segunda-feira, 16 de março de 2015

Assim vai Portugal...


Estas coisas ou situações, todos temos a tendência de esquecê-las, por pesadas e insuportáveis. Porque creio que MR, no seu Prosimetron, já tinha colocado uma fotografia semelhante, destes habitantes nocturnos do Túnel do Marquês, em Lisboa.
Mas o meu amigo C. S. veio relembrar-me esta indignidade humana e portuguesa, hoje.

10 comentários:

  1. Um horror, seja lá onde for. Digo isto porque alguém comentou no Prosimetron que não era o túnel do Marquês.
    Bom dia!

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    1. Estou consigo:... seja onde for!
      Boa tarde!

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  2. É bem verdade que a informação que circula na Internet precisa sempre de ser validade e revalidada. Isso não elimina nem esconde o problema que também existe em Portugal - já escrevi sobre isso. Mas não faltariam exemplos desta vergonha entre nós, e por vezes estranho que seja necessário forjar ou utilizar informação indevida, o que acaba por desacreditar as denúncias.

    A primeira referência que se encontra a essa fotografia é em Espanha: 27 de octubre de 2013:
    Tunel M30. Madrid. Una noche cualquiera.
    http://cuestionatelotodo.blogspot.pt/2013/10/tunel-m30-madrid-una-noche-cualquiera.html

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    1. Grato pela sua precisão informativa.
      Para além deste flagelo que indicia, antes de mais, problemas ecónomicos e sociais, há um factor psicológico, muitas vezes, no sem-abrigo, que eu não consigo entender e, muito menos, explicar. Que me parece ser apanágio do nosso tempo, porque não me lembro, na infância ou adolescência, de ver um único caso destes - e eu conheci zonas francamente pobres de cidades e subúrbios.

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    2. Há, realmente, muitos fatores de combinação complexa. Em primeiro lugar, a concentração urbana cresceu de forma brutal. Depois, os centros das cidades (e as periferias) têm hoje em dia muitos edifícios abandonados, e falta de residentes - e estes sempre foram um obstáculo à instalação de "estranhos" no espaço público. Há ainda as diferenças que resultam da substituição de uma gestão pública autoritária, até policial, por uma abordagem mais tolerante - a pressão social impede agora as autoridades de prender, escorraçar, os "desgraçados", coisa que noutros tempos era normal. Há também o incremento da pobreza, que agrava o problema, numa sociedade em que o ter e o não ter são realmente descontínuos, e não uma questão de grau. Quando não se tem, perde-se tudo, até a "vergonha" de viver sem abrigo. E concordo que há talvez - sem querer ser cruel - uma moda, quiçá importada, que, em certos casos, chega a reclamar uma aura poética para o fenómeno.

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    3. Adiro a grande parte das suas explicações, Artur Costa, mas escapa-me ainda muita coisa para entender este "novo" comportamento humano.
      Talvez o evitassem, fundamentalmente, a solidariedade e o equilíbrio. Também, em alguma medida, a vergonha social que ainda sentiam os marginalizados, que hoje é tudo "show-off" e chamar-se coitadinho, a alguém, é um afago.
      A solidariedade militante e discreta (o pobre dos $50, o mendigo do Escudo, o necessitado mensal, pelas casas, que vinha recolher 2$50) foi substituída pelos holofotes "institucionais" e televisivos da Jonet. Acho que terá sido isto que matou, de algum modo, a fraternidade de uma ética que, sendo simples e não remediando o problema, acabava por ser mais eficaz e humana.

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  3. Há o 'clochard' que é diferente do sem-abrigo. É uma espécie de vagabundo.
    Uma pessoa sem quaisquer condições de vida - sem emprego, sem casa, sem família, etc. - acaba um bocado transtornada e depois não consegue dar a volta. É uma dor de alma.
    Miss Tolstoi

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    1. As explicações, Miss Tostoi, continuam-me a ser insuficientes. O suicídio, para mim, é compreensível, mas a auto-exclusão social, como comportamento definitivo, continuo a não percebê-la.

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  4. Faz muita impressão... Em 2005, já se via muitos sem-abrigo em Lisboa ( no Túnel do Marquês, não sei, mas vi muitos nas ruas, alguns em frente do prédio onde morávamos ou noutros da mesma rua). Sempre gostei de andar a pé e acabava por encontrar muita mendicidade. Havia dias que chegava mesmo incomodada a casa.
    E estou consigo no que diz - faz falta uma solidariedade mais discreta, mais fraterna, mais atenta, que vi acontecer muita vez quando era miúda, mas agora nem tanto...

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    1. É sempre perturbante ver, na sua forma prática e mais despojada, uma desistência humana. A situação continua a proliferar, sem resolução possível à vista. Há paliativos (quando há muito frio, por exemplo), mas não verdadeiras soluções, até porque, em última análise, esbarram com a "teimosia" do sem-abrigo, em continuar assim...

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