sábado, 1 de agosto de 2015

Fragilidade


A fragilidade sempre despertou uma especial atenção humana. Que, por vezes, se aproxima da compaixão, quando não vai de par com sentimentos vários, onde a ternura chega a espreitar, pelo menos, quando não se instala, de todo.
Para lá do encanto natural, beleza e fascínio que Veneza provoca, o seu rendilhado delicado ameaçado pelas águas e pelo turismo desenfreado dos anos mais recentes, tem acrescentado sentimentos sobre o seu nome emblemático, e de culto.
Se os daguerreotipos italianos, que o crítico de arte John Ruskin (1819-1900) fixou, se vão desvanecendo com o tempo, essas frágeis imagens, na época, foram-lhe extremamente úteis para contextualizar os estudos que escreveu sobre as aguarelas de Turner (1775-1851).
Aguarelas que, hoje, apenas sob uma luz precária e coada, podem ser vistas e admiradas. Caso contrário, a sua exposição sob uma luz forte e agressiva, fará desaparecer as suas cores frágeis, para sempre.

6 comentários:

  1. Aguarelas são tão suaves que as acho ternas...

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    1. São, na verdade, um afago de arte..:-)

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  2. Chega a ser onírico. Gosto muito de Turner. As cores foram mestria nas suas mãos. Umas tão vibrantes, outras tão diáfanas. Ele leva-nos para dentro da pintura. Cada quadro, para mim, é uma respiração lenta. Só apetece ficar ali...

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    1. Uma autêntica epifania, estas suavíssimas aguarelas de Turner...

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