segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Da écloga Basto, de Sá de Miranda


...
Pois contigo a razão val,
vejamos quem mais conjunta;
olha que todo o animal
forte, ou fraco, aos seus se ajunta
por distinto natural.
As pombas andam em bandas,
voam grous postos em az;
estas andorinhas brandas
não querem de nós viandas,
querem companhia e paz.

Como no mundo apontamos,
do ventre em terra caimos;
como de nós sós choramos,
dôutrem que ajuda pedimos!
nós sós para que prestamos?
Então ver a fantasia
dos nossos leves zagais!
a quem inda mais diria
que não hei por companhia
salvante a dos meus iguais.
...
Sá de Miranda, écloga Basto, (excerto da fala de Bieito), Clássicos Sá da Costa (pg. 169).

2 comentários:

  1. E quem não quer (companhia e paz)? :-)
    Zagais são pastores?

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  2. São realmente pastores, mas creio que a ideia é mais abrangente, embora selectiva em relação a quem se dirige. A écloga de Sá de Miranda expõe, de algum modo, as ideias de ética do autor, sendo dedicada a um amigo, Nuno Álvares Pereira, da "imensa minoria" de s("m)eus iguais" - pelo menos assim a entendo. O poema tem uma frescura enorme e, até, algum humor.

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