As teorias perdem-se no tempo. Provavelmente, a primeira foi entretecida por Eva, para seduzir Adão. A Bíblia, através da maçã, marmoreou a ingenuidade do Homem, para sempre, perante a perversidade pragmática da Mulher. A serpente foi um mero acidente de percurso, simbólico. Adiante...
A Mabília (bem raro, este nome em Portugal), brasileira, almoçou com a Sílvia, portuguesa e ligeiramente mais velha, que foi sua formadora. Como o restaurante estava quase cheio, sentaram-se ao meu lado e falaram do seu trabalho, nas grandes superfícies.
Pelo que ouvi, há duas teorias sobre a exposição, nestas catedrais de consumo:
1. Corredores, topos de gôndolas e prateleiras atafulhadas de produtos, para que o cliente tenha que esbarrar com eles, ou contorná-los, sendo que, por impulso, acabe por comprar alguns, para além daqueles que levava, na lista manuscrita trazida de casa.
2. Amplos e abertos corredores, topos de gôndola elegantes e esteticamente compostos, prateleiras sempre repostas, mas não sobrecarregadas. Assim o cliente passeará tranquilamente, sentir-se-á leve e bem, e talvez lhe apeteça comprar mais uns artigos...
O sr. Teófilo (assim tratado pela Mabília, que não pela Sílvia), chefe das duas jovens, é adepto - percebi eu pela conversa - fanático da primeira das teorias. Mas também entendi que é um sedutor e um pouco promíscuo com as suas subordinadas...
Posso dizer, que tive um almoço instrutivo, ontem, porque aprendi alguma coisa sobre as técnicas das grandes superfícies que, aliás, evito frequentar...