Falemos de Broa. De milho.
Que era, aqui há uns 60 anos e no Minho, o contrapeso, nas padarias, para o acerto de trocos em tostões do montante pago pelos bijous e bicas. E, muitas vezes, única refeição de pobres, com magro concurso e conduto de uma sardinha, ou singela malga de caldo. Eram broas enormes essas de antanho, esbranquiçadas de miolo, gretadas na crosta pelo calor do fogo de fornos rústicos e artesanais. A côdea era rija, quase tinha que se rilhar. Outras vezes, esfarelava-se na sopa, para melhor a amolecer. Era, porém, imprescindível para acompanhar o Caldo Verde, com a sua tora e a rodela de chouriço, mais o fiozinho de azeite canónico.
Ainda a vi cozer em casa do meu Tio, no forno ao fundo do quintal, na antiga rua dos Palheiros vimaranenses (hoje, renomeada e militarizada para Humberto Delgado), e em Urgezes, já fora de portas, pela dona Irene, que era a especialista da família Coelho. E lhe punha folhas de vide, por baixo, para que não crestasse muito no lar.
Ainda hoje considero a broa como o acompanhante ideal para um cozido de bacalhau, com todos, ou para umas sardinhas assadas, rechinantes, a pingar. Só que, a Sul, broa de milho minhota, não há. Encontra-se a de Avintes, mais pesada e doce, a Beirã, mais seca e menos saborosa. Por isso, terei de levar uma da Lourinhã, que é parecida com a minhota, mas mais maneirinha e amarelada de miolo, para uma sardinhada com amigos, que vai haver a meio da semana, ali para os lados do Areeiro.
E que nos venha a fazer proveito e sirva para matar saudades!...
