segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Em volta de um terceto de António de Almeida Mattos (1944-2000)



O pequeno poema vem na página 27 de Conjuntivo Presente ( Afontamento, Porto, 1991) e reza assim:

Colhe nos céus este sabor bizarro,
tão único. Apenas um deus sabe. E diz:
pertence a deuses só de ser tão raro. 


Todos os poetas guardam segredos, como qualquer ser humano, naturalmente. Ao revelá-los, em relação à sua poesia, os vates porém podem correr o risco de destruir a magia dos poemas, cuja origem reside muitas vezes em razões menores ou muito simples, que escapam ao comum dos leitores.
O meu amigo António era, como eu, grande apreciador de caça, especialmente de perdizes. E confessou-me um dia que este breve poema, citado acima, lhe fora inspirado por uma saborosa perdiz que tinha comido. Aqui fica desfeito um pequeno segredo. E que o António me perdoe, lá onde estiver, por o ter revelado...

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