São quase 20h00 e há mais um paquete-jumbo que entra, pelo Tejo, engalanado.
Por vezes, somos tão tolerantes, indiscriminadamente, para com a chamada arte moderna actual, como nos habituaram a ser com a prática democrática em relação a comportamentos que, no íntimo, quase consideramos aberrantes ou desumanos. Os tribunais da Inquisição ou de Nuremberga foram criados, sobretudo, para julgarem europeus, e não se aplicam a jihadistas de califados primitivos. Democracia, sim, mas devagar.
Veneza começou a recusar mais turistas ou, pelo menos, que os paquetes gigantescos globais atracassem nas redondezas, porque lhes minavam ainda mais os seus já deteriorados alicerces submarinos. Os ambientalistas começam a impugnar, um pouco por todo o lado, o CO2 produzido por estes monstros, nos oceanos e nos portos. E até os berlinenses começam a olhar de esguelha estes magotes sucessivos de turistas que lhes invadem a cidade, perturbando a sua vida tranquila do dia a dia.
Na semana passada, no eléctrico 28, um alfacinha de gema encrespava, em legítimo vernáculo, os fotógrafos pasmados e frenéticos, estrangeiros, que coalhavam todo o espaço do seu meio de transporte público diário, para o trabalho. E, quanto a lugar sentado, nem sonhar. Mochilas, malas, sacos, quase nem permitiam sequer a menor circulação vital e necessária.
Realmente, no 28, entre Março e Outubro, eles são como enxames fervilhantes de estupor...