


Este "F. M. I.", de José Mário Branco, tem a força e rudeza de um libelo acusatório e a veemência arrebatada e escatológica de um exorcismo. Neste registo, lembro-me apenas de "A Cena do Ódio" de Almada Negreiros, sendo que este último é bastante mais subjectivo e egocêntrico, e não político. Esta "gaguez furiosa" (para usar palavras de Jorge de Lima) tem, no entanto, dois andamentos: o primeiro é um esconjuro violento de sarcasmo irado; a segunda parte tem um lirismo inesperado onde, também, habita a ternura. É uma canção de intervenção esquecida, este "F. M. I." de José Mário Branco, que as ironias e repetições da História (tragédia/ farsa) voltaram a tornar actual e presente. Justificado, e português. Embora, como o disse, a princípio, e repito: não seja para ser ouvido por orelhas sensíveis, dado o seu tom de violência e o uso de um vocabulário que remete para as cantigas de "maldizer" medievais.
Apresentamos, em primeiro lugar, um mostruário de tipos que, nos próximos contributos para o Arpose, servirá de base a outras lembranças de uma tipografia, cujo espaço, bem como todos os objectos, e o próprio cheiro das tintas se gravaram na memória.
A um desses cavaletes pertencia a caixa que, actualmente desviada da sua função principal, recolhe ainda alguns artefactos: tipo, vinhetas, material branco, etc.
Que me desculpem os estimados visitantes, pelo longo e silencioso genérico que ocupa quase tanto espaço como a vibrante música de Strauss, tocada pela Orquestra Filarmónica de Viena, dirigida por Herbert von Karajan.
De um grupo de economistas que pretendem a abertura de um inquérito contra as agências de ratos (o sublinhado é nosso) pelo "crime de manipulação do mercado", destaco, na foto, o catedrático José Reis. Gravaram-se, na minha memória, a sua imagem, a atitude e as explicações que transmitiu, ontem, num noticiário televisivo. Com o seu saber, mas sobretudo, numa linguagem simples, explicou com fundamento o que nos vai na alma. Desmascarou a aparente "inocência" das tais agências, demonstrando que as suas acções se enquadram em práticas ilícitas, objecto de processos abertos em vários países. 