terça-feira, 12 de abril de 2016

Abrantino, pequeno, mas arranjadinho


Em abono da verdade, eu teria de dizer que, entre mim e os habitantes da cidade, houve alguns equívocos locais. Quando eu saía da igreja degradada, no centro da cidade, uma senhora fulva, que parecia celta, e de cabelos inflamados pelo vento, perguntou-me, sardenta: "Sabe se o Padre está lá dentro?!" Eu respondi, intimidado, e confuso: "Não sou de cá. Só vi 6 mulheres a entoar o Pai-Nosso..." Pouco depois, no Largo a seguir, uma nativa de óculos, interpelou-me, concisa: "Por onde é que eu posso ir à Brancolina?". Envergonhado, voltei a repetir: "Desculpe, mas não sou de cá..."
No fundo, foi uma espécie de paga, porque para chegar ao Museu (afinal, inserido numa bonita igreja do Castelo de Abrantes) foi preciso perguntar a 4 abrantinos a direcção do dito. Dois não sabiam, o terceiro tinha apenas uma vaga ideia; só o quarto me foi útil e preciso, na informação... Lá subi penosamente até à fortaleza e fui dar ao Parque Radical, para crianças, nessa altura deserto das ditas. À esquerda, porém, havia mais escadas que, embora íngremes e de degraus mais altos, eu galguei, esperançado pela recompensa museológica. Depois da sala dos Governadores, lá a tive, finalmente.
A igreja de Sta. Maria do Castelo foi o panteão dos primeiros marqueses de Abrantes. Os túmulos iniciais, sumptuosos, do séc. XV, têm traça gótica a exemplo dos da Batalha. O último, mais discreto, é renascentista. Na igreja se constituiu, em 1921, o museu da cidade. Pequeno, mas cuidado, com algumas imagens em pedra de Ançã, paramentos religiosos e uma vitrine numismática, com moedas que vão da época romana até ao século XIX. Saindo e subindo mais um pouco, vale a pena desfrutar o horizonte magnífico e amplo, do alto do castelo.
Depois, desci. Num dos largos da cidade calhou assistir a uma cerimónia evocativa do Dia do Combatente, lembrando a batalha de La Lys. Tive direito a ouvir o Hino Nacional, o toque a silêncio e o toque de alvorada, executado pelo corneteiro militar. Como se diz, desde as invasões napoleónicas: "Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes"...

2 comentários:

  1. É incrível a ignorância das pessoas sobre a sua própria terra. Não é só em Abrantes.
    Bom dia!

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  2. Também fiquei pasmado...
    Eu creio,embora não seja isento, que no Norte há mais conhecimento, interesse e amor às coisas da terra.

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