sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Regionalismos ilhavenses (6)


Não sendo as regiões estanques, nem as populações totalmente sedentárias, há muitos regionalismos que se difundem e alastram para zonas vizinhas por osmose. Sendo difícil, por isso, averiguar com rigor o local em que se originaram.
Tentamos, nesta selecção de expressões regionais, colhidas na obra Palabras co bento no leba, de Domingos Freire Cardoso, seleccionar sobretudo regionalismos curiosos e formas de dizer e significar que nos parecem ser totalmente originais de Ílhavo, e que constam da obra.
Seguem-se, hoje, palavras e expressões começadas pela letra f.

1. Fabolas - dentes grandes.
2. Fagone/ Fogone/ Fongone/ Fogorne - alarme sonoro (sineta ou tiro de canhão) a bordo dos navios bacalhoeiros para chamar os pescadores dos dóris em caso de nevoeiro ( do Inglês "fog-horn" - buzina de nevoeiro).
3. Falar com relêgo e um pontinho na língua - dizer só o que é preciso e com educação.
4. Falastroa - mulher que fala muito.
5. Farfalho - amostra de gordura ou carne que aparece no caldo.
6. Fazer cu de galinha - quando as crianças chuchavam na broa, como se fosse uma chupeta, dizia-se que faziam cu de galinha.
7. Fraca tripa - pessoa que não vale nada.
8. Frescau - diz-se do peixe conservado em salmoura; bacalhau ainda em meia cura.
9. Fuzelo - coisa muito fininha; pessoa muito magra.

7 comentários:

  1. «Fabolas» é em Ílhavo porque em Lisboa diz-se «Favolas». :-)
    Conhecia a 6 e 7.
    Bom dia!

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    1. Ora, aí está, como vê: mais um regionalismo, que também existe e se usa em Lisboa... E, se calhar, o 6 e 7, também!?
      Mas eu, mais uma vez, estava a zero..:-(
      Bom dia.

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    2. «Fraca tripa» é «pessoa que não vale nada» porque nem serve para comer. :)
      Bom domingo!

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  2. :-D Também já conhecia as favolas, mas gosto imenso destas expressões. Bom dia!

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    1. Têm quase sempre um casticismo singular - estou consigo!
      Bom dia.

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  3. Caríssimo APS: Na qualidade de autor deste livro sinto-me muito honrado e agradecido pela sua empresa de divulgação do seu conteúdo. Mas o que ainda me admira mais é a sua saga de procurar fotografias que ilustrem os seus textos. Sem desprimor para as anteriormente usadas, esta é uma maravilha... Seria uma boa ideia, no final, reunir todas essas fotografias num documento só.

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    1. Agradeço, caro Domingos Cardoso, com estima, as suas amáveis palavras. A sua valiosa e trabalhosa obra bem mais do que merece o meu limitado, mas interessado, contributo pequeno de divulgação. Continuarei até ao "z", pode estar certo..:-)
      Dou muita atenção e exigência à iconografia do Arpose - é um dos meus pontos de honra. E a temática sobre o seu livro, não constitui excepção. Fico contente que tenha ficado satisfeito com as imagens.
      Saudações cordiais.

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