terça-feira, 19 de junho de 2018

Da leitura (25)


E porque está na ordem dos dias presentes, ocupando, monoliticamente, quase todo o espaço de notícia, talvez para desviar os pobrezinhos das questões essenciais,  ou mais importantes, valerá a pena lembrar estas palavras certeiras, escritas por R. M. Rosado Fernandes (1934-2018), no já longínquo ano de 2006.
Aqui vão elas:

Ficou por aí o meu conhecimento mais íntimo do futebol, que sempre preferi praticar do que discutir no barbeiro ou no café, como muitos faziam e fazem, por forma a sublimarem a preguiça física em que os portugueses são peritos, além de aproveitarem para desfazer nos dirigentes burocráticos do futebol, gente em geral detestável, sobre a qual aguçam a má língua, embora por zelo clubístico cheguem a apoiar os mais corruptos, desde que tragam dinheiro para o clube. Era e é, de facto, um mundo em que só homens se alinhavam diante de homens, o que aumentava a influência das mulheres mais poderosas das famílias. Hoje é isto substancialmente diferente, porque as mulheres partilham activamente a paixão desportiva e fanaticamente clubista.

R. M. Rosado Fernandes, in Memórias de um rústico erudito (pg. 63).

2 comentários:

  1. Se tivesse sido escrito hoje faria todo o sentido.
    Ao longo do tempo muitas coisas se vão repetindo.
    Algumas lamentavelmente. Creio que o livro que refere,
    deve ser de interessante leitura.

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    Respostas
    1. É um livro de leitura "movimentada", e bem escrito como seria de esperar. E R. F., embora controverso, era um homem frontal.
      O panorama que ele traça do meio docente universitário é um autêntico "ninho de lacraus"...
      Boa tarde.

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