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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Recomendado : oitenta e três


A recomendação é porventura tardia, porque este Dicionário Sentimental do Vinho (Casa das Letras), de Bernard Pivot (1935), saíu em 2007 e, provavelmente, será difícil, hoje, ainda o encontrar à venda nas livrarias. Acontece que a obra me foi oferecida há pouco e só agora a  estou a ler.
Grande divulgador cultural francês (Lire, Apostrophes...), o autor tem uma escrita elegante e animada, além de fornecer variadíssimos informes úteis sobre enologia, sobretudo gaulesa. Fiquei, por exemplo, a saber que o conceituado néctar Châteauneuf-du-Pape, que eu julgava existir apenas tinto, tem também a sua versão em vinho branco.
Recomenda-se, abertamente, este livro!

agradecimentos cordiais a H. N..

sábado, 13 de janeiro de 2018

Mercearias Finas 128


Afeiçoei-me ao Delhaize (passe a publicidade), quando estou em Antuérpia, e quero comprar, para oferecer ou beber em companhia, bons vinhos portugueses. A escolha, nas gôndolas da média superfície, não é muito grande, mas é criteriosa e de confiar. Lá encontrava, habitualmente, o Dão Quinta das Maias que, até em Portugal, nem sempre era fácil de adquirir. Ora, este ano, não havia vinhos do Dão nas prateleiras do Delhaize. Regionais Tejo, Douro, Alentejo, e até do Algarve, tanto quanto me lembro. E o canónico Mateus, da Sogrape, como não podia deixar de ser, para meninas casadoiras e senhoras solteironas impenitentes...



Firmei a vista, na prateleira de cima, e vejo um Alves de Sousa, de discretíssimo rótulo com bom gosto, que dava pelo simples nome de Caldas - Reserva, de 2012. Um monocasta Touriga Nacional, com 14º que, vim a sabê-lo, depois de o provar, estava excelente na sua maturação e acompanhava muito bem qualquer iguaria requintada, que viesse à mesa. No supermercado flamengo, dei por ele 11,99 euros - bem merecidos! Por cá, terra de origem, vi-o anunciado a pouco mais de 11.
Não teria dúvidas em escolhê-lo como o melhor vinho tinto que provei em todo o ano de 2017.

sábado, 14 de maio de 2016

Sobre rótulos de vinho


Que atire a primeira pedra quem nunca comprou um vinho, influenciado pela beleza do grafismo do seu rótulo.
Porque há de tudo: bons vinhos servidos por um rótulo foleiro e maus vinhos, às vezes, com rótulos soberbos.
Dos portugueses são de lembrar os clássicos Barca Velha e Pêra-Manca, inalteráveis, há dezenas de anos. Um péssimo exemplo, é o Grão Vasco, em que foi substituído, do rótulo, o quadro S. Pedro, do pintor viseense homónimo, por um grafismo anódino e medíocre, sem qualquer imagem nem estilo. Este clássico do Dão, produzido pela Sogrape, bem merecia melhor tratamento e cuidado...
Deixo aqui 3 rótulos de vinhos estrangeiros, que nunca bebi. O Pétrus vem pela nobreza e é um néctar que eu, só com muita sorte, conseguirei um dia provar, porque é caríssimo. Aos outros dois, achei-lhes graça e engenho criativo.





sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Adagiário CCXXVII (enológico)


1. Vinha posta em bom compasso, no primeiro ano dá agraço.

2. Vinho que baste, carne que farte, pão que sobre e seja eu pobre. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Postais de Arte (1) : o Vinho


Esta pequena colecção de postais sob a temática Cartes d'Art, ideia original de Louise Deletang, e de que me emprestaram alguns exemplares, terá, pelo menos, a utilidade de familiarizar os eventuais aprendizes da língua francesa com o vocabulário de algumas profissões ou indústrias. Quase todas elas relacionadas com a Agricultura. Este primeiro postal é dedicado ao Vinho. Seguir-se-ão mais 6, oportunamente. Todos eles foram impressos em Paris. São de bom gosto e com uma ingénua beleza de traço singular.

com agradecimentos a A. de A. M..

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Adagiário CCXI


Nada escapa aos homens senão o vinho que as mulheres bebem.

Nota pessoal: em abono da verdade, eu fico é desconfiado quando uma mulher não bebe...

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Comic Relief (97) : enológico


Legendas, em tradução muito despreocupada e livre:
 1. Diz-se que beber leite nos fortalece./ Beba 5 copos de leite e tente fazer mover uma parede. /Não pode?/ Agora, beba 5 copos de vinho./ A parede move-se por si!
2. O álcool não é solução, apenas faz esquecer a questão.

com agradecimentos cordiais a C. S..

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Máxima (?) de Baudelaire, com aditamento pessoal


Um homem que não bebe senão água, tem um segredo a esconder do seu semelhante.

Charles Baudelaire (1821-1867), in Du vin et du haschisch.


Aditamento pessoal:
penso que esta afirmação se aplicará, com ainda maior evidência, às senhoras...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Recomendado : cinquenta e um - do Douro


De pedra (xisto...) e cal, e na primeira linha das minhas preferências gustativas, estão de memória três produtores durienses de vinhos de grande qualidade: Alves de Sousa, Sophia Bergqvist e Dirk Niepoort. Sendo este último, sem sombra de dúvida, o mais ousado e inovador, até por ser o mais jovem.
Das minhas últimas férias, no Alto Douro, não poderia deixar de visitar a Quinta de la Rosa, que é dirigida pela senhora Bergqvist, de ascendência dinamarquesa. Lá adquiri alguns produtos vínicos, entre tintos e brancos, para trazer.
Ontem foi a vez de provar o douRosa, tinto de 2011, com uma perna assada de porco, batatas e cebolinhas, mais um feijão verde, refogado a primor. O vinho é magnífico e está no ponto. Apesar dos seus assustadores 14,5º, tem a macieza dos melhores vinhos do Dão (isto é um cumprimento!). Touriga Nacional e Franca, Tinta Roriz - que me parece predominante - compõem o lote.
Pena foi não ter à mão um queijo Serra, de Serpa ou Azeitão para celebrar o douRosa, condignamente. Teve que ser com um queijinho do Pico (Açores) que era modesto, embora honesto...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Apontamento de viagem: Donelo do Douro




Quando há anos passara pela Quinta de la Rosa, fiquei com vontade de regressar, sobretudo a essa paisagem entre a Régua e o Pinhão. Este ano, e por uma coincidência feliz, poisei uns dias, a uns quilómetros acima, no meio dos montes numa casa belíssima, com vista para Donelo.
De manhã, ouvia-se a buzina do carro do padeiro, a passar lá em cima, a anunciar o pão fresco e a fofa bola que se vê na imagem seguinte. A garrafa de azeite, caseiro, puro e gostoso, recebemo-la à chegada, juntamente com outros produtos da região para a primeira merenda verdadeiramente duriense: enchidos, pão e vinho. As cerejas, belíssimas, juntaram-se mais tarde, vindas do mercado da Régua.



Do encanto da paisagem e do jardim da casa, fixei alguns pormenores, de bom gosto, como as florinhas à volta da oliveira.


A vista de cima, rodeada de montes cuidadosamente cobertos de vinhas e oliveiras, completou-se com um passeio fluvial, num antigo barco rabelo, a apreciar o Douro e as suas margens.



No entanto, nessas “Viagens na minha Terra” não resisto à tentação de encher o carro de produtos regionais. Do café de Donelo, com uma mercearia anexa, veio o vinho, juntando-se-lhe um garrafão de azeite, adquirido a um produtor local, pessoa simpatiquíssima que me encheu os ouvidos com palavras novas e um discurso, rico e sabedor, sobre a fauna e a flora do lugar. Do padeiro andante, parado a fazer negócio no meio dos povoados, saboreei o pão e, sobretudo, a bola, rectangular, embrulhada em papel vegetal e empilhada num canto da carrinha.
Por fim, ainda cheguei a tempo de dar uma volta ao mercado da Régua. Prazer supremo o de olhar para os produtos acabados de colher, e pena de saber o carro já muito carregado ! Contudo, ainda perto de mim tenho as cerejas e o cheiro de uma réstea de cebola nova, conservando, durante uns dias, a riqueza do campo que ficou para trás.

Post de HMJ

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Citações CLXV


Provadores de vinho... têm o seu jargão, ou dialecto, e embora os termos que usam, muitas vezes, nos pareçam bizarros ou pretensiosos, ou até mesmo ridículos para aqueles para quem não são familiares, eles são certamente mais precisos do que a linguagem dos críticos musicais (um tom «lírico», uma voz «quente») ou dos críticos de pintura («vibrante», «sincera», «bem organizada»).

Frank Schoonmaker (1905-1976).

com agradecimentos a H. N..

sexta-feira, 1 de março de 2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um folheto em forma de assim...


O título deste poste é uma glosa sobre um livro de crónicas, um pouco surrealistas, de Alexandre O'Neill.
Quase toda a gente teve, decerto, a experiência incómoda de querer explicar, para outros, alguma coisa, facto, situação ou obra, e sentir uma extrema dificuldade em fazê-lo, por lhe faltarem palavras.
O folheto, de que se mostra o verso e reverso, em imagens, recolhi-o num pequeno supermercado semi-gourmet, da zona do Chiado. Mas, para além de pensar que se refere a vinhos e apetrechos com ele relacionados, não lhe descortino o objectivo concreto, nem o que pretende demonstrar.
Críptico, dispersivo, desordenado nas ideias que pretende (?) transmitir, misturando "alhos com bugalhos", tem qualquer coisa de autista. Resta-me classificá-lo como: um folheto em forma de assim - para usar uma expressão de O'Neill.
Se alguém souber interpretá-lo, faça o favor, que eu agradeço. Pode ser que a dificuldade de compreensão seja apenas minha. 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Mercearias Finas 66 : Vino Nobile di Montepulciano


Em diversos domínios, algumas coisas aprendi neste 2012, prestes a acabar. Até aqui, de vinhos estrangeiros, considerava particularmente dois: o Châteauneuf-du-Pape (francês) e o Barolo (italiano). Pois, agora, acrescentei, por mérito indiscutível, mais um vinho tinto italiano: o Vino Nobile di Montepulciano. Que à pujança do Barolo, associa uma flexibilidade de gosto que acompanha vários pratos, mas também uma elegância muito semelhante aos nossos melhores vinhos do Dão. Da Toscânia, é produzido nas cercanias da cidade de Montepulciano e há documentos do séc. VIII que já referem a sua excelência. O lote é composto pela casta Sangiovese, maioritária (cerca de 70%), com Canaiolo Nero (à volta de 20%) e o restante provém da casta Mammolo. Também há Montepulciano dos Abruzzo, mas não é tão bom, nem devemos confundi-los. O original fica em barricas, no mínimo, 2 anos, e pode ter uma longevidade que vai de 10 a 20 anos - é, por isso, um vinho tinto de guarda.
Nos meses de Novembro e Dezembro, tive ocasião de provar 3 marcas de Montepulciano e todos os vinhos eram muito bons. Acompanharam um Ossobuco à Romana, uns filetes de Rodovalho com molho de mostarda e uma tábua de queijos (ingleses, franceses e açorianos). Nas três ocasiões, o vinho italiano portou-se lindamente. Não sei se se conseguirá comprar em Portugal mas, com alguma dificuldade, eu distinguiria o que vai na imagem que encima este poste. Era da colheita de 2009, tinha 13,5º, e custou, num pequeno supermercado alemão, 5,99 euros. Merecia-os bem. Foi o que acompanhou os queijos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Mercearias Finas 59 : a casta Antão Vaz, alentejana


Não sei quem terá sido Antão Vaz, cujo nome e apelido vieram a denominar a mais nobre e emblemática casta de uvas, branca, alentejana e que, normalmente, atinge o seu esplendor na região da Vidigueira. Dizem que produz bem, é resistente e equilibrada no amadurecimento. Mas é preciso algum cuidado ao usá-la em vinhos estremes (monocastas) porque, há anos, em que a Antão Vaz torna os vinhos demasiado untuosos, e quase enjoativos. Nestes casos, a única decisão a tomar é beber esse vinho branco a acompanhar sobremesas, por exemplo, de doces de ovos: um Rançoso de Mourão, uma Encharcada, até uma Sericaia alentejana, com ameixas de Elvas. O sabor untuoso atenua-se bastante.
Para não arriscar, é fazer como a Adega Cooperativa de Borba, que compõe o seu lote de vinho branco com o Roupeiro, o Rabo-de-Ovelha ou Perrum a acompanhar a casta Antão Vaz. E o vinho, embora modesto, fica saboroso. Ao contrário, a Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito arrisca, quase todos os anos, o seu monocasta de Antão Vaz, sob a marca Vila Gamas. Às vezes, quase atinge a perfeição. Não será o caso da colheita de 2011, muito embora seja muito superior à de 2010. Como o Verão ainda se recomenda, com alguma força, e a quem gosta de quebrar a regra, este 2011 com 12,5º, poderá fazer boa companhia a um Ossobuco, com uma boa cama de cebola, pimento vermelho, alho francês...eu sei lá!...
Além disso, este branco alentejano e aromático, de cor citrina, poderá comprar-se pelo módico preço de cerca de 2,30 euros. Não se pode pedir mais a um Antão Vaz, monocasta.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Velhas Cepas e humor



É sabido que, alguns bons vinhos portugueses, são feitos de uvas provenientes de cepas antigas, como é o caso, por exemplo, dos produzidos pela casa Sidónio de Sousa, na região demarcada da Bairrada. Algumas vinhas desta casa, da casta Baga, têm mais de 80 anos. Consequentemente, a produção destas cepas é escassa, mas os vinhos obtidos são de boa complexidade e alta qualidade, normalmente. Na região do Douro, também isto acontece, com algumas marcas conhecidas.
Lembrei-me disso, ao ver citada uma frase curiosa da baronesa Philipine de Rothschild, dona do célebre Château Mouton, que dizia, com a sabedoria própria da experiência, qualquer coisa como isto:
"Fazer vinho é realmente um negócio muito simples. Difícil, só os primeiros 200 anos."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mercearias Finas 44 : Vinhos de guarda


Pode dizer-se que, de uma forma geral, os vinhos brancos têm uma vida mais curta do que os tintos e, por isso, não devem ser guardados muito tempo. E, em Portugal, pode afirmar-se que os bons vinhos tintos das regiões demarcadas do Dão, Bairrada e Douro, à partida, têm mais potencial de envelhecimento que os do Alentejo.
Para quem, como eu, goste de vinhos velhos, e os guarde na garrafeira, torna-se no entanto um problema saber se um vinho com 10, 15 anos se encontra ainda em boas condições de ser bebido e apreciado. A menos que, tendo várias garrafas da mesma marca, ano e região, vá provando, gradualmente, o vinho para poder avaliar a passagem do tempo, e a qualidade.
Ora, a casa leiloeira Christie's tem um processo simples e prático, embora não totalmente rigoroso, de estimar as condições do vinho, em garrafa. Como o vinho, com o tempo e porosidade da rolha, vai evaporando e perdendo volume, a leiloeira estabeleceu uma escala de altura do líquido, em relação ao gargalo da garrafa, como se pode ver pela imagem, que permite prever o seu estado.
Assim, segundo o esquema, a posição 1 (high fill) é um óptimo sinal para um vinho tinto velho de 10 anos. Pelo contrário, a posição 8, abaixo da curvatura da garrafa, é um indício de que o vinho já não estará em condições de ser bebido. Muito embora esta tabela seja para aplicar aos "Bordeaux", creio que também poderá ser usada em relação aos vinhos tintos portugueses, de guarda.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quotidianos lisboetas


Deviam estar a preparar alguma coisa nos jardins do Palácio do Conde de Farrobo, ao Chiado. Recepção, festa, ou vernissage, porque os canteiros estavam cuidados, os arbustos aparados e, por uma nesga de uma porta que dava para a rua, consegui ver 2 cozinheiros aperaltados a preceito e vários tachos e panelas sobre o fogão industrial da cozinha. Próximo, e de um caminhão parado na rua descarregavam vitualhas. Como sempre, à portuguesa, 3 moleques faziam o trabalho, e 5 "cavalheiros", muito direitos e aristocráticos, encostados à parede, davam ordens ou mandavam bocas correctivas aos oficiais mecânicos. Estava calor.
Eu já vinha da Bertrand, após ter resolvido, metafisicamente, uma dúvida difícil. Na mão direita eu tivera "Uma viagem à Índia" de Gonçalo M. Tavares, com prefácio de Vasco da Graça Moura, na esquerda sopesara, indeciso, de João Paulo Martins, "Vinhos de Portugal 2012", sem prefácio, a não ser do próprio autor. Mas eu só queria comprar 1 livro. Tinha que optar...
Entre os muitíssimos autores citados, de um dos livros, e os inúmeros vinhos referenciados, no outro, preferi o João Paulo Martins. Entre a poesia e o vinho, desta vez ganhou Baco. Também é verdade que havia alguma diferença de preços entre as duas obras, o que também conta, num orçamento limitado... 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vinhos do Douro


Será consensual que a região demarcada do Douro foi aquela que, nos últimos anos, mais adeptos conquistou, desafiando, no pódio, o Alentejo. Embora apreciando-as, continuo quase castamente fiel à região demarcada do Dão. Pena é que esta região não tenha tido um Pigmalião, até hoje, que lhe desenvolva as potencialidades, porque os vinhos do Dão ainda conservam a extrema elegância de sempre.  E têm, muitas vezes, uma boa longevidade. O que direi a seguir só a mim compromete e parte, não de um perito, mas de um amador que gosta de bons vinhos e tem, pela idade, alguma experiência.
Creio que a Tinta Roriz tem, no Douro, o seu terreno de eleição ( ou terroir preferencial) na qualidade de produto, e sendo, para mim, a casta portuguesa favorita ( o cânone diz que é a Touriga  Nacional), aqui deixo a minha opinião. Embora no Dão também desenvolva muito bem. Mas em relação a castas portuguesas, o Douro tem, praticamente, a exclusividade da Tinto Cão, e da Tinta Amarela que  também aparece, episodicamente, nos vinhos do Dão.
Leituras recentes sobre as vindimas no Douro, e memória, fizeram-me recordar algumas colheitas boas da região: 1999, 2003 e 2004. Ao que parece, as vindimas começaram cedo este ano, por causa das condições climáticas de Agosto, depois foram interrompidas, finalmente retomadas em Setembro, já com melhores augúrios. Classifica quem sabe, que não eu, e de várias leituras, pelas perspectivas dos resultados das colheitas anuais:
2007 - ++
2008 - ++
2009 - +
2010 - + ou -
2011 - + ... (?).
Assim seja. 

sábado, 16 de julho de 2011

Vinho em Portugal, no século XVIII


Já aqui falei do livro "Relação do Reino de Portugal - 1701", editado pela BNP (2007), baseado num manuscrito da British Library, e transcrito sob a coordenação de Maria Leonor Machado de Sousa. É uma obra interessantíssima e, pelo pitoresco e observação minimalista dos costumes portugueses de antanho, não fica nada a dever às clássicas, canónicas e mais celebradas obras (pelo menos, das que eu conheço) de Estrangeiros sobre Portugal que são sempre muito cobiçadas pelos bibliófilos portugueses nos alfarrabistas. E muito disputadas em leilões. Hoje, vou transcrever da obra citada, um pequeno excerto sobre a produção de vinho, na região de Lisboa. Curiosamente, e pouco antes deste texto, o autor referia que da margem norte do Tejo, eram preferíveis os vinhos tintos, e a sul do Tejo eram melhores os brancos. Segue, então:
"...Para fazerem Vinho põem as Uvas numa grande Cisterna de Pedra, de onde as passam para outra, menor, e então o Vinho é colocado em grandes Cascos, que levam quatro ou cinco Tonéis. Pisam as Uvas de uma maneira muito desagradável e, quando já não sai mais nenhum sumo da pisa, eles espremem o que podem da seguinte maneira: põem os cascos todos numa pilha e atam-nos com corda de sisal para evitar que se espalhem, depois colocam Pranchas de madeira sobre eles, e com recurso a uma grande Pedra, extraem ainda mais sumo delas; depois do que deitam água para dentro dos cascos e fazem um licor a que chamam agua-pé, que foi o que provei. Era pior do que Cerveja Fraca. Quando o vinho é levado para esses grandes Cascos, se se trata de vinho Branco o trabalho está feito, mas se é vinho Tinto, põem o cangaço da Uva lá dentro para que fermente e passe a ter mais cor, pois a cor intensa do vinho Tinto é conseguida dessa maneira. ..."