terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pequena história (43)


Eu creio que as mulheres, de uma forma geral, são mais discretas sobre os casos e o seu passado amoroso; e os homens, mais gabarolas...
Ao ler A América dia a dia, de Simone de Beauvoir (1908-1986), fui verificando que as alusões directas a Nelson Algren (1909-1981) são mínimas e muito pouco explícitas. O escritor norte-americano, posteriormente ao caso que os reuniu, deu com a língua nos dentes, de forma algo desabrida e até desagradável. O amor, quando corre mal, transforma-se, por vezes, em ódio ou desencanto grosseiro.
Foi a irmã, Hélène (1910-2001), que deu a notícia, a Simone de Beauvoir, da morte de Algren. A escritora francesa não terá reagido, nem manifestou emoção alguma, aparentemente, na altura. Mas, ao que dizem, quando foi a sepultar levava ainda no dedo o anel que Nelson Algren lhe tinha oferecido, em 1949.

13 comentários:

  1. E tendo em conta o anel, palavras para quê? :-) Ai, o poder dos símbolos...dizem tudo...:-))
    Boa noite!

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    1. É verdade..:-) Simbolicamente, está tudo dito.
      (por cá o calor voltou, com temperaturas a rondar os 30º...)
      Noite tranquila para si, Sandra!

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  2. Andei por aqui a ver os posts da última semana e a actualizar-me:)

    Boa noite e continuação de boa semana:)

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    1. Pois seja bem retornada..:-)
      Retribuo os seus votos!

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  3. acho que as mulheres guardam a esperança de viver o sonho até mais tarde.

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    1. Talvez. O ritmo das sensibilidades também difere, muitas vezes.

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  4. Descrição não me parece que fosse uma característica de Simone de Beauvoir, que em mais de uma das suas obras, ficcionadas ou não, estampou a sua vida. E ela publicou Lettres à Nelson Algren, que eu li. Ele nunca deixou que as suas cartas fossem publicadas. Teremos de esperar por 2052 paras ler. Já não é para nós. A não ser que a lei dos direitos de autor mude. :)
    Pelas cartas, que já li há muitos anos, romperam porque Algren não queria mais viver naquele triângulo - triângulos que eram muito do gosto de Beauvoir e Sartre.

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    1. Agradeço as precisões que veio trazer a este poste.
      Desconhecia que Simone tinha publicado as cartas que escrevera a Algren... Sabia que "Les Mandarins" é bastante autobiográfico e que terá sido dedicado ao escritor norte-americano, mas nunca li o livro.
      Mas isto dos desencontros amorosos provoca vinagre, quase sempre, de ambos os lados..:-)
      Bom dia!

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  6. 'O ritmo das sensibilidades também difere' - bela expressão que tantas vezes se aplica na vida e nos seus desencontros.

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  7. Gostei muito da pequena história, e são estes detalhes que muitas vezes permitem ir um bocadinho mais longe na procura da verdade, claro que é necessário cuidado com interpretações exageradas, é inegável o simbolismo do anel, eu acrescentaria que, todos nós temos objectos que mantemos, justamente porque nos reconduzem a um passado, a um momento em que fomos muito felizes.
    P.S Penso que MR queria dizer discrição, se for o caso podem corrigir, de qualquer maneira em qualquer dos casos peço que apaguem este post scriptum que utilizo apenas por impossibilidade de chamar a atenção mais discretamente.

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    1. Embora ficção, a leitura de "Les Mandarins" (que eu nunca li) poderá ajudar a entender o tipo de relação estabelecida porque, no romance, lá aparecem, sob outros nomes, Sartre, Camus, Algren e Simone...

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