereciam-me emoção e respeito. De pura ficção, mais moderna, para ser justo, terei de lembrar vários contos de  Jorge de Sena e Cardoso Pires. E muitos outros, que seria fastidioso, aqui, enumerar.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Apontamento 108: RECLAM - 150 Anos de uma editora alemã de referência




Por motivos que não vêm ao caso, tenho andado a reler livros que me orientaram e formaram numa determinada época. No meio deste “reviver”, encontrei a informação sobre os 150 anos da editora alemã RECLAM com os seus livrinhos baratos, amarelos a partir de uma dada altura, como se pode ver pela imagem acima.

O primeiro volume publicado, em 1867, era, quase obviamente, o Fausto, de J.W. von Goethe. A actividade editorial, que neste momento abarca 3500 títulos, abrangia o que se podia chamar um “cânone literário” ao gosto do leitor. Da Antiguidade Clássica à literatura moderna, mas também obras de Filosofia, História, Arte e Música, os alunos de liceu, como eu, forneciam-se do essencial para a leitura escolar e, pela facilidade de acesso físico e económico, andávamos a “cheirar” um pouco de tudo. Ou por sugestão de alguém, ou por impulso de querer ultrapassar a barreira da ignorância perante autores e títulos desconhecidos.

A estante dos livrinhos que se vê acima constituiu, com efeito, sempre um atractivo em qualquer livraria. E, normalmente, lá se encontrava mais um título ou um autor desconhecido. Lembro-me ter comprado muitos livrinhos amarelos por qualquer coisa como 1,50 ou 2,00 marcos.

Para mim, o maior contributo da RECLAM continua a ser a “batalha” contra a ignorância e o contributo para a “imortalidade da produção literária”, de que fala W. Somerset Maugham no seu The Summing Up, sublinhando, e com imensa razão, que essa imortalidade “is seldom more than the immortality of the schoolroom” !

Ora, a RECLAM contribuiu imenso para estas leituras de “salas de aulas”, tanto de obras de língua materna como de outras línguas, através das suas edições bilingues e com tradutores e comentadores de reconhecido mérito.


Aqui fica o meu grato testemunho por este trabalho de 150 anos !

Post de HMJ, como contributo para uma outra comemoração

domingo, 9 de julho de 2017

A paz connosco...


Ainda Somerset Maugham, do seu Exame de Consciência (pg. 55): 

"À primeira vista, é curioso que as nossas próprias infracções nos pareçam muito menos odiosas que as dos outros. Suponho que a razão é a de conhecermos todas as circunstâncias que as ocasionaram, de modo que podemos desculpar em nós mesmos o que não podemos desculpar nos outros. Desviamos a atenção dos nossos defeitos e quando, por desagradáveis circunstâncias, somos forçados a considerá-los, achamos fácil dar-lhes absolvição. Quer-me parecer que temos razão em proceder dessa maneira; eles fazem parte de nós, e devemos aceitar igualmente o que de bom e mau em nós existe."

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Glosa 7


Pergunto-me, muitas vezes, quando é que se irá dar o redescobrimento de Somerset Maugham (1874-1965). A exemplo de Stefan Zweig (1881-1942), seu coevo parcial, austríaco, que já foi repescado do limbo por que passou, e voltou a ser lido, foram ambos escritores muito populares, em meados do século passado. Muito apreciados e publicados, tinham, ambos, uma escrita de qualidade, realista e gulosa. Mas, também é verdade, não seriam muito prezados pelas academias dessa época. Coisas e caprichos, que costumam ocorrer, com alguma frequência...
Numa altura em que eu devorava tudo o que me aparecesse do escritor britânico, lembro-me que apreciei muito The Summing Up (publicado em 1938), uma espécie de memórias anti-memórias, muito vivas e cheias de pormenores pitorescos e ligeiramente reflexivas, que li na versão inglesa, original, em meados dos anos 60. Ontem, cruzei-me, na biblioteca de um amigo, com a versão portuguesa do livro ( Exame de Consciência), da Livros do Brasil, revista por Freitas Leça (Óscar Lopes?) da tradução brasileira de Mário Quintana. E recomecei a lê-la, com gosto.
A actualidade do seu pensamento, no meu entender, mantém-se. Ora, ouçámo-lo:

"... Os ingleses são um povo político, e muitas vezes fui convidado para reuniões em que a política era o interesse dominante. Não consegui descobrir, entre os eminentes estadistas que lá encontrei, nenhuma capacidade notável. Concluí, talvez apressadamente, que não era necessário um elevado grau de inteligência para governar uma nação. Desde então, tenho conhecido em vários países muitos políticos que atingiram elevados postos. E continuei a sentir-me intrigado com o que se me afigurava a mediocridade do seu espírito. Achei-os mal informados sobre as coisas ordinárias da vida, e quase nunca descobri neles subtileza de espírito ou vivacidade de imaginação. Durante algum tempo senti-me inclinado a pensar que deviam a sua ilustre posição ùnicamente aos dotes oratórios, pois numa comunidade democrática deve ser quase impossível subir ao poder sem captar os ouvidos do público; e o dom da palavra, como sabemos, nem sempre vem acompanhado do poder do pensamento. Mas, logo que vi estadistas que não me pareciam muito inteligentes conduzirem os negócios públicos com razoável êxito, tive de reconhecer que estava enganado: devia ser que, para governar uma nação, é preciso um dom específico, e que esse pode muito bem existir sem aptidões gerais. Da mesma forma, conheci homens de negócios que fizeram grandes fortunas e conduziram vastas empresas à prosperidade, mas que se mostravam desprovidos até de bom-senso em tudo quanto não se referisse ao seu ramo. ..." (pgs. 6/7, da obra citada).

Ora, e aqui, para além da subjacente ironia de Maugham, é que bate o ponto. Neste desencanto e surpresa pela qualidade dos políticos. Pela sua menoridade quase geral, e que, praticamente, todos nós sentimos. Sobretudo, quanto mais avançamos nos anos das nossas vidas. E chego a pensar que tudo isto se repete, de geração em geração, talvez pela exigência maior do nosso sentido crítico, quando envelhecemos. Dos "Vencidos da Vida", da geração de 70, aos Vencidos do Catolicismo (progressista) dos anos 60 do século passado. De degrau em degrau, parece que tudo piora e nos encaminha, sempre, para um pessimismo ontológico, que só a juventude e a superficialidade pueril de muitos não vê ou sente. Desencanto e desistência fatal que Zweig levou à prática, no Brasil, e Maugham foi arrastando pela Rivieira, penosamente e sem grandes ilusões...

sábado, 24 de setembro de 2016

Presente passado


Ler um jornal atrasado tem algumas peculariedades singulares, sobretudo porque nos desaproxima da emoção das notícias, deflaciona os acontecimentos, redu-los, muitas vezes, a cinza fria.
Será, de algum modo, a mesma sensação que perpassa pelas novelas de Somerset Maugham, quando o escritor britânico descreve a leitura de "The Times", duas ou três semanas depois de publicado, às mãos dos administradores do Império, na Índia, em Singapura... Provavelmente, impressões semelhantes que experimentavam os administrativos portugueses, nas colónias, quando recebiam, por exemplo, o DN, com semanas (?) de atraso. Isto, antes da Internet baralhar os dados, através das auto-estradas de informação.
Havia em tudo isso uma vantagem, porque o tempo resolve algumas coisas, remedeia outras, reduz os acontecimentos a uma mumificação do passado, com o seu valor mais relativo. E poupa-se na leitura. Hoje, ao folhear um jornal de há doze dias, fiz, natural e mecanicamente, uma triagem salutar. Ficaram as crónicas intemporais, uma entrevista que podia ser de ontem, duas ou três informações de interesse e pouco mais. A maior parte das notícias, até as de primeira página, tinham perdido o picante, a importância (que lhes tinha sido dada), a actualidade fremente, enfim, pela banalidade que o tempo introduzira nos seus desenvolvimentos.  

sábado, 30 de janeiro de 2016

Da leitura (9)


Esta fase da minha vida, no que diz respeito a leituras, tem-se caracterizado por um grande fastio em relação à ficção. Para ser exacto, no entanto, terei de dizer que encetei, há dias, com agrado a novela O Cisne Negro (Estúdios Cor, 1957), de Thomas Mann. Não sei se o interesse se irá manter até ao fim, veremos.
Alberto Manguel, em Uma História da Curiosidade (Tinta da China, 2015), usa, para itinerário dos seus discursos capitulares, passagens de A Divina Comédia, de Dante. O livro parece-me irregular: capítulos interessantes alternam com outros menos agradáveis, talvez demasiado prosaicos, eruditos e com abundantes citações. Num dos capítulos, de que gostei particularmente, o escritor argentino fala de um professor (Lerner) que teve um efeito benéfico e influência grande, no aconselhamento de obras e autores que ainda hoje o fascinam. Vou transcrever uma pequena parte desse capítulo:
"...Quando somos adolescentes, somos únicos; quando crescemos, percebemos que o ser singular é, na verdade, um mosaico composto por outros seres que, em maior ou menor medida, nos definem. Reconhecer essas identidades espelhadas ou aprendidas é uma das consolações da velhice: saber que certas pessoas há muito transformadas em pó continuam a viver em nós, tal como nós viveremos em alguém cuja existência talvez nem conheçamos. Compreendo agora com 66 anos, que Lerner é um desses seres imortais. ..." (pg. 61)

Ao longo da minha vida, tive também pessoas que me aconselharam livros e leituras. Recordo duas, especialmente. A primeira foi um professor de Inglês, de nome Fabião, no meu 4º ano de Liceu, que me abriu caminho para Somerset Maugham, aconselhando-me a ler The Moon and Sixpence. Vim a encontrá-lo mais tarde, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde era leitor de neerlandês. O segundo conselheiro foi Eugénio de Andrade que me recomendou João Guimarães Rosa, na altura da minha ida para a tropa. E, porque falava muito de Juan Ramón Jiménez, acabei por vir a ler, também, o poeta do Moguer, com grande entusiasmo. São três autores recomendados que ainda hoje me dão prazer de leitura.


domingo, 31 de agosto de 2014

Contos


Um número restrito de personagens e páginas (senão, transforma-se em novela), uma certa concisão narrativa, um leitmotiv forte, a tensão musculada das frases, de preferência breves (Hemingway, por exemplo), fazem do conto um caso à parte na prosa literária.
Há contos que são uma aguadilha, outros, um concentrado forte que não medrou para romance, talvez por impaciência do escritor. O remate, como no soneto, terá que ser apropriado e impressivo. Se possível, surpreendente, como num bom policial.
Esse clarão final, que fica na memória, é que nos permite, depois, reconstituir os antecedentes narrativos e recontar o conto a algum amigo nosso, que o não conheça. Muitos desses contos exemplares vieram da pena de Maupassant ou da caneta de Maugham.
E eu já andava com saudades de ler contos. Por isso, ontem, comprei duas antologias, na rua Anchieta, para me regalar e fartar. Ou talvez tivesse sido para funcionar como antídoto à leitura de "Guerra e Paz", de Tolstoi, que é um romance enorme, em 3 volumes. Estes contos são pequenos microcosmos narrativos...para intervalar.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Citações CLXXI


Nada há de mais degradante do que a preocupação constante com os meios de subsistência. O dinheiro é semelhante a um sexto sentido sem o qual não se poderá fazer um uso completo dos cinco outros.

Somerset Maugham (1874-1965), in Of Human Bondage (1915).

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Citações CLVII


O que há de cómodo nos princípios, é que podemos sempre sacrificá-los quando é necessário.

Somerset Maugham (1874-1965).

domingo, 29 de julho de 2012

John Le Carré


Creio que um livro bem escrito resiste, quase sempre, a uma tradução, desde que honesta, mesmo que não seja mimética, nem muito genial.
Acho que nunca tinha lido este livro (O espião que saiu do frio, Minerva, 1973) de John Le Carré (1931). Mas vi o filme, de 1965, com Richard Burton e Claire Bloom, e gostei muito.
A obra, The spy who came in from the cold, que Graham Greene elogiou, entusiasticamente, teve o prémio Somerset Maugham e é um belíssimo livro da temática de espionagem, no tempo da Guerra Fria. John Le Carré que, por breve espaço, foi também espião, sabia do que falava. A atmosfera que consegue criar e transmitir, a descrição que faz destes homens sem alma, secos e estruturados na sua própria solidão, faz desta obra, de grande qualidade literária, um belo romance.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Em busca da cor



Não é fácil explicar a errância de Paul Gauguin, nascido a 7 de Junho de 1848, em Paris. Nem se deve levar à letra "The Moon and six-pence", obra de ficção de Somerset Maugham baseada, em parte, na vida do Pintor. Tirando a sua primeira grande viagem, para o Peru, decidida pelos Pais, as restantes mudanças foi ele que as escolheu.
Viveu assim em Paris, Lima, Copenhaga (a mulher, de quem teve 5 filhos, era dinamarquesa), Londres e Taiti. E, até quase aos 40 anos, foi um eficiente corrector da Bolsa de Paris, até à crise que ocorreu, em 1883. Depois, começou a pintar e, com o mesmo afinco e rigor, à nova arte se dedicou com paixão. Nativo dos Gémeos, de si próprio dizia, em carta à Mulher: "...tenho uma dupla natureza: sou uma criatura muito sensível, mas também sou um Pele-Vermelha..."
Em contra-corrente em relação ao Impressionismo, procurou um regresso à arte primitiva (era um admirador de Giotto), na linha de um Puvis de Chavannes, mas de cores quentes e intensas, normalmente, que o Taiti favoreceu e justificava, nas suas telas.

Nota: o Auto-retrato, em imagem, feito em 1885, pertence a uma colecção particular suiça; a paisagem bretã, de 1889, é do acervo do Courtauld Institute Galleries, de Londres.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Favoritos LX : Somerset Maugham


Não fora um professor de Inglês, no meu 4º ano do liceu, me ter falado de Somerset Maugham (1874-1965), e eu só teria lido muito mais tarde o escritor inglês. O dr. Fabião recomendou-me vivamente "The moon and six-pence" (número 49 da Colecção Miniatura, com o título "Um gosto e três vinténs", na tradução portuguesa), inspirado na vida de Gauguin. Se referem que Maugham foi influenciado, no seu estilo, por Flaubert, não é menos verdade que influenciou, ele próprio, vários escritores ingleses, a começar por Orwell, que o confessou.
A sua gaguês incomodativa transferiu-a para o coxear do protagonista de "Of Human Bondage" ("Servidão Humana", na tradução portuguesa), considerada, por alguns críticos, como o seu melhor romance. Mas, para além destas duas obras, apreciei também muito "The Summing-up" (1939), uma espécie de reflexão sobre a sua actividade de escritor. Somerset Maugham nasceu a 25 de Janeiro de 1874.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Somerset Maugham : "uma secreta primavera"


Somerset Maugham, inglês, formado em medicina, mas conhecido sobretudo como escritor e dramaturgo, nasceu a 25 de Janeiro de 1874. Foi um escritor de referência, na minha juventude. O primeiro livro que li dele, "The Moon and six-pence" ( "Um gosto e três vinténs", traduzido na Colecção Miniatura, nº 49), em parte baseado na vida de Gauguin, deixou-me uma impressão tão agradável que fui comprando, ao longo do tempo, todos os livros que podia, de Maugham. Esse primeiro livro, que li aos 14 anos, foi-me recomendado por um professor de Inglês, no liceu, de nome Fabião, e que mais tarde vim a reencontrar, na Faculdade de Letras de Lisboa, como professor de holandês. Na Faculdade, também, havia uma obra de Somerset Maugham, de leitura obrigatória - não me recordo é do título. Para lá das peças de teatro, contos e romances, Maugham escreveu ainda livros de reflexões e memórias: "Points of view", "The Summing-Up", entre outros. Deste último, que é uma espécie de balanço da sua actividade de escritor, passo a traduzir o início do capítulo XLVI, da edição da Penguin Books de 1963 (pg. 116):
"Sou escritor, como poderia ter sido médico ou advogado. É uma profissão tão agradável que não surpreende que um vasto número de pessoas a tenha seguido, mesmo que não tenham especiais qualificações para a exercer. É excitante e variada. O escritor é livre de escrever onde quer que seja e na altura que escolher; pode permitir-se preguiçar se se sentir adoentado ou com falta de inspiração. Mas é também uma profissão que tem desvantagens. Uma delas é que, embora o mundo todo e cada homem nele, e todos os pontos de vista e acontecimentos sejam a sua matéria-prima, o escritor só poderá abordar aquilo que corresponde a uma secreta primavera que está nele. A mina é incalculavelmente rica, mas cada um de nós apenas pode retirar uma pequena parte desse minério. Por isso, no meio da fartura, o escritor pode morrer de fome. ..."

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Citações XLIII : Somerset Maugham (4 em 1)


1. A habilidade para citar é um útil substituto da sabedoria.
2. Naquela época, era uma honra ter 40 anos, mas agora ter mais de 25 é um absurdo.
3. É possível fazer, diariamente, três óptimas refeições na Inglaterra. Basta pedir "breakfast" três vezes por dia.
4. O amor que mais dura é aquele que não é correspondido.

Somerset Maugham (1874-1965).

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Caminhos na Encruzilhada


Há muito de comum entre Paul Gauguin (1848-1903) e Jacques Brel (1929-1978). Ambos, entre os 34 e os 35 anos, abandonaram uma vida familiar e financeira estável, para seguirem as suas vocações artísticas. Quer o pintor, quer o cantor belga, deixaram a França e foram viver para ilhas do Pacífico (Taiti e Marquesas). Ambos estão sepultados, creio, nas Ilhas Marquesas. De Gauguin falou pela ficção, e superiormente, Somerset Maugham em "The Moon and six-pence". De Jacques Brel, que hoje completaria 81 anos, as suas canções ainda podem falar por ele. Escolhi "Quand on n'a que l'amour" que foi o seu primeiro grande êxito, em Paris.
P. S. : para a "oliveira da eurídice" que, tal como Brel, também nasceu nos inícios da Primavera.