quarta-feira, 29 de junho de 2016

Ver melhor


Quando eu era pequenino, lembro-me que praticamente só usava óculos de sol, na praia.
A meio da minha idade, alguém que vivera em África, onde eu nunca estivera, ensinou-me duas coisas: que os nativos raramente dispensavam o uso desse adereço, mesmo que chovesse; e que um negro de cabelos brancos era, forçosamente, muito velho - duas coisas que nunca mais esqueci. 
Com o tempo e a globalização, habituei-me a ver excessivamente as pessoas mais diversas a usarem óculos de sol, estivesse o tempo que estivesse. E dava-me a pensar comigo: devem ver o mundo ainda mais negro do que ele é, na realidade... Mas, por outro lado, dizia: isto é óptimo para as lojas de óptica! E para os ciganos que os vendem pela rua, contrafeitos.
Ora, logo pela manhãzinha, HMJ contou-me uma história divertida, que me pôs bem disposto. Como Lisboa, e embora há muito mais tempo, Colónia (Alemanha) tem muitos turistas. Que se dirigem, invariavelmente, para ver a Catedral, como, na capital portuguesa, têm de, obrigatoriamente, viajar no eléctrico 28 ou subir, em rebanho acarneirado, ao elevador de Sta. Justa. Todos lêem pela mesma cartilha, acefalamente. Quantos deles irão, em contrapartida, ao MNAA? Porque ao Museu dos Coches vão eles: reza da cartilha globalizante...
Pois bem, o Deão da Catedral de Colónia estava a receber muitas reclamações de turistas, sempre pelo mesmo motivo: que a Catedral estava muito mal iluminada. O Deão acabou por responder-lhes, em entrevista: "Quando entrarem na Catedral, tirem os óculos escuros!" 

11 comentários:

  1. Talvez o Deão da catedral tivesse dado a
    resposta adequada.
    Quanto aos turistas acarneirados algumas
    coisas típicas de Lisboa são interessantes,
    como o 28 e a vista bonita do elevador de
    Sta.Justa. Outras nem tanto. Vou sair do
    assunto do seu texto, por se ter referido
    ao MNAA e por coincidência tinha estado
    a confirmar a data da exposição "A paisagem
    nórdica do museu do Prado" em Lisboa, que foi
    de Dez./2013 a Abril/2014.Belíssima, e que
    eu adorava voltar a ver. Memórias que amenizam
    os horrores do presente.
    Boa noite.

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    1. Estou de acordo.
      Quanto ao 28, entre Março e Outubro, é praticamente impossível arranjar um lugar sentado, tantos são os turistas. E perderam-se as boas regras: nenhum estrangeiro se levanta para dar lugar a um velhinho trôpego...
      O MNAA é sempre uma alegria visitá-lo. O MNAC deixou-me desconsoladíssimo, da última vez que lá estive. Grande surpresa, pela positiva, foi a minha ida ao Grão-Vasco, de Viseu, de que gostei muito.
      Uma boa noite!

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  2. OMG! A sério? ahahhah Entrar numa Catedral de óculo escuros, sinceramente...
    Mas que bela maneira de apreciar a luz dos vitrais, logo para começar...
    O MNAA é um dos meus museus favoritos ( e cheguei a almoçar lá, junto ao jardim; foi agradável). Já não vou ao MNAA há 10 anos, no entanto.
    Também não gosto de carneiradas e evito filas ao máximo (desperdício de tempo!).
    Bom dia!

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    1. Às celebridades de Hollywood, ainda eu perdoo, até para não serem incomodadas com pedidos de autógrafos..:-)
      O MNAA está muito bem e só nos honra, pelo acervo, estética e disposição das obras. É,sem dúvida, o melhor museu português.
      Pois agora, por Lisboa, nos sítios mais centrais, é quase necessário pedir licença para circular..-:(
      Boa tarde!

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  3. AH!AH!AH! Uma historia engraçada! Mas temos que reconhecer que os óculos de sol são bem úteis, para proteger a vista. Antigamente tinha-os, mas eram mais as vezes que não os usava, que o contrário, mas hoje em dia se saio de casa sem eles, sinto-lhes a falta.

    Boa tarde:)

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  4. ...Mas quando entro em algum lugar tiro-os imediatamente! Nem gosto muito dos óculos de sol, uso-os mesmo porque o sol forte me incomoda.

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    1. A preto e branco, os olhos têm que ir a nu..:-)
      Bom fim-de-semana!

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