segunda-feira, 19 de julho de 2010

La Bruyère


Áulico talvez, mas com certeza mais que Lampedusa, Jean de La Bruyère (1645-1696) é lembrado por apenas um livro que publicou em vida: "Les Caractères" (1688). E que teve, até à morte do seu autor, mais três edições, sempre acrescentadas em páginas.
Suprema aspiração - deixar apenas um livro de tudo aquilo que a vida nos ensinou. Mas que fosse bem feito e uma súmula exacta e rigorosa daquilo que foi essencial para o autor, e o possa, também, definir por inteiro.
Traduzo, do prefácio de "Les Caractères", um pequeno excerto do texto de La Bruyère:

"...É preciso saber ler, e em seguida calar, ou ser capaz de transmitir o que lemos e, nem mais nem menos, aquilo que se leu; e se não o podemos fazer, às vezes, não é o suficiente, é preciso ter vontade de o fazer; sem estas condições, que um autor exacto e escrupuloso tem o direito de exigir de alguns espíritos por única recompensa do seu trabalho, duvido que ele deva continuar a escrever, a menos que prefira a sua própria satisfação à utilidade de vários e ao respeito pela verdade. ..."

P. S.: para MR, que me fez uma pergunta, há dias; e para H.N., que me ofereceu uma edição bonita e maneirinha de "Les Caractères".

4 comentários:

  1. Mas pense nas traduções... estamos ávidos de boas traduções.

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  2. Parece que de propósito...hoje, atirei-me ao Dylan Thomas, MR.

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  3. De traduções, sim, sem dúvida, mas dos poemas também. Ainda não consegui encontrar o «Equilíbrio»...

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  4. A culpa é da "Leya", mas um dia destes vou tentar investigar se já os guilhotinaram todos...

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