sábado, 24 de outubro de 2015

Uma longa toada, vinda de longe


Raros são os poetas singulares, de geração espontânea. Porque quase todos se filiam, de algum modo, numa estirpe ou família mais antiga, num tom de voz anterior, a que novos temas, ou obsessões íntimas e pessoais, podem dar um diferente colorido ou tensão.
No

Vem serenidade!
Vem cobrir a longa
fadiga dos homens,
este antigo desejo de nunca ser feliz...

de Raul de Carvalho (1920-1984), poderá ver-se um eco, reconhecer-se ou sentir-se a palpitação de Pessoa, através de uma outra nocturnidade:

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio...

A grande diferença é que muitas destas vozes ficam pelos caminhos do mundo, sepultadas no esquecimento dos homens, outras, mais ditosas (ou mais fortes?), vão sendo lembradas por alguns, durante mais tempo. Sempre finito.

2 comentários:

  1. Gosto muito da poesia de Raul de Carvalho.

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    1. No entanto, não deixa de ser um poeta esquecidíssimo..:-(

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