Mostrar mensagens com a etiqueta Sobremesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sobremesa. Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de agosto de 2019

Mercearias Finas 149


De conservador que sou, de vez em quando, dou-me a inovações para "desmanchar a regra" (A. de A. M.) e destruir o tédio ou o fastio, se existirem. De sobremesas, que me lembre, já vou em três criações originais, mas não registei patente.
Até tarde na vida, sempre pensei que a tríade marmelada (de fabrico caseiro), queijo flamengo (dos Açores, de preferência) e banana (das pequeninas da Madeira, se for possível) era uma sobremesa, por tradição, doméstica e banal, até que a vi constar de ementas de pensões e restaurantes modestos, sobretudo do Norte.
Em casa, e no Inverno, fui subindo a parada. O flamengo passou a Castelões, primeiro. Depois, havendo desafogo e matéria prima, deu lugar a Queijo da Serra - um luxo!
De há 2 ou 3 anos a esta parte, criei uma nova combinação, eliminando a banana porém: marmelada e queijo Roquefort. E não é que funciona - e bem - talvez pelo contraste?!
Para acompanhar, sugiro um branco Terras do Sado ou Regional Lisboa, lotados com Arinto e Fernão Pires, tirando a garrafa do frigorífico 1 hora antes, para estar simplesmente fresco.
Um bom almoço de Domingo - são os meus votos.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Mercearias Finas 147


De pêras, mais do que a Rocha, na memória gustativa ficou-me a saborosa Passe-Crassane, só que se dava muito mal com a minha crónica, ainda que suportável, colite. Vim depois a saber que era um híbrido enxertado de marmeleiro, ainda no século XIX, na Normandia (França). Daí o seu tamanho, talvez. E sabor muito especial.
Quanto a Pêras Bêbadas, de sobremesa, só as provei, pela primeira vez, em Lisboa. E, quando bem feitas, passaram a ser um dos meus terminais predilectos para coroar e sublinhar, principescamente, uma boa refeição aconchegada. Mas já não as provava há muito.
Ora, aconteceu que, de surpresa, nos ofereceram um cestinho de pêras médias, criadas com desvelo, numa quintinha lá para as bandas de Constância, por onde dizem que Camões também andou... Cruas e experimentadas por HMJ, provaram ser muito boas, tanto que resolveu embriagá-las, para mim. E abrir, nas suas manufacturas domésticas, um novo capítulo - veio a sair-se lindamente.
Cozidas num tachinho de Dão tinto Grão-Vasco (colheita de 2016), acompanhadas de 2 paus de canela e 5 cravinhos da Índia, com raspa de laranja e açúcar q. b., ficaram um primor, as pêras bêbadas. E já marcharam 3...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Mercearias Finas 101


Era um vinho silvestre, o que bebi. Branco, sem pretensões puristas ou aristocráticas, mas como manda a plebe de além Tejo, ou melhor, das terras do Sado. Fernão Pires, com certeza, mais um poucochinho de Antão Vaz, para lhe dar equilíbrio e consistência honrada e nobre, mas chegava, quanto a castas consagradas e nomes que se possam confundir com pessoas da terra chã. Devia estar lotado com uvas mais ruanas, no seu todo.
Mas isso bastou para me lembrar sobremesas de antanho: o creme (que no Sul chamam: leite-creme), rolo (torta enrolada de..., como se diz, por aqui) - que os minhotos são pessoas dirigidas ao essencial, simples mas manhosos, na sua dura e pura ancestralidade castigada, onde pesa a chuva prolongada e o granito de poucas cores. Nada róseas, mas eu não me posso queixar, inteiramente...
Na sobremesa, fui no toucinho do céu, que também é vimaranense. Há quem diga, até, que de origem. Eu, que não sou pretensioso, não chegaria a tanto. Mas parece que me abençoaram de longe, porque não me arrependi: estava delicioso e à melhor maneira de finalizar o entrecosto grelhado competente, que me serviram ao almoço, neste restaurante, à beira da estrada que leva a lugares sem história registada.
A mim que sou beirão, de nascença, com sangue de pais minhotos genuínos.

Em jeito de bónus final, e porque à gastronomia diz respeito, duas palavras recolhidas de Diário de Paris/ 2001-2003, de M. D. Mathias, que continuo a ler:
Faceira - focinho do porco.
Alheita - cabeça do peixe.
Ao que o livro refere, particularmente saborosos.