segunda-feira, 6 de abril de 2015

2 poemas de Antonio Gamoneda (Oviedo, 1931)


Estou despido perante a água imóvel. Deixei a minha roupa no silêncio dos últimos ramos.

Era esse o destino: chegar à margem e ter medo da água em quietude.

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Atravessei as crenças. Durante muito tempo
nevou sem esperança.
Mães havia que, ao amanhecer, enlouqueciam: oiço os seus gritos amarelos.

Ainda neva. Creio no desespero.
Acredito na ira.

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