No coração de Lisboa, cheirava a pão quente, via-se o fumo evanescente das castanhas assadas, uma coladera despropositada contorcia-se em dois corpos jovens e morenos, secundados por instrumentos africanos sob a benção flectida do poeta Chiado, metálico e eterno. Francês era a língua dominante.
Três cavalheiros de aspecto nobre e trajar distinto, embora não tão neutro como os bibes bancários e reconhecíveis, que por lá passam, mais uma tia chanel número 5, graciosamente, distribuiam encartes preciosos, sugestivos de rico grafismo, como o da imagem, por alguns passantes escolhidos.
Coube-me um a mim, que ia de sobretudo digno e de marca, nas minhas cãs enganosas de prosperidade tranquila. As legendas do encarte vinham em caracteres sóbrios e elegantes da língua portuguesa - como manda a lei - mas também em russo, inglês e chinês, fazendo a apologia e louvando a segurança do Golden Visa ERA na compra de mansões milionárias. Foi ontem.
Veio-me Cesário à memória: "Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo..."
Mansões milionárias mais mal construídas que os bairros sociais. Vi uma reportagem na tv...
ResponderEliminarO que importa é caiar, melhor dizendo: branquear...
EliminarBranquear está apropriadíssimo. :))
ResponderEliminar..;-))
EliminarRi-me, foi com o seu auto-retrato!
ResponderEliminarBoa noite:)
..;-))
EliminarBoa noite, Isabel!
Abstraindo de tudo o resto, a fotografia é lindíssima!
ResponderEliminarUm bom dia, APS!
Sem dúvida, Maria. E, no interior do encarte, também há muito boas fotografias, enquadrando as mansões. Foi tudo pensado com luxo e qualidade...
EliminarBoa tarde!