quinta-feira, 8 de julho de 2010

Um luso-brasileiro esquecido



Caetano Lopes de Moura, mulato da Baía, onde nasceu em 1780, é hoje um homem quase esquecido, muito embora tenha tido uma vida bem preenchida. Era médico, estudou em Coimbra e, provavelmente, também em França para onde foi, em 1803, e onde veio a morrer, em 1860. Todos os seus livros foram publicados em Paris e alguns deles são importantes. Destaco "Cancioneiro D'Elrei D. Diniz", de 1849, feito sobre o manuscrito da Biblioteca da Vaticana. E a interessante "História de Napoleão Bonaparte,...", (em 2 volumes) com vivas e precisas descrições de batalhas travadas: Marengo, Wagram em que participou, uma vez que era médico de Napoleão.
Lopes de Moura foi também tradutor para português de diversas obras de Walter Scott ("O Talismã", "Quintino Doward"...) e de James Fenimore Cooper - "O Derradeiro Moicano". Embora as biografias que se fizeram sobre a sua vida sejam um pouco fantasiadas, não há dúvida que este médico baiano teve uma vida atribulada e intensa. Em 1846, o imperador do Brasil, D. Pedro II fez-lhe alguma justiça, atribuindo-lhe uma pensão vitalícia de 400 francos (conforme se pode ver, também, pela folhinha ingénua, brasileira dos anos 50, que reproduzo). Mas Caetano Lopes de Moura não terá morrido no Brasil, como a folhinha refere, mas em Paris.

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