quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A justiça do tempo ou de algum deus desconhecido


Era daquelas feiras sazonais, inesperadas, que abrem em qualquer canto ou recanto das estações do Metro ou da CP. Com fundos que não foram guilhotinados, pelas editoras, mas, provavelmente, foram vendidos a peso para despachar ou libertar espaço, nos armazéns.
E, a mim, apetecia-me qualquer coisa fresca para ler, e compensar este dia já quente de Verão. Pus-me a ver: muitos Eduardo Pitta, Miguéis, Rui Ramos, Peixoto, Pulido Valente...tudo a euro e meio. E, depois, O'Neill, que eu já tinha (Coração Acordeão), mais este maganão do Luiz Pacheco, mas ambos a 5 euros.
Por isso, saíu-me mais caro o refresco... 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Reflectindo (também sobre poesia)


Depois deste cometa rapace (de apelido Jorge, nome que até me é querido, linguisticamente falando), que durou, ao leme, apenas trinta dias, pergunto-me se o barco não estará a ser governado por uma quadrilha de piratas...
Entre um livrinho sobre os quadros de Dufy, inspirados pela Música, uma Velha Guarda (aguardente vínica velha) e o "Últimos Versos", de Pascoaes (1877-1952) - que me pousa, ao lado, na mesa - começo a entrar nesta minha noite, amena de Verão, com uma aragem simpática e fresca, que me vem do Tejo, ao longe, por acréscimo e companhia grata.
Destes versos finais de Teixeira de Pascoaes, falou Eugénio de Andrade com fiel amizade e alguma contenção verbal. O livro é já póstumo: saíu em Fevereiro de 53. E volto a admirar o último livro de Herberto Helder, que continuo a ler, e me continua a surpreender, num poeta que já completou os 82 anos.
Felizes os poetas que morreram moços. Nobre, Cesário Verde, Keats, nunca perderam a voz. 

Uma simples gravura


Sendo Haydn, como é, um dos meus compositores preferidos, quando vi esta gravura do início do séc. XIX, à venda, não lhe soube resistir, até porque não era cara. Foi executada (1817) oito anos depois da morte do compositor, provavelmente, com base num quadro (de C. Roesler?) e gravada por J. Hillemacher.

Haydn / Brendel

Citações CXLVI


"Um bom livreiro é uma personalidade múltipla, que contém todos os extremos da sensibilidade humana. Ele é um ermita ascético, um erótico imoralista, um Papista, um Quaker, ele é um comunista, um anarquista, um selvagem iconoclasta, ele é um apaixonado adorador de ídolos."

John Cowper Powys (1872-1963).

Idiotismos 22


Anteontem, MR, em comentário ao poste "Arte e especulação", referiu a expressão tuta e meia e, logo a seguir, perguntava-se: "De onde virá esta expressão?" Ora, eu também não sabia, e pus-me a caminho... Comecei por procurar no "Tutaméia", de Guimarães Rosa, a ver se o grande escritor brasileiro a explicava. Realmente, a páginas 166, ele dá o seu significado pessoal, assim: "nonada, baga, ninha, inânias, ossos-de-borboleta, quiquiriqui, mexinflório, chorumela, nica, quase-nada." Ora, isso eu sabia, embora resumidamente. Mas cadê a origem?
Pois fui encontrá-la no Dicionário de Houaiss: "uma macuta e meia, por assimilação, macuta deu matuta; por hiplologia, uma macuta reduziu-se a uma tuta;..." Resta acrescentar que "macuta" era uma moeda africana, de cobre, com pouco valor.
Quod erat demonstrandum...

para MR.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Umas quase greguerías, de João Guimarães Rosa


A mesma prodigiosa imaginação, sentido de humor, domínio de palavras, inteligência que assistia a Ramón Gómez de la Serna, na criação das suas greguerías, podemos encontrá-los nos postulados do final do primeiro prefácio de "Tutaméia" (1967), de João Guimarães Rosa (1908-1967). Dos vários, escolhi 5:

- Os dedos são anéis ausentes?
- O ar é o que não se vê, fora e dentro das pessoas.
- Entre Abel e Caim, pulou-se um irmão começado por B.
- Há uma rubra ou azul impossibilidade no roxo.
- Se viemos do nada, é claro que vamos para o tudo.

Bruce Springsteen, outra vez

Para agitar o Verão. E porque estava prometido a Maria A..

Traduzir


O tema não interessará a muita gente, mas para mim é importante, porque aborda o problema da tradução em poesia.
Um livro de poemas de Octavio Paz (1914-1998), traduzido para inglês por Eliot Weinberger (1949), teve, no TLS de 12 de Julho, uma recensão crítica desfavorável por parte de Dominic Moran. Nessa crítica, eram postas em causa algumas opções de Weinberger, no seu trabalho de tradutor. No penúltimo TLS (nº 5756), aparece uma carta ao director (em imagem), em que E. W. diz das suas razões. Passo a traduzir a parte mais significativa:
"...O vosso indignado correspondente Dominic Moran (Julho 12), por exemplo, pensa que eu não sei a diferença entre "coxa" e "perna". Eu sei, mas estava a traduzir um longo poema de Octavio Paz, não estava a escrever um dicionário  bilingue, e as palavras que escolhi tinham o objectivo de servir uma estrutura específica de som e ideias e imagens. O seu sucesso ou falhanço como tradução não se baseia em palavras isoladas tiradas do contexto, mas numa rede de conexões entre todas as palavras.
Além disso, o vosso correspondente aparentemente crê que o artigo definido e o indefinido têm o mesmo peso no Espanhol como no Inglês: se eles aparecem ou não aparecem no Espanhol, deveriam aparecer ou não aparecer na tradução Inglesa. Na verdade, este é um dos problemas mais difíceis ao traduzir poesia Espanhola. Pelo menos metade do meu tempo é gasto a tirá-los, a voltar a pô-los, e a voltar a retirá-los. (...) As palavras mais pequenas são as mais difíceis. Qualquer pessoa consegue traduzir substantivos, sejam eles coxa ou perna."

Quotidianos inconsequentes


Ao que parece, filmado a norte (Porto?). Embora não se note pelo sotaque...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Férias 2 - Passeios de bicicleta


Depois das falhadas férias em “magotes aleatórios e forçados”, foi necessário repensar, consensualmente, outras formas de passear nas férias grandes, para além de esporádicas idas a piscinas, quando o tempo o permitia, o que, no centro da Europa, nem sempre era “favas contadas”.
O facto de ter recebido, como presente da minha madrinha, uma bicicleta, representou um ganho de autonomia na mobilidade, permitindo, sobretudo, acompanhar as minhas irmãs mais velhas nas suas “viagens” – a duas rodas – pelas terras mais próximas.
Convém, a esse propósito, recordar determinadas opções acertadas, no ensino básico – na altura até ao 8º ano de escolaridade – que partiam, no conhecimento geográfico e histórico, da unidade mais próxima ao universal. Assim, o aluno iniciava-se na Geografia e História da sua cidade, passando para o Estado Federado e o país, deixando o aprofundamento das noções rudimentares sobre a Europa e o Mundo para ciclos de ensino posteriores. Da Geografia lembro-me dos enormes mapas enrolados, das imagens de terrenos acidentados que entravam pelos olhos adentro e que o professor enchia com a história dos seus habitantes. Assim, quando chegavam a férias, era altura de satisfazer a curiosidade com a experiência viva, ou seja, conhecer o que nos tinham contado.
Assim, e na companhia de pessoas mais velhas e familiares, não tardou a autorização paterna para saídas nunca superiores a uma semana, pernoitando em Pousadas de Juventude, para conhecer a região num raio alcançável pelo pedalar da bicicleta.
Com o avançar da idade e a passagem para o liceu alargaram-se os horizontes, geográficos e culturais. Foi assim que fiquei com uma recordação permanente de uma viagem, de bicicleta, partindo de Colónia, descendo o Reno e o Mosela, para conhecer o país vizinho, Luxemburgo. Apesar de me lembrar da capital Luxemburgo, ficaram, sobretudo, imagens de pequenas localidades. Gostei, sobretudo, de Clervaux, no norte, já no regresso.
                        

Não me esqueci, contudo, do esforço físico de pedalar em terrenos acidentados. São viagens que se fazem, ou na altura própria de juventude, ou já não se repetem.                     

O que me ficou, como memória impagável, é que o lento passar da bicicleta pelos lugares permitiu uma percepção singular que nenhum outro meio de transporte reserva ao visitante de um país. 

Post de HMJ

Três biciclistas, um deles famoso


Poste em louvor da bicicleta e para lembrar as Voltas que decorrem por esta altura: a Portugal e à França.

Regionalismos transmontanos (2)


Acabados que foram os regionalismos minhotos, seleccionados da obra de M. Boaventura referida anteriormente, dá-se hoje sequência, duplamente (o primeiro poste sobre transmontanismos é de 1 de Março de 2011), aos regionalismos de Trás-os-Montes, escolhidos do livro "Dicionário de Trasmontanismos" (2005), de Adamir Dias e Manuela Tender.
As palavras passam, contagiam, evoluem e avançam, não se compadecendo com as fronteiras geográficas que os homens, administrativamente, traçam a régua e esquadro, sobre os mapas - nem tudo é coincidente. Por isso, é muito provável que alguns destes regionalismos transmontanos se possam, também, encontrar no Minho, como desta antiga província também alguns termos típicos tivessem passado para além do Marão.
Seguem-se, então, regionalismos transmontanos iniciados pela letra A:

1. À doca - à sorte.
2. Abantar - andar ou trabalhar depressa.
3. Abascado - burro, pateta, apalermado.
4. Abentão - a parte húmida do focinho do boi.
5. Abundar - trazer.
6. Acebar - açular, instigar.

Arte e especulação


A tela "Le Rêve", de Picasso, pintada em 1932, retratando Marie-Thérese Walter, é por excesso e desmesura o melhor exemplo da especulação criada em volta de uma obra de arte. A pintura, com sugestões ligeiramente eróticas, teve, em menos de 70 anos, cinco possuidores, cada um deles obtendo, em venda, um lucro astronómico e substancial. Senão vejamos a evolução vertiginosa do seu preço:
- 1941: 7.000 dólares.
- 1997: 44,4 milhões de dólares (vendido num leilão da Christie's).
- 2001: 60 milhões de dólares.
- 2006: 155 milhões de dólares.
Tirando a venda de 1997, todas as transações restantes foram ajustadas entre particulares.

domingo, 4 de agosto de 2013

A par e passo 52


O generoso, o «nobre», o heróico, repousam sempre sob uma obscuridade, e até mesmo uma casa nobre é aquela que se perde nas origens, convive com a lenda, descende autenticamente de grandes seres que não existiram. Não se vêem claramente os ascendentes.
Tudo o que é belo, generoso, heróico, é obscuro na sua essência, incompreensível. Tudo aquilo que é grande deve ser incomensurável.
E isto entra na definição própria dos seus efeitos.
Se o herói fosse límpido, e à sua maneira, não o seria. Quem jura fidelidade à clareza, renuncia assim a ser herói.

Paul Valéry, in Tel Quel II (pg. 267).

Divagações 52


Nem a mancha (tempo? água?) na imagem ou fotografia lhe fez perder a juventude intacta. Uma franqueza sem defesa nem receio, uma perene ingenuidade natural que a atravessou por anos e anos...
A notícia veio-me de longe, inesperada, mas por voz fraterna e serena. Apagou-se uma memória que ultrapassava a minha e poderia, assim, elucidar-me sobre algumas dúvidas e mistérios. Que ficarão insolúveis.
Se falamos dos outros, ao telefone, foi apenas para melhor a situarmos, em tudo aquilo que foi. De simples, de bondade invencível, de confiança exacta em quase tudo aquilo que viveu.

Max Bruch / Pablo Casals : "Kol Nidrei"


sábado, 3 de agosto de 2013

Mercearias Finas 76


É um risco que já corri várias vezes, pelo meu apreço a vinhos velhos, mas que, na maior parte dos casos, compensou. Diz-se que "a sorte protege os audazes" e, apesar de eu ser cauteloso por natureza, na compra de vinhos antigos, normalmente, arrisco, por não conseguir resistir à tentação que me assalta...
Numa loja improvável, pelo seu ramo específico, comprei, há cerca de um mês, dois vinhos tintos trintões. O mais idoso (Garrafeira 1980), de produção limitada (garrafa nº 63.172), da Vinícola do Cartaxo, Lda.; o menos antigo (Reserva 1983), da Sogrape, fora lotado com castas de uvas da região do Dão: Touriga Nacional, Tinta Pinheira, Tinta Carvalha, Alvarelhão e Jaen.
Quem mos vendeu, cordialmente me disse: "É um tiro no escuro... Levo-lhe 5 euros por garrafa." - e eu aceitei o repto. A única bússola de segurança, que me norteou, era a altura do vinho nas garrafas. Na do Cartaxo, o líquido estava muito ligeiramente acima, no gargalo, e no da Sogrape, muito pouco abaixo, ainda antes da curva da garrafa. Pela tabela da Christie's (ver imagem) para os vinhos de Bordéus, havia uma certa margem de segurança.
Abri, hoje ao almoço, a Garrafeira do Cartaxo, com 12,2º, para acompanhar um bom bife de alcatra, com batata frita e feijão verde (refogado em cebola, temperado com segurelha). Deixei a garrafa aberta, duas horas, para o vinho respirar e nem foi preciso decantá-lo. De cor rubi pálido, parecia um clarete quase transparente. Tinha um aroma suave e requintado ao tempo (Touriga? Castelão? Aragonês?), muito tranquilo na boca, sem nenhuma aspereza. Excelente, em suma, para um tinto velho de 33 anos.
O da Sogrape fica para outra vez...

Henri Matisse e a geometria na pintura


"...Eu não dou a indicação de uma curva, por exemplo de um ramo de árvore na paisagem, sem ter consciência da sua relação com a vertical. As minhas curvas não são loucas. ..."

Henri Matisse (1869-1954).

De "Servidões", de Herberto Helder


Nota: a última obra de H. H. esgotou-se ainda durante a Feira do Livro, também, porque houve quem comprasse 5 ou 6 exemplares. Soube, há dias, que alguns "livreiros" a vendem agora por 120 euros!
Para quem lhe não chegou, aqui fica mais um dos poemas de Herberto Helder.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Interlúdio 34

Perdoe-se a publicidade, em nome da criatividade deste anúncio bem interessante.

com agradecimentos a C. S..

Marcadores (7)


Oferta das Edições Cosmos e datados de 1998/9, estes marcadores destinavam-se a publicitar ensaios sobre as obras dos escritores portugueses Almeida Garrett, Cesário Verde e José Cardoso Pires.

para MR, pioneira desta temática, no Prosimetron.

Revivalismo Ligeiro LXV : Cat Stevens

Roy Lichtenstein


Penso que está enraizada a ideia, pelo menos para mim, em quem vê ou aprecia uma obra de arte, que a sua execução terá de ter, atrás de si, tempo e trabalho - que a justifique.
Uns traços breves, cópias trabalhadas ou retocadas, colagens, à partida, encontram resistências, demoram a ser aceites, quando não são rejeitadas, liminarmente, pelo meu espírito. Ou sentido crítico.
No entanto, quando em 1973, e ao vivo, vi na Tate algumas obras do pintor norte-americano Roy Lichtenstein (1923-1997), pela primeira vez, confesso que fiquei agradavelmente surpreendido.
O penúltimo "Obs." (nº 2542) dá conta, em artigo (ver imagem), da exposição, que tem sido itinerante (Chicago, Londres, Washington), de R. Lichtenstein, no Centro Pompidou. E, por interessante, não posso deixar de traduzir o princípio da crónica de Bernard Géniès. Aqui vai:
"Logo no início dos anos 60, um jovem artista americano tendo acabado de comprar um desenho de Jasper Johns na galeria nova-iorquina de Leo Castelli fica pasmado perante as telas de um desconhecido: Mas eu faço coisas como estas, por influência da publicidade! Não quer vir ver o meu trabalho? É muito diferente mas tem a mesma inspiração! O jovem (tem 32 anos) chma-se Andy Warhol. E a tela que chamou a sua atenção está assinada por Roy Lichtenstein. ..."
Devo acrescentar que prefiro, de longe, as obras de Lichtenstein aos trabalhos de Warhol.

Férias 1





O tema, propício ao início do mês de Agosto, tem surgido nos jornais e também nos “blogues”, designadamente com recordações de férias passadas em contextos sociais distintos, épocas históricas diferentes e, até, espaços geográficos mais alargados.
A leitura dos vários textos, portugueses e alemães, sobre as férias passadas na década de 50 ou 60 do século passado, por crianças e jovens, permitiu avivar algumas recordações, nem sempre positivas, e, sobretudo, concluir que a “indústria do turismo” globalizou e uniformizou os gostos e as experiências, como é próprio deste mal sistémico que vivemos.
Por um lado, há um mês de Agosto passado numa Póvoa de Varzim, ou uma Figueira, em espaços e com vivências que já não existem como as pessoas os recordam. Na Alemanha, em finais dos anos 50 do século passado, a época de férias não correspondia a uma saída do local de residência habitual. A construção do chamado “milagre alemão” concentrava-se na reconstrução das casas destruídas pela guerra. Surgiu, então, na altura a ideia de arranjar um divertimento para as crianças e jovens, como eu, enviando-os para umas férias perto de casa – as “Colónias de Férias” portuguesas chamavam-se, em alemão – “Stadtranderholung” [i.e., umas férias nas cercanias da cidade onde se vivia]. Assim fui eu, provavelmente numa camioneta como a que se reproduz na imagem, para uma convivência cheia de actividade e lazer, afastada do meu espaço, das minhas referências e dos meus afectos.
Não duvido da generosidade dos meus pais, nem dos “assistentes sociais”, ao tentarem proporcionar-me umas férias diferentes e divertidas, uma vez que os seus afazeres não permitiam passear comigo.
Lembro-me, vagamente, de actividades como as que a foto seguinte recupera, refeições em mesas enormes e com pessoas que não me diziam nada, para além de dormir em tendas, ou seja, aguentar horas sem fim num espaço inóspito para mim.



Numa dessas actividades, lembro-me de correr, num terreno íngreme, no meio dum bosque. Não consegui travar e bati numa árvore. Acordei em cima duma maca e com um alívio profundo. Era necessário devolverem-me à procedência. Que felicidade !

Portanto, de umas primeiras férias “de convivência e socialização”, recolhi uma certeza para o resto da minha vida. A “socialização forçada”, que há algum tempo a esta parte até consta da avaliação escolar, pode ser um presente envenenado. O respeito pela autonomia individual, que não se confunde com a responsabilidade social e cívica, é um bem escasso, como a defesa do nosso espaço, do nosso tempo e dos nossos gostos.

Post de HMJ

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Hemingway, adolescente


Este pequeno bilhete de um Ernest Hemingway (1899-1961) adolescente, tem cem anos.
As mães guardam tudo, quase sempre, quase todas, daquilo que aos seus filhos se refere.
O pequeno manuscrito, conservado pela mãe (Grace) do escritor americano, é uma espécie de admissão de culpa e, também, um compromisso de se vir a portar melhor, no futuro. Foi escrito pouco antes de Hemingway completar 14 anos.

Dvorak / Richter

Retro (33)


Vários títulos possíveis:
1. Quando o sénior era júnior...
2. Forças vivas da Nação...
3. Bandeiras e bandeirinhas...
4. Só chapéus, há dois...
Sabem quem era este homem que vai à frente, acenando para o povo?
(Uma pequena pista: nasceu perto de Macedo de Cavaleiros.)

Agradecimentos muito cordiais a A. de A. M..

Lembrete 9 (com algumas divagações despropositadas)


Em Agosto, é recorrente: lembro-me sempre de férias passadas. Normalmente, à beira-mar. E da procissão de Nossa Senhora da Assunção (15 de Agosto), a que se seguia um foguetório intensíssimo, que durava, no mínimo, 20 minutos. Os foguetes eram lançados de vários barcos engalanados, do mar da Póvoa de Varzim, nesta data festiva. Paga de milagres de salvamentos, em perigos de mar. Mas o que nunca esqueci e, na altura, adorava ver e ouvir, era um mesário da confraria que, ladeando o andor da Virgem, e com a sua bolsa de veludo para as esmolas, lançava um pregão velocíssimo e tonitroante: "Quem se lembra, com a sua esmola misericordiosa, para Nossa Senhora da Assunção?!"
E, hoje, dei-me a pensar em: quem se lembrará de António Maria Lisboa? Que nasceu, precisamente, a 1 de Agosto de 1928, e foi uma espécie de D. Sebastião, para os surrealistas portugueses. Obra curta, como lhe foi a vida (morreu a 11 de Novembro de 1953), poemas e prosa um pouco crípticos, mas interessantes. Ergueram-lhe altares, hoje desfeitos - creio. Por isso, aqui o decidi lembrar, agora, através duma obrinha pouco frequente (ver imagem), que foi editada, postumamente, por Mário Cesariny de Vasconcelos, em 1958. O meu exemplar terá sido oferecido, pelo editor, a Artur Portela Filho. Daí a dedicatória manuscrita.

Adagiário CXLVI : Agosto (4)


1. Dia de S. Bartolomeu (24), anda o diabo à solta.
2. Agosto tem a culpa e Setembro leva a fruta.
3. Lá vem Agosto, com seus santos ao pescoço.
4. Agosto e vindima não vem cada dia mas sim cada ano, uns com ganância outros com dano.