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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Sacro e profano (2)


Não seria decerto como nas igrejas da antiga Goa, em que os espaços para as diversas castas indianas eram estanques. Mas da casa senhorial, neste caso, havia um passadiço por onde as gentes do palacete acediam, ao alto, na capela. Criados e povo entravam pela porta da rua, chapeada, para ouvir missa. Quando lha abriam para o serviço divino.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Sacro e profano (1)


Em três manchas rochosas acachapadas à terra, bem perto da Sabrosa vinhateira e do pequeno centro xistoso evocativo de Miguel Torga, marca terreno, em toda a sua rudeza, o chamado Santuário de Panóias. Pelas inscrições romanas e gregas se fica a saber ter sido mandado fazer, entre os séculos II e III D. C., pelo senador Gaius Calpurnius Rufinus. Para celebrar os Deuses Severos, que tinham em Serápis, o nome maior. As aberturas geométricas, nas rochas, destinavam-se à imolação dos animais, para aplacar a ira dos deuses. E por ali correu sangue de pacíficas vítimas, sacrificadas pelos humanos primitivos.
Eramos apenas 4 os visitantes, a calcorrear o terreno agreste. Que a horda dos turistas, na sua algazarra babélica e lumpen, se tinha ficado, felizmente, pela invasão desordenada de Aveiro e dos seus moliceiros, com passeios fluviais de 45 minutos, a 10 euros. E o silêncio sagrado abençoava Panóias. Também nas redondezas se tinham acabado de colher as uvas brancas: a Formosa, a Viosinho, a Fernão Pires, a Códega do Larinho... Mas as tintas, esperavam e espreitavam ainda, por entre as parras verdes, através do que pareciam os seus olhos de cachos negros: Tinta Roriz e Touriga Nacional, principalmente.
Também nós viríamos a sacrificar, à mesa, mais tarde, e em Vila Real, alguns nacos de vitela, civilizadamente. Acompanhados por um divino e aromático branco duriense da região, bem fresco. Em ágape solene, fraternalmente amiga, mas laica...