segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Instantâneos dos subúrbios


Pergunto-me o percurso que terá feito esta moeda de 2 euros, da Eslováquia, que me apareceu no porta-moedas. Turista que cá a deixou ou português que de lá a trouxe?
Mas, antes, a vizinha-condómina que teve de declinar a minha boleia no elevador, porque o seu gato felpudo e doméstico se empenhava teimosamente em a acompanhar à rua. E ela não queria.
Na manhã soalheira, levo ainda a memória da agonia de Sartre contada pela Simone de Beauvoir, da leitura da véspera (La cérémonie des adieux), acompanhada por 2 ou 3 retratos de Picasso que vi (Nusch Éluard e Marie-Thérèse Walter), maravilhosos.
A dois passos da tabacaria onde vou comprar o jornal, na esplanada dum café, um pré-adolescente mascarado ensaia uma pindérica dança da chuva para marcar o Halloween. Só nos faltava mais esta: já da Escola se começam a ouvir os gritos estridentes das criancinhas. Mais a música barata, que se espalha no ar, de mais uma festa apátrida de buliçosos carneirinhos.
Viva o Internacionalismo popular!
(Se ao menos pedissem pão por Deus, estas criaturinhas desnaturadas...)

6 comentários:

  1. A moeda é muito bonita. Vou estar atenta a ver se apanho alguma por aqui.
    Bem observada a falta de cuidado com a divulgação das nossas reais tradições como o Pão por Deus. Nunca consegui interiorizar a Festa do Halloween. É-me tão estranha...
    Bom dia!

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    1. É bonita, sim senhor.
      Há um lado provinciano em quase todos os portugueses, que os leva a achar que o que é estrangeiro é sempre melhor do que o nacional...não há nada a fazer..:-(
      Uma boa semana!

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  2. Será também a globalização cultural que banaliza as
    "comemorações" disto e daquilo. Mas acima de tudo o
    que me parece existir é uma falta de gosto, o culto
    do feio e chocante. E os rebanhos de carneirinhos
    tendem sempre a aumentar.
    Boa tarde.

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    1. Depois é uma globalização sem antídotos e ninguém quer terçar armas pela tradição - parece mal.
      O feio, realmente, parece ter vencido, mas ganhou porque o sentido crítico não se exerce ou não existe.
      E a Escola é uma festa!, quem é que vai querer contrariar isto?!
      O horizonte não é muito animador.
      Uma boa noite.

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  3. Pão por Deus é hoje.
    Ontem foram as bruxitas importadas. Lá apareceram uns feiticeiros e umas bruxas num restaurante onde fui jantar. 'Enfinzes'!

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    1. Pois é... a pele dos outros cai-nos sempre mal.

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