domingo, 7 de julho de 2013

Sebastião Salgado (1944), sobre a Vida, a Morte e a Fotografia


Uma fotografia, de vez em quando (9)


De autor desconhecido, esta fotografia poderá ser datada, com alguma segurança, dos anos 30 do século passado, e terá sido tirada algures no norte de Portugal (No Carnaval? Na passagem do ano?).
Um carimbo, no verso, refere Foto-Londres, Rua 31 de Janeiro, 148 (Porto?). Tudo o resto é mistério, ou fica entregue à especulação, ou imaginação de cada um...

Antecipadamente


É talvez muito cedo, mas já fica a notícia de uma exposição de Miguel Navas, a inaugurar em Setembro (oxalá esteja mais fresco!...). Na galeria Bloco 103, à Rua Rodrigo da Fonseca, 103 (frente ao Ritz).

Outras músicas : Philip Glass


sábado, 6 de julho de 2013

Dos inconvenientes deste Verão português, com música pimba


Não bastasse este calor excessivo, para ter de assistir, ainda, ao canto desafinado de dois rapazelhos de coro, quais apostólicos Pedro e Paulo, numa rábula mesquinha, pouco antes do jantar. O regente do coro, inane como sempre, deve ter-se acobertado à sombra de Belém. Não veio ao Tivoli...
Em sintonia, na região outrabandista, há festa na aldeia. As vozes indigentes dos carreiras, dos barreiros e doutros pimbas de serviço atroam os ares e fazem-se ouvir em altíssimos decibéis. Pagos decerto pelo presidente da Junta de freguesia - felizmente em vias de extinção.
Irra!, que não há sossego, nem pachorra, nem orelhas para viver, continuamente, nesta opera buffa à portuguesa! É só música, e da pior...

Luz e trevas, em metáfora fotográfica e real


Talvez, pelo menos, desde o séc. XVIII, que a luz e as luzes  eram sinónimo de conhecimento e mesmo sinal de beleza: Paris foi considerada, por exemplo, a Cidade da Luz. E, vista de cima, de avião, durante a noite, é realmente um foco de luz intensíssimo.
Daí que seja notório, nesta fotografia por satélite, da imagem, reproduzindo a Península Coreana, o contraste violento entre a luminosidade da Coreia do Sul e as trevas que escurecem quase totalmente a Coreia do Norte.
Numa flagrante metáfora da escuridão em que os governantes, desta ditadura  irracional e aberrante, mergulharam os seus concidadãos.

Citações CXLIII


Gosto dos homens que têm futuro e das mulheres que têm um passado.

Oscar Wilde (1856-1900).

Mais 2 aguarelas de D. Carlos


Para um dia que promete ser de Verão excessivo, a sugestão de frescura destas aguarelas de D. Carlos.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Astor Piazzolla

Mercearias Finas 74 : pratos de peixe e castas dos vinhos verdes


Se, para alguns, quanto a vinho, só reconhecem o tinto e, ainda outros, se contava, por graça, que à pergunta: "Que vinho?", respondiam: "Muito!...", também, por vezes, a escolha da bebida certa para acompanhar determinados pratos, se houver critério, põe algumas questões. É certo que já vi muita coisa...até já vi um cavalheiro, para acompanhar uma perdiz estufada, pedir coca-cola. Matou a perdiz, pela segunda vez. E não a merecia, absolutamente.
A gama de vinhos verdes brancos, pela sua variedade de castas e  sabores, em matéria de pratos de peixe, permite alternativas amplas e opções acertadas. Pessoalmente, um rodovalho, um peixe-galo grelhado ou um linguado justificam a abertura de uma garrafa de alvarinho. Mais seco ou mais untuoso, consoante o gosto das pessoas à mesa. Mas, já um bacalhau assado, pede, no mínimo, um branco encorpado, ou até mesmo um tinto, em que pode entrar o espadeiro minhoto. 
Quanto às sardinhas, já não estou tão seguro e tudo fia de mais fino... Na minha modesta opinião, tudo depende da época e do ano. E, também por aqui, o vinho tinto pode ter uma palavra a dizer. Como este ano elas estão gordas, rechinam e pingam para o pão, a casta loureiro pode bem impor-se. Ou, em boa alternativa, o sempre seguro "Muralhas" de Monção, com os seus 90% de alvarinho e 10% de trajadura. Que é, quase sempre, uma escolha acertada e compensadora.

Dois haiku japoneses traduzidos, e uma nota breve


Na ponta duma erva
ante o céu infinito
uma só formiga.

Ozaki Hôsai (1885-1926).

Noite de Verão -
o som das minhas socas
sobressalta o silêncio.

Matsuo Bashô (1644-1694).

Nota: Foram já vários os haiku japoneses traduzidos, aqui, para o Blogue. Mas é importante relembrar a sua gramática muito particular. Na sua brevidade (5-7-5 sílabas) de três versos, de origem (que uma tradução raramente consegue manter), confrontam, com frequência, o fugaz com o eterno, no espaço de uma só respiração. Equilibram-se entre o mutável e o imutável, entre a natureza e o espírito.
Os 2 haiku traduzidos, foram-no em terceira mão: do francês, mais concretamente.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Destinos turísticos de moda, e outros


É altamente improvável que eu alguma vez venha a visitar Copenhaga. Há cidades europeias eleitas (Londres, Praga, Paris, Veneza...) e outras que não concitam grande atracção, como será, eventualmente, o caso da capital da Dinamarca.
Mas, hoje, por mero acaso, tive conhecimento que, em Copenhaga, se encontra uma das mais interessantes colecções de escultura romana (bem como egípcia e grega) fora de Itália, precisamente na Ny Carlsberg Glyptotek.
O Museu não se esgota aqui, mas o acervo de escultura romana, constituído na base da colecção pessoal de Carl Jacobsen (1842-1914), sob conselho especializado do arqueólogo alemão Wolfgang Helbig (1839-1815), é o núcleo mais interessante.
Aqui ficam duas imagens, e a informação.

Shostakovich : da sonata para violoncelo e piano

Retro (31)


Em imagem, a contracapa do livrinho "Botanica e Agricultura Prática", publicado no Porto, no ano de 1916. Não fora um ultraje, face às circunstâncias que atravessamos,  seria de a dedicar, ao ganapo que bateu com a porta, à ministra sobrevivente, da dita, e ao rural de Boliqueime, hirto e inane. Ao serem despedidos, e para atapetarem a travessia do deserto, com florinhas e frutos.

Marinhas régias


É uma das temáticas de que mais gosto: as marinhas. Sobretudo, quando bem executadas. As duas, em imagem, foram pintadas pelo rei D. Carlos (1863-1908), que nem sempre é bem apreciado, normalmente, por motivos que nada têm a ver com a boa qualidade da sua obra.

agradecimentos a HMJ. 

De Montale, quase 1 haikai


«E o Paraíso? Existe um paraíso?»
«Creio que sim, senhora, mas os vinhos doces
já ninguém os quer.»

Eugenio Montale (1896-1981), in Satura.

Verdade / Mentira : 3 contributos


1. A minha maneira de gracejar é dizer a verdade. É a melhor brincadeira do mundo.
George Bernard Shaw (1856-1950), in John Bull's Other Island.

2. É preciso divertirmo-nos a mentir às mulheres. Tem-se a impressão que somos reembolsados.
Sacha Guitry (1885-1957), in Elles et Toi.

3. Mente-se melhor por escrito.
Henry de Montherlant (1896-1972), in Carnets, XXIV.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mozart, José II e " O Rapto do Serralho"

Esta obra musical, de Mozart, foi estreada no ano de 1782, em Viena, e na presença do imperador José II (1741-1790). Diz-se que, no final, o imperador terá dito ao compositor: "Demasiado bonita para os nossos ouvidos, meu caro Mozart, e com demasiadas notas."
Ao que o compositor retorquiu: "Exactamente tantas, quanto o necessário, Majestade!"

Algumas apostilas para a cultura geral - o Irmanzão


Como recentemente se intensificaram as visitas ao Blogue, por parte de uma entidade anónima marcana, sediada em Palm Springs, Colorado, eu quero retribuir a gentileza referindo alguns elementos sobre este olheiro universal dos pacatos cidadãos. Ou seja, um pequeno C. V. da NSA, para que conste.
A sede da Firma está instalada em Bluffdale (Utah), num local habitado por 8.000 mórmons que, religiosamente, praticam a poligamia. O sítio é isolado e uma das obrigações dos crentes, na sua aprendizagem, é missionar, na juventude, 2 anos no estrangeiro. Isso faz da localidade um rico manancial de poliglotas encartados, para o domínio de vários idiomas, que a Firma vai recrutando, à medida das suas necessidades de coscuvilhice.
O cabeça de turco da agremiação é o general Keith Alexander (em imagem, na sombra) que, a partir do consulado do texano Bush, filho, foi ganhando mais poderes e independência, sobretudo, depois do 11 de Setembro. Para criar compartimentos estanques, descentralizou as escutas. Em Fort Gordon (Georgia) ouvem o Médio Oriente e a África do Norte; de San Antonio, no Texas, por exemplo, escutam a América Latina e a Europa, e assim por diante...
Iria jurar que a adelphia.net, empresa americana de comunicações, falida e desactivada, está a trabalhar, neste momento, com a NSA, registando, registando... Deixou de ser um espião adormecido.
Por hoje, não quero maçar mais os meus amigos. Mas pode ser que volte ao assunto.

Nota posterior: cerca de 10 minutos depois de colocar este poste, amavelmente, de Palm Springs (Colorado) vieram retribuir-me a gentileza, visitando-me 2 vezes... (Devo acrescentar que não tenho vocação para Mel Gibson.)

Uma louvável iniciativa (19)


Os dois pacotinhos de açúcar vieram do Alentejo e não sei se estarão em uso no resto do país. São o 3 e o 6/11, de uma série que acompanha o Café Delta, celebrando e divulgando o facto de a bela cidade de Elvas ter integrado o reconhecido Património Mundial, da Unesco. Aqui fica a imagem, para que conste.

Atenção, isto não é uma sondagem!


Fui almoçar fora. Depois dos dois últimos dias, estava a precisar de ar puro, apesar do calor, mesmo que fosse, como foi, numa esplanada coberta, mas fresca. O restaurante é modesto, mas cozinha com profissionalismo, e o atendimento ultrapassa, ligeiramente, os serviços mínimos. Mas não vale a pena pedir a carta dos vinhos. Vem um Palmela, rude mas honesto - "Um Camolas, que é bom!", diz o Sr. José...
No local, uma dúzia de clientes, contando comigo. Um terço era de ofícios mecânicos, de duas pequenas metalurgias que, na zona outrabandista e milagrosamente, escaparam à voragem e aniquilamento imposto pela UE. Dois reformados, o resto, sobreviventes, em vias de extinção, da classe média lusitana. Ouvi-os. Não sendo uma amostragem tão pernóstica, como é a das sondagens da Universidade Católica (que tem patrocínio divino e benção final do espírito santo), os resultados e opinião eram concludentes. Assim:
1. Depois do discurso de ontem, o actual PM transformou-se num selenita, por vocação.
2. O finado contabilista das Finanças, abortado e falhado metereologista, é um jagunço que mata por carta armadilhada.
3. A contabilista que lhe sucedeu, embora avantajada da cintura para baixo, tem testa curta para o cargo.
4. O ganapo que costuma ir às feiras, antes das eleições, quanto a responsabilidade moral, ainda é menor.
5. Tirando o ministro da Saúde, o resto da canalha andou a gozar e a brincar connosco.
No entanto, e como dizia Pinheiro de Azevedo ("O povo é sereno!"), os comedores à mesa pareciam tranquilos. Apesar de tudo, um terço deles ainda tinha trabalho...

A par e passo 47


Crítica dos Desejos

Os mais importantes pensamentos são aqueles que contradizem os nossos sentimentos.
Nada mais estúpido do que considerar o objecto do desejo como coisa verdadeiramente desejável. Enquanto desejo, devo lembrar-me do erro que eu posso cometer ao desejar.
É preciso dar tempo ao tempo de deixar vir um desejo ao, - ou incompatível com (o) - desejo que eu sentia. Ou um desgosto.

Paul Valéry, in Tel Quel II (pg. 256).

terça-feira, 2 de julho de 2013

...E, por uma questão de coerência, continuemos com a música do "Titanic"...


O "cadavre exquis", ou a II Brigada do Reumático


Não saberão os mais jovens ou aqueles que ignoram a história portuguesa mais recente, por se dedicarem mais fervorosamente à história americana ou do mundo internacionalista, mas, a 14 de Março de 1974, houve uma manifestação de apoio e desagravo ao então Presidente do Conselho Marcelo Caetano, por parte da maioria dos oficiais Generais portugueses, liderados por Paiva Brandão, que botou discurso. Já o Estado Novo estava apodrecido e moribundo. E, isto, apenas 2 dias antes do abortado golpe das Caldas e cerca de 40 dias antes do 25 de Abril. A esta manifestação orquestrada chamou-se, pelo patético da situação : a Brigada do Reumático. Se, porventura, houver no Parlamento uma moção de confiança ao governo de Passos Coelho, o Paiva Brandão desta reedição da Brigada do Reumático, terá com certeza o nome de Luis Montenegro. Há nisto, por ironia, várias coincidências. Uma delas, é o facto de Passos Coelho ser do mesmo signo astrológico de Marcelo Caetano. Muito embora Thomaz tivesse larga experiência de tempestades marítimas e o actual PR, não. E sejam de signos diferentes.
Entretanto, não haverá ninguém que nos livre de um pesadelo Seguro, no futuro? É que de Spínola, já eu tive que me baste. E, esse, ao menos, tinha experiência...
 

O Porto sentido e sedutor, visto por 1 americano (um pouco basbaque)


Porque será que o nosso PR ainda não foi visitar esta empresa portuense?

agradecimentos a C. S..

Metamorfoses das Artes


Com alguma frequência as palavras e as imagens se procuram e associam, num objectivo comum: a Arte. De textos de prosadores e poetas, a apresentar exposições de pintura ou escultura, até às metamorfoses de linguagem (cf. Jorge de Sena, René Char...) que procuram nas telas o motivo obscuro. E há ainda os filósofos que, muitas vezes da imagem, partem à procura...
Bernard-Henry Lévy, como comissário da mostra Les Aventures de la verité (Fundação Maeght, Saint-Paul de Vence), levou o tema à prática, lançando, ao mesmo tempo, um livro homónimo, que serve também como catálogo desta ampla exposição que integra artistas tão diversos como Tintoreto, Rothko, Jeff Koons. Assim como o quadro "Les vacances de Hegel" (1958), de Magritte, cuja imagem encima este poste.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Antes do "Titanic" se afundar de vez


1 mote de Maquiavel para 3 glosas pessoais, sobre o estado do mundo


Mote:
"Concluo então que um príncipe não precisa de se incomodar muito com as conspirações, quando o povo está satisfeito, mas quando esse povo lhe é hostil e o odeia, então ele deve recear tudo e cada um."

Niccollò Machavelli (1469-1527).

Glosas:
1. As primaveras árabes já acabaram há muito, mas parece que, pelo menos no Egipto, o Verão já começou. Com vários incêndios.
2. O nosso ex-pm Barroso, quando foi para Bruxelas, começou por querer agradar a todos. Ao que se lê, vai acabar com a inimizade da maioria...
3. No rústico galinheiro nacional das Finanças, o galo vagaroso deixou de cantar. Saltou para o poleiro uma galinha, por swap, e a cacarejar.

Filatelia LXVIII : há 160 anos, o início


Treze anos depois da pioneira Inglaterra (1840), Portugal iniciava, a 1 de Julho de 1853, precisamente, a circulação dos primeiros selos postais que representavam, no centro e em relevo, a efígie, de perfil, da rainha D. Maria II. Nesse dia, foram postos à venda os selos das taxas de 5 e 25 réis, o primeiro usado nos portes de impressos e jornais, e o segundo para ser usado nas cartas. Mais tarde, seriam emitidos mais dois selos: de 50 e 100 réis. A série de 4 estampilhas circularia até completo esgotamento.
É destes primeiros 2 selos, emitidos há 160 anos, que damos imagem neste poste. Bem como de uma carta circulada, enviada de Elvas para Lisboa, um ano depois, em Agosto de 1854.

Adagiário CXXXIV : Julho (4)


1. Pelo S. Tiago (25), na vinha acharás bago, se não for maduro, será inchado.
2. Geira de Maio vale os bois e o carro; de Julho os bois e o jugo.
3. Pela Madalena (22), recorre à tua figueira.