segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Mário Cláudio, testemunho sobre 3 confrades já falecidos


Em entrevista muito interessante publicada recentemente (16/10/2015) na revista ípsilon (jornal Público), o escritor Mário Cláudio (1941) caracteriza, de forma sucinta, o temperamento de Eugénio de Andrade, Jorge de Sena e David Mourão-Ferreira. Tendo convivido com eles e por se tratar de um testemunho pessoal curioso, aqui ficam exaradas as suas palavras, para memória futura:
"Podia ser-se amigo do Eugénio, mas não um amigo incondicional. Quem o tentou, ficou esmagado. Não era possível. Pela personalidade dele, que era muito possessiva e manipuladora. Já o Sena era temível. Convivi menos com ele, uma vez que estava no estrangeiro, mas era vulcânico, uma pessoa um pouco assustadora naquele seu gigantismo, que se manifestava aos mais diversos níveis. De todos eles, com quem tive uma relação mais afectuosa foi com o David, que ao contrário do que se pensa era tudo menos um mundano, embora gostasse de conviver, sobretudo com mulheres. Era um homme à femmes irredutível. E como é frequente em personalidades desse tipo, era infiel nos amores, mas fidelíssimo nas amizades."

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