Para afastar qualquer possibilidade de “tresler” o presente
texto, ele começa com uma declaração de interesse. Por razões que não vêm ao
caso, nunca votei na Alemanha. Mas se tivesse exercido esse direito, certamente
o meu voto ia para Willy Brandt. No mínimo, por pirraça, e contra os aldeões
ultramontanos da CDU, alguns disfarçando bem a sua antiga “camisa chocolate”, à
semelhança de Kiesinger, para atacar Willy Brandt, nos idos de 60 do século
passado, de forma abjecta e vil, com o objectivo de o destruir politicamente.
Vem tudo isto a propósito do centenário do nascimento de
Willy Brandt que se comemora hoje. Nas últimas semanas, o jornal DIE ZEIT tem
vindo a publicar entrevistas, artigos e até uma brochura que se reproduz em
epígrafe. O que prevalece, mesmo nos comentários dos leitores, é o
reconhecimento de que a História lhe fez justiça, após um longo processo de
clarificação dos factos em detrimento da propaganda movida por uma direita
pouco recomendável em termos de “pergaminhos” éticos, morais e de integridade.
Aliás, a seguinte imagem espelha bem os “dois mundos” da política alemã.
Embora a CDU/CSU já não alinhe nos ataques soezes a Willy
Brandt, sucede que a memória colectiva de alemães esclarecidos não se esqueceu
do ar cândido, católico e, aparentemente, austero de Konrad Adenauer,
revelando-se pouco cristão no ataque político ao seu adversário. Quanto ao
“Bocassa alemão”, i.e., o Franz Josef Strauss da CSU, nem vale a pena gastar
mais tinta.
O perfil de Homem de Estado, com uma visão suprema da
Alemanha e, sobretudo, da Europa, baseado na sua experiência vivida e
reflectida da História, deixa uma saudade imensa perante os “manequins” que se
passeiam no nosso quotidiano tapete vermelho da política.
Post de HMJ
Willy Brandt é um dos homens que mais admiro.
ResponderEliminarVou geminar.
Para MR:
ResponderEliminarFez bem !