A relação de alguns músicos com o instrumento musical que praticam é, muitas vezes, quase doentia. Jacqueline du Pré (1945-1987) tratava o seu violoncelo por Ele, como se de um ser humano se tratasse; Ginette Neveu (1919-1949) foi encontrada, morta, abraçada ao seu violino, depois do acidente de aviação (Ilha de S. Miguel, nos Açores) que a vitimou.
No que diz respeito a violinos, o grande sonho dos seus executantes é tocar e vir a possuir um Stradivarius, marca homónima do grande e célebre fabricante desses instrumentos musicais, no século XVII. Esses violinos são, no entanto, muitos raros e caros. Jascha Heifetz (1901-1987) e Yehudi Menuhin (1919-1999), cada um, teve o seu, que muito estimavam.
A violinista sul-coreana Min-Jin Kym (1978), menina prodígio galardoada com o Prémio Heifetz, comprou, em 2000, um Stradivarius, por 1.200.000 libras inglesas. Infelizmente, em 2010, quando se encontrava a almoçar com o seu namorado, num restaurante de fast food, perto da estação de Euston (Londres), o estojo com o violino foi-lhe roubado. Seguiu-se para a Violinista um período de depressão e bulimia, que ela veio a contar em Gone, livro que publicou recentemente. Entretanto, com o prémio do seguro, Min-Jin comprou um Amati, também de um fabricante reputado, mas que nunca substituiu verdadeiramente, para ela, o seu amado Stradivarius.
Em 2013, contra todas as expectativas, esse violino roubado foi recuperado pela polícia. Gasto o prémio do seguro, desafortunadamente, Min-Jin Kyn já não o pode recuperar, no leilão em que o Stradivarius veio a ser posto em praça...