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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Como lagarto ao Sol


Poderia começar a semana a falar da Justiça à portuguesa, ou dos seus promíscuos e sinuosos caminhos, por onde alguma dela se meteu; das artes perdidas de que Manuel Mendes (1906-1969), tão bem e sugestivamente, fala no seu Os Ofícios (oleiros, rendeiras, santeiros...); da falsa erudição e de quem a alardeia, da vaidade e da superficialidade; poderia falar dum Espadeiro saboroso, minhoto e vimaranense, que tenho no frigorífico a refrescar e que, provavelmente, vai acompanhar uma alheira de Mirandela, hoje, ao almoço.
Poderia, mas talvez não o faça. Preferindo, como aqueles lagartos e sardaniscas, depois de dias e dias de chuva, ficar por entre as pedras, e assomar com preguiça e langor, para gozar esta luz amena e o azul puríssimo destes pequenos dias de Novembro, que S. Martinho, caridosamente, trouxe consigo.
E assim ficar calado e morno, ao Sol.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

S. Martinho


O dia de S. Martinho era, sobretudo, de noite, andar pelas ruas com as lanternas feitas na escola. E a canção que mais me ficou no ouvido é esta.

Post de HMJ

6 anos


Calhou, por mero acaso e sem qualquer premeditação, que o Arpose se tivesse iniciado sob a invocação ou patrocínio de S. Martinho, e no seu dia festivo (11 de Novembro), portanto. Santo que é, também, patrono dos pobres e das crianças e, folcloricamente, associado às castanhas e ao vinho: Pelo S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
Seja como for, o nosso Blogue completa, hoje, 6 anos de existência. E, este casal de Infantes, que deixo em imagem a encimar o poste, aqui fica para saudar e agradecer aos Amigos, Comentadores e Seguidores que nos têm acompanhado, ao longo deste tempo.
Bem hajam!

sábado, 7 de novembro de 2015

Entre Casas : por Ceca e Meca


Por entre a Casa dos Pombais, onde já dormi, há uns anos, e que vejo do hotel onde pernoito, agora, e a Casa do Arco, na Rua de Santa Maria, onde brinquei em criança, vai quase completa a minha geografia da memória e juventude passada. Uma e outra casa se mudaram de ofício e arte, no presente, mantendo, no entanto, a arquitectura exterior e os seus brasões antigos. Mas o dos Viamonte da Silveira está de luto, que o vejo envolvido em panos negros. Muito perto da Casa do Arco, almoçámos umas ricas Tripas Nortenhas, acompanhadas, por um Casa de Sezim, branco (Arinto e Loureiro), Grande Escolha 2014, juvenil e quase borbulhante. Toucinho do Céu, para rematar, neste início de Novembro, que S. Martinho, pontual e temporão, abençoou com tempo tépido e azul suave.  


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Adagiário CLXII


Pelo S. Martinho, prova teu vinho; ao cabo do ano, já te não faz dano.

domingo, 11 de novembro de 2012

A propósito de S. Martinho


Sabe-se que o Serviço de Saúde, na Alemanha, funciona muito bem. E a cobertura médica, até nas aldeias, é excelente. O que nem todos saberão é que, recentemente, entrou na agenda política germânica, a discussão sobre os custos consideráveis do apoio e assistência a idosos. Num país onde a esperança de vida é das mais altas, na Europa. E alguns "jovens turcos" da política encararam até a hipótese de enviar idosos para países de Leste, onde os gastos seriam muito menores. A questão, por fracturante, tem sido silenciada, ultimamente. Mas este tipo de estratégia, despudorada e economicista, já tinha sido posta em prática pelos alemães, anteriormente, ao enviar jovens problemáticos e "corrécios" em pequenos grupos, para o Alentejo: houve (há?) várias "colónias de recuperação" no interior alentejano. Mais uma vez, porque os custos eram incomparavelmente mais baixos do que na Alemanha...
Há uma velha lenda portuguesa que conta que, em determinado lugarejo, era costume o filho mais velho, quando o pai já anoso e inútil para o trabalho, fosse "imprestável", levá-lo para um monte ermo e distante, e deixando-o com alguma comida e um cobertor, abandoná-lo à sorte e à morte antecipada. Mas houve um pai mais sábio que, quando o filho varão se preparava para o deixar, lhe pediu uma faca. E, cortando o cobertor em duas partes, lhe deu uma, dizendo: "Esta metade é para ti! Para quando o teu filho mais velho também te trouxer para aqui, te possas agasalhar melhor."
Não sei o fim desta história, nem se o filho reconsiderou no acto que ia praticar, mas lembrei-me desta lenda, por contraste, a propósito do bom exemplo de S. Martinho - Santo que hoje se celebra.

domingo, 13 de novembro de 2011

Incursões Culinárias 6: Boneco de pão doce, com cachimbo de barro


Na sequência do nosso "post" sobre S. Martinho e, sobretudo, o boneco de pão doce [=Weckmann], apresentamos, hoje, a receita, bem como a forma especial reproduzida acima, para dar aos nossos leitores a possibilidade de fazer um igual. Aqui vai, então, a receita:

1 saqueta de fermento de padeiro
1 colher de chá de açucar
1/8 l de leite
300 gr de farinha
80 gr de açucar
1 pitada de sal
80 gr de manteiga derretida
2 gemas
1 pitada de açafrão
gema para barrar, passas e um cachimbo de barro

Misturar o fermento com a colher de chá de açucar e o leite morno e deixar levedar 15 minutos. Peneirar a farinha por cima do preparado, colocar à volta o açucar, a pitada de sal, a manteiga, as gemas, o açafrão, e do centro para o meio misturar tudo muito bem e amassar. Deixar levedar a massa. Estender a massa e formar um boneco (com a forma ou livremente com as mãos). Colocar o boneco num tabuleiro previamente untado, barrar com gema de ovo, usar as passas para criar os olhos (eventualmente uma boca) e os botões do casaco no corpo da criatura. Colocar o cachimbo em posição apropriada e deixar levedar mais um pouco. Depois vai ao forno durante 15 a 18 minutos a uma temperatura de 175 a 200º.
E bom proveito para quem tiver coragem de comer depois a criaturinha !
Post de HMJ

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

S. Martinho numa aldeia de Colónia



Com o cair da noite chegou a hora de contar como S. Martinho é celebrado em Colónia e noutras cidades da Alemanha. Embora não sendo exacto, é verdadeiro o que o vídeo mostra sobre a noite de S. Martinho. O cortejo partia da escola, seguindo S. Martinho a cavalo, dando a volta ao povoado e entoando a canção do santo reproduzida acima. O exemplo de S. Martinho, partilhando o seu manto com um pobre, sentado enregelado na neve, gravava-se na memória da pequenada para o resto da vida.
As crianças mostravam as suas lanternas, feitas nas semanas anteriores da seguinte forma. Duas tampas de queijo em triângulo aproveitavam-se para servir de fundo e topo da lanterna. No fundo havia um suporte para o foco luminoso e, em cima, cortava-se uma abertura para pôr e acender a vela. Para o meio recortava-se uma cartolina com desenhos vários, colando no verso papel de seda colorido, e que se enrolava e fixava à volta das tampas. Com a vela acesa via-se perfeitamente o efeito do trabalho realizado e, assim, as crianças cantavam também uma cantiga em louvor das suas lanternas.


No regresso à escola, recebíamos um boneco feito de massa tipo brioche [= Weckmann], tal como se pode ver na imagem seguinte.


Ora, este ano já se vendiam "Weckmänner" em finais de Setembro em Colónia. Lembrando-me da noite de S. Martinho da infância não resisti e comprei o exemplar acima reproduzido. O cachimbo ficava, depois, para fazer bolas de sabão.
E uma boa noite de S. Martinho !
Post de HMJ

S. Martinho por Anthony van Dick (2 versões)


É hábito a 11 de Novembro lembrarmos S. Martinho, comer castanhas e beber água-pé ou geropiga. Eu já comecei ontem, mas em vez da água-pé, bebi uma ginginha, com elas - estava frio. Por outro lado o Arpose tem-no como patrono, porque se iniciou a 11/11/2009, embora de forma incipiente, com um teste, e um: Boa noite! Creio que o orago, embora acidental, calhou bem, porque já levamos quase 2 anos - completam-se às 22,45hrs. No poste inicial do Blogue aparecia um quadro de Georges de la Tour.
Hoje, a iconografia está representada por duas versões do quadro "S. Martinho dividindo a sua capa" de Anthony van Dick. O primeiro quadro, de 1618, encontra-se em Zaventem, na Bélgica. O segundo, de 1622, pertence à colecção da família real britânica.
Bom dia de S. Martinho a todos!

sábado, 8 de outubro de 2011

O Limoeiro em Outubro de 2011


Desde Junho que não falo de limoeiros. É tempo de lá voltar para dar notícias sobre o que tenho na varanda a Sul. São visíveis 12 frutos adolescentes e saudáveis. E todos os limões me parecem bem robustos para aguentar as agruras do próximo Inverno. É a segunda melhor safra de sempre. O recorde é de 17, nunca ultrapassado, e no ano passado de 2010 colheram-se 11 limões. Este ano será melhor. E, como de costume, as palavras são acompanhadas da fotografia do limoeiro, tirada hoje, ao sol da tarde deste Verão de S. Martinho.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Adagiário XX : Novembro


1. De Santos (1) ao Natal, Inverno natural.
2. Pelo S. Martinho (11), semeia fava e linho.
3. A cada bacorinho, vem S. Martinho.
4. Pelo S. Martinho bebe o vinho, deixa água para o moínho.