quinta-feira, 9 de março de 2017

Do que fui lendo por aí... (7)


Foram ontem pateadas no primeiro baile de máscaras no salão da Trindade as cancanistas francesas. Não sabem dançar e doiram esta respeitável ignorância com uma fealdade que lhes guarda a virtude com a hostilidade da ponta de um sabre posto à cara de quem olha para elas.

Ramalho Ortigão, in Correio de Hoje, tomo I (pg. 70).

8 comentários:

  1. Bem escrito. A ser verdade, que decepção a dos senhores doutores fulanos de tal que aprestavam o olho às dançarinas. Ou, por ser baile de Carnaval, as dançarinas eram do género masculino. Agradam-me ambas.

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    1. É, realmente, uma escrita musculada.
      Tudo vai de modas: Eça, falava das espanholas, mas há muitas referências também a cantoras italianas, na nossa literatura...

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  2. Ou seria o reacionarismo de Ramalho? Não era muito dado à novidade. E as dançarinas eram francesas mas aos olhos do autor deveriam ser uma espécie das 'espanholas' de então.
    O cancan, dança de cabaré, deve ter deixado Lisboa de queixo caído e olhos arregalados. :)
    Bom dia!

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    1. É possível...
      Mas, isto para quem não tinha dinheiro para ir a Paris, terá sido um razoável prémio de consolação.
      Bom fim-de-semana!

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  3. gosto imenso de Ramalho Ortigão. Bom dia!

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  4. Bom dia!
    Devia ser um sub-produto de can can!!!!! :-) Pelo menos hoje em dia são giras, o Sr. Ramalho Ortigão teve azar!

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    1. Eram pelo menos de exportação...
      Boa semana!

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