domingo, 15 de março de 2020

Glosa (17)


É tão razoável representar uma espécie de encarceramento por uma outra como representar qualquer coisa que realmente existe por qualquer coisa que não existe.

Daniel Defoe (1660-1731), in A journal of the Plague Year (1722).

Por favor...


... não me mandem mais nada do Alvim, do Markl, do Zink, do Rieu ou do Trump, nem da Ferreira ou da Júlia - os banhistas da cobra mais pimbas. É que já estou entupido de mediocridade até à borda. E já não me bastavam as tolinhas do Corono, a dar conselhos de almanaque...

Lucio Dalla (1943-2012)

sábado, 14 de março de 2020

Curiosidades 79


Vão desculpar-me, mas não vou falar do que toda a gente fala...
Recentemente, e aquando da releitura do romance A Sibila, de Agustina Bessa-Luís (1922-2019), deparei-me com o frequente uso, por parte de uma protagonista, da palavra Cantés! (pgs. 12, 18, 34...), que, de mim conhecida, há muito que já não via utilizada e não me lembrava sequer do seu respectivo significado. Releve-se o facto de que me não recordava de alguma vez a ter ouvido oralmente, em conversa, mas vira o vocábulo em algumas obras neo-realistas, no passado. A palavra, sempre a achara estranha.
Ao tentar saber o seu significado, verifiquei que o Houaiss não a registava, mas o simples Torrinha  (de 1945) indica-a, embora no singular, com a valência (Canté!) de: Quem dera!. O Dicionário Analógico, de Artur Bívar consagra o mesmo significado e também como: certamente!. O Moraes, na sua 3ª edição de 1823, também não o inclui (será o vocábulo moderno?). Entretanto, o Dicionário (1958) de José Pedro Machado refere em significado: Oxalá! Em nenhum deles consta porém a sua origem ou uso inicial...

sexta-feira, 13 de março de 2020

Com pretensões de máxima


O pensamento excessivamente linear e a dificuldade em perceber a ironia tornam este mundo, por vezes, demasiado aborrecido e monótono. E cheio de equívocos, talvez hilariantes. Quando a isto se associa, em cenário paroquial, uma pronunciada caridade cristã, então, é o fim da picada...

Últimas aquisições (22)


Editada pela Empresa do Diário Notícias, entre os anos de 1924 e 1941, a Colecção Patrícia é composta por 52 folhetos, de 14 páginas, que raramente aparecem à venda no seu conjunto integral. Biografias sucintas e abordagens breves de assuntos culturais, mas muito informativos, os textos foram escritos por Albino Forjaz Sampaio (1884-1949),  e os livrinhos têm desenhos de Saavedra Machado e capa de Jorge Barradas. Os temas são diversos: Teatro, Prosadores, Antologias, Poetas...
No alfarrabista, havia um acervo talvez de cerca de 30 números, donde seleccionei 3, que adquiri. Fizeram-me uma atenção (como é costume, aliás) e, por isso, esportulei apenas três euros pelos simpáticos volumezinhos da Colecção Patrícia, em imagem.  


quinta-feira, 12 de março de 2020

Resistência


Não há nada como ser um sobrevivente da Asiática de 1957, para criar uma certa distância saudável. E para manter a tramontana a funcionar e em ordem.
Deus nos valha!

Francis Poulenc (1899-1963)

quarta-feira, 11 de março de 2020

Apontamento 131: Observações 1



1936

Surgiu, recentemente, a hipótese de adquirir o livro acima reproduzido. O nome do musicólogo Santiago Kastner veio-me através de estudos dedicados à música antiga portuguesa. Por coincidência descobri, posteriormente à aquisição do livro, que a Universidade Nova de Lisboa lhe dedicou uma exposição no final do ano de 2019. Aliás, o catálogo da exposição, com coordenação de Manuel Pedro Ferreira, encontra-se disponível em formato pdf, oferecendo-nos mais informações sobre a sua vida e obra.
Ficam, apenas, os dados biográficos essenciais de Macário Santiago Kastner: nascido em 1908, em Londres, faleceu, em Lisboa, no ano de 1992, na cidade que ele escolheu como lugar da sua vida a partir de 1934. 

Da sua vivência em Portugal deixou-nos, para além dos estudos sobre a música antiga, observações curiosas sobre o país, a saber:



Post de HMJ

Citações CDXXVIII


O idealismo é uma forma convencional da esperança.

Georges Braque (1882-1963), in Le Jour et la Nuit.

terça-feira, 10 de março de 2020

Do que fui lendo por aí... 35


Por esta altura, e a propósito, para me habituar, eu deveria estar a  ler Defoe ou Camus, ou então rever Visconti e a sua Veneza empestada. Mas aconteceu que me calhou, e bem na rifa, um velho volume (1966) de contos de Ernest Hemingway (1899-1961).
E por aí vou admirando e lembrando a sua concisão narrativa, a ausência de rodriguinhos floreados e pirotécnicos, leitura enxuta que bem poderia aproveitar a tantos plumitivos pernósticos, prolixos e medíocres que se vão publicando por aí. Como tortulhos incontinentes, a quem as editoras dão guarida e terreno, indiscriminadamente...



segunda-feira, 9 de março de 2020

Schubert Scherzo (Posthumous) No. 1 B Flat Major - Artur Schnabel, piano

Um CD por mês (11)


Se Lipatti ou Cortot convocam Chopin, não há dúvida que o pianista austro-americano Artur Schnabel (1882-1951) lembrará sempre Schubert, para além da sua gravação integral e exemplar das sonatas de Beethoven. E talvez tenha sido por isso que eu comprei na Valentim de Carvalho (ali, ao Rossio), nuns saldos em finais dos anos 90, um duplo CD da Pearl, com gravações do pianista. Estes registos de 1937/9, remasterizados em 1997, são de muito boa qualidade. O duplo CD da EMI Classics é que já não me recordo onde o adquiri, mas é uma produção de 1992, também excelente.


domingo, 8 de março de 2020

Uma fotografia, de vez em quando (137)


Estima-se que, do fotógrafo francês Albert Monier (1915-1998) se tenham vendido, enquanto ele foi vivo, 80 milhões de postais ilustrados com as suas fotografias e cerca de 100.000 posters.
Uma boa parte dos seus instantâneos sobre Paris estão nimbados de uma espécie de neblina que lhes assegura uma intemporalidade e um certo mistério singular.



Mas a força impressiva das suas fotos de algum modo explica que lhe tenham chamado fotógrafo humanista e seja considerado um bom profissional, apesar de não ser muito lembrado, hoje em dia.




sábado, 7 de março de 2020

Ideias fixas 54


À terceira ou quarta página de A Sibila, relendo, veio-me à memória Camilo. Embora actualizado de vocabulário. Somos assim, naturalmente: ou pelo mundo, como Eça, ou nortenhos e terrunhos, amando de perdição. Em boa companhia, aliás, com Régio, Manoel de Oliveira... - tudo da mesma família.
Ao menos, poupavam-se os néons amaricados. Ou marcanos? De lojas pindéricas, a armar ao fino, por esses algarves foleiros e lisboetas pacóvios. De gentinha, que imagina saber inglês.

Para celebrar...


... estas singelas flores, MR, com os nossos parabéns pelo seu aniversário, bem como este extracto de ballet pelo Par perfeito e magnificente.




sexta-feira, 6 de março de 2020

Viva o SPS! *


"Junta-se a fome com a vontade de comer" - como diz o ditado. Num cenário de Idade Média, entre a paranóia emocional do povão e o aproveitamento pragmático dos agentes privados de saúde, o SNS tenta passar por entre os pingos da chuva e a irracionalidade mediática dos mercenários palermas e /ou oportunistas.

* Serviço Particular (ou Privado) de Saúde.

Maurice Duruflé (1902-1986)

quinta-feira, 5 de março de 2020

Recta final


Até 15 de Março, no MNAA, poderá ainda ser vista esta esplêndida exposição de Álvaro Pires de Évora, pintor português que exerceu o seu mester, sobretudo em Itália, no século XV.
Finamente pensada e com um magnífico acervo luso-italiano, os únicos senãos situam-se em alguma mal localizada iluminação de algumas obras e a má geografia de parte das legendas.
O catálogo, embora caro (29 euros), é magnífico e conta com alguns estudos competentes de historiadores de arte italianos e também de portugueses.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Mais um cartoon


Exercício adivinhatório e poliglota:
für les poucos happy.

terça-feira, 3 de março de 2020

Contaminação


Nem o penúltimo TLS (nº 6099) escapou, com um sugestivo cartoon, de Ella Baron (1995), aliás...

C.P.E. Bach (1714-1788)

segunda-feira, 2 de março de 2020

Finalmente


Confirmado!
Deus não se esqueceu de nós.

domingo, 1 de março de 2020

Inefável, a justiça



Adagiário CCCVIII


Parentes são os meus dentes, mais chegados os da frente e leais são os queixais.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Exposição na Tate



Numa espécie de glosa actualizada e de novos temas, a artista norte-americana Kara Walker (1969) expõe até 5 de Abril de 2020, na Tate Modern, a sua Fons Americanus, inspirada no Memorial da Rainha Victória (Londres), mas com motivos quase opostos, como é explicado neste vídeo. E em que a monarca britânica é substituída ou representada pela deusa africana Yoruba.

arte menor (30)





Nem tudo aquilo a que o desejo nos convoca
sobrevive. Também as raízes morrem
e os frutos definham
se não forem colhidos
pela tarde fresca
ou pela noite mansa.


Sb., 22/ 29-2-20.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Inventário e modelo


O prédio albergava, divididos pelas 32 fracções dos 8 andares, onze cães e nove gatos. Os pequenos felinos eram tutelados, maioritariamente, por viúvas inconsoláveis; os canídeos, por famílias com criancinhas muito sensíveis. Havia também canários pelo prédio, que não incomodavam ninguém. E peixes, em vários aquários, que não tugiam nem mugiam, por isso nem se dava por eles. O Silva do PAN considerou-o um prédio modelo, e propôs ao PR que lhe fosse concedida uma venera simbólica e benefícios fiscais aos utentes moradores.
Quando souberam disto, os pobrezinhos que brincavam na Comporta, resolveram fazer uma marcha silenciosa de protesto até S. Bento e Belém.
Compreensível, aliás!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Mercearias Finas 154


Por esta altura do ano, costumo dar uma volta à adega, quanto aos tintos. Pelo Verão, é a vez dos vinhos brancos darem uma volta e eu retirar alguns, já mais antigos, para abate e por precaução... E se, para estes, 5 anos, com raras excepções, pode ser um limite de idade, para os tintos sou sempre muito mais tolerante - já bebi alguns (poucos) nacionais com mais de 40 anos, que estavam um esplendor!
Anote-se, previamente, que dos vinhos tintos retirados, os mais novos contavam quarenta anos e os dois mais velhos 46 de idade.

Vistoria feita, procedeu-se à retirada para prova e consumo das seguintes garrafas:

1. V. Dão Painel, Garrafeira de 1974 (numerada: 476), 12º - Caves Império.
2. Garrafeira Carvalho, Ribeiro & Ferreira, 1974 *, 12,3º - C. R. & F.
3. Garrafeira Carvalho, Ribeiro & Ferreira, 1978, 12º - C. R. & F. (que custou Esc. 1.100$00).
4. Bairrada, Reserva 1980, 12º, Adega Cooperativa de Cantanhede, 2 gfs. (Esc. 626$00, cada).
5. Quinta de Fontoura, Garrafeira Particular de João Girão, Douro (Lamêgo), Colheita 1980, 12,5º.
6. Vale Pradinhos, Pinto de Azevedo, Casal do Valle, Colheita de 1980, 13º.

* Foram postas no mercado 300.000 garrafas.

P. S.: já provados os 4., 5. e 6., todos em boas condições, sendo o último o mais apreciado.