segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Bibliofilia 108 : Correia Garção (2)


Por razões que eu não saberei explicar, muitas obras poéticas do século XVIII português ficaram inéditas até à morte dos seus autores, embora miscelâneas manuscritas circulassem entre os seus admiradores, como foi o caso de algumas, diversas, versões do poema herói-cómico O Hyssope, de Cruz e Silva, que só veio a ser publicado em 1802, três anos após a morte do Poeta. E, por isso, postumamente.
O mesmo aconteceu com as poesias de Correia Garção (1724-1772), que o seu filho fez editar, em 1778, na Regia Officina Typografica. Mas haveria que esperar mais cem anos, para que viesse à luz, em Roma, uma edição mais completa e inclusiva da obra do Árcade Coridon Erimanteu, de que já aqui falei em 10/4/2010 (Bibliofilia 13).
Esta primeira edição, de que se exibe a portada, não sendo livro raro, não aparece com frequência à venda. O meu exemplar, encadernado em carneira, encontra-se em bom estado de conservação e foi comprado, por volta de 1986, em Lisboa, tendo eu dado por ele Esc. 8.500$00 (cca. 42,50 euros). Na semana passada, num alfarrabista da rua do Alecrim, vi um exemplar semelhante exposto para venda, que custava 60 euros.

5 comentários:

  1. Atendendo à inflação, o livro está hoje mais barato do que em 1986.

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  2. Com inflação e deflação, queria eu dizer...

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    1. É verdade. Nem sempre se fica a ganhar..:-)

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  3. Os livros baixaram, e muito, de preço. A prova é a quantidade de Livrarias que todos os dias vão fechando. A net deve ser a grande culpada. O livro está lá, consulta-se de graça em qualquer lugar, não ocupa lugar... Para os mercantilistas de hoje. Bibliófilos, uma espécie em extinção. Mesmo o livro muito bom está mais barato. O que lhes tem feito subir, ou manter, o preço é serem comprados por Bibliotecas, saem do mercado e passam a ser mais raros.

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    1. É a ideia que tenho, também, ultimamente. Embora a ida a leilões - e não tenho ido, nos tempos mais recentes - pudesse confirmar, ou não, o facto da baixa de preço do livro antigo.
      Não serei tão pessimista em relação ao desaparecimento dos bibliófilos, muito embora verifique que há menos do que aqui há trinta anos... E as razões parecem-me ser as que aponta.

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