quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Apontamento 56: Brincadeiras



Noutro dia entrei numa frutaria/charcutaria/garrafeira, outrabandista, e, para além de comprar o que era preciso, lá encontrei, como de costume, outras coisas apetecíveis. Eram umas castanhas, brilhantes e grandes, a convidar o cliente a abastecer-se.

Foi o que aconteceu. Em casa, lá fiz os cortes e resolvi assar as castanhas para o jantar. No entanto, guardei uma, muito bonita, porque me lembrei das minhas brincadeiras infantis, na época das castanhas – não comestíveis – que se apanhavam para fazer bonecos na escola. Tomando como inspiração a imagem acima, apanhávamos as castanhas, levávamos fósforos e a partir daí fazíamos os bonecos. Ora, no fim-de-semana passado não resisti à tentação! A castanha sobrante ficou em pé, apoiada em três fósforos. Pareceu um pouco pobre, coitado !

Só quando se tirou a cápsula da garrafa do vinho para o jantar, surgiu a inspiração final. Tirada a cápsula a preceito, com vários golpes de faca, pareceu-me um sombreiro que, de imediato, achei que ficaria bem ao meu “homem da castanha”, por enquanto “sem qualidades”. Depois de fixar o chapéu com a ponta de um palito, surgiu um pernalta à beira-mar. Claro está, para a imaginação infantil que, graças a Deus, alguns adultos ainda conservam.

As recordações das brincadeiras infantis ainda tiveram outro desenvolvimento. Celebrou-se, ontem, o 60º aniversário da instauração do “subsídio para crianças” na Alemanha. Para além de sentir uma satisfação enorme relativamente a uma época em que o desenvolvimento de políticas de apoio social era considerado como uma conquista da Humanidade – em contraciclo com o panorama actual – fixei o olhar na imagem seguinte que acompanhou a notícia.


Ora, reconheci perfeitamente os carrinhos de bebés. Lembrei-me daquele que andou lá por casa depois de ter servido para três criaturas. Já estava sem “sombreira”, mas servia para as nossas brincadeiras. Às tantas, e como as bonecas eram poucas para meter lá dentro, passei a servir, como graça, às minhas irmãs para me passearem pela aldeia. Metiam-me lá dentro, com as pernas de fora perto de casa, a fazer de conta que eram “mães extremosas” a passear a criatura.
Por vezes, o afastamento da casa paterna proporcionava umas arrelias pouco cómodas. Às tantas, as minhas irmãs tentavam pôr as minhas pernas dentro do carrinho, com alguma dificuldade pelo tamanho da “boneca viva”.


Foi, assim, que fiquei com a recordação, até hoje, dos velhos carrinhos de bebés, de madeira e com molas, que davam para embalar até criaturas mais crescidas.

Post de HMJ

4 comentários:

  1. Que post tão giro!
    Ainda se fazem uns bonecos com castanhas, na escola.

    Boa noite:)

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    1. Para Isabel:
      Ainda bem que se mantém a tradição.

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  2. Tb gostei e tb fiz uns bonecos com castanhas, mas não me lembro de fazer o carrinho de bebés - muito caprichado
    Bom dia!.

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    1. Para MR:
      também achei graça ao carrinho.

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