domingo, 18 de setembro de 2016

Filatelia CXV


O Bloco (filatélico), propriamente dito, aparece, pela primeira vez em 1923, emitido pelos correios do Luxemburgo. Destinava-se principalmente aos filatelistas, muito embora os selos pudessem ser destacados da folha ou no conjunto, que aliás em língua inglesa se denomina Miniature Sheet, e virem a ser usados como franquia postal em correspondência ou para envio de encomendas.
Os CTT emitem o primeiro Bloco português, em 1940, muito embora venha nele inscrita a data de 1939. Destinava-se a celebrar a Legião Portuguesa. Teve uma tiragem de apenas 10.000 exemplares e, sendo raro, tem hoje o valor mais alto dos blocos portugueses: 1.200,00 euros ( Catálogo Mundifil, 2016), novo e com goma inteira, no verso.


Os Estados Unidos da América emitiram o seu primeiro Bloco em 1926, para comemorar a Exposição Filatélica Internacional de Nova Iorque. O Bloco em imagem, de 1947, que se mostra, é o oitavo na sequência cronológica, porque as emissões desta temática eram parcimoniosas e usadas apenas para difundir acontecimentos importantes ou datas históricas de relevo. Em cerca de 20 anos foram emitidos somente 8 Blocos pelos correios norte-americanos.



O Reino Unido, que sempre foi conservador na sua política de Correios, até tempos recentes - exemplo seguido por Portugal até 1976 -, emitiu o seu primeiro Bloco apenas em 1980, como se mostra. A partir dos anos 90, do século passado, políticas comerciais desenfreadas e oportunistas dos correios mundiais fizeram da emissão de Blocos não um acontecimento de celebração e excepção, mas um motivo de regra mercantil e lucro fácil, graças à conivência de muitos cegos e generosos, para não dizer perdulários, filatelistas. Assim se foram banalizando os Blocos...

8 comentários:

  1. Gostei de ler.
    Ultimamente comprei uns blocos filatélicos da calçada portuguesa para colocar em correspondência mais pesada. Gosto mais de enviar cartas com selos do que com uma tarja de correio eletrónico (não sei se é assim se diz).
    Bom dia!

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    1. Chamam-lhes "etiquetas", mas é um eufemismo...
      Ao preferir os selos está a proceder como um autêntico filatelista. E faz muito bem, os envelopes ou encomendas ficam muito mais bonitos e são, quase sempre, portadores de mensagem cultural ou histórica, o que é importante, sobretudo se for para a o estrangeiro.
      Bom dia!

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  2. Os selos decerto irão desaparecer daqui a pouco
    tempo. Os jovens já nem devem saber o que é um selo.
    A correspondência vai ser electrónica e dos selos
    vão ficar as coleções de quem teve a paciência, de
    ao longo de muitos anos os guardar. Sinais dos tempos!

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    1. Desta vez não estou de acordo consigo, Maria Franco. Porque a emissão de selos, para filatelistas principalmente, é um óptimo negócio para os Correios. Veja só este pequeno exemplo português: no ano de 1955, os CTT emitiram 3 séries, com um total de 13 selos, e nenhum Bloco; em 1981 (e já havia as malfadadas "etiquetas"), os Correios portugueses produziram 21 séries, num total de 51 selos + 8 blocos!... Como vê, é soma e segue.
      Uma boa noite!

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  3. Por vezes a falta de alguma informação, faz com que tenhamos
    ideias erradas sobre os assuntos. De qualquer maneira, se para
    os Correios é um bom negócio não irão acabar os selos. Mas estarei
    errada, se pensar que irá continuar apenas, como selos para coleção,
    e não para colar nas cartas?.Obrigada pelo contraditório. Podemos sempre aprender qualquer coisa.
    Boa noite.

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    1. Estou de acordo que a correspondência pessoal diminuiu substancialmente, não sei é se terá sido compensada pelo aumento da correspondência de empresas, facturas, publicidade, etc...Talvez não. Só os Correios saberão responder. A lentidão dos antigos CTT, que eram considerados dos mais eficientes do mundo, hoje em dia é enorme, o que revela um produtividade paupérrima, a menos que o volume da correspondência nacional tenha aumentado muito. Duvido, no entanto.
      Bom resto de semana.

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