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sexta-feira, 8 de setembro de 2023

O autêntico e os falsários oportunistas

 

Se Dan Brown há muitos, até por cá, Umberto Eco (1932-2016) há apenas um.
E é o próprio escritor e linguista italiano que estabelece, de forma sucinta e irónica, a diferença: "Dan Brown, o autor d'O Código Da Vinci, é na verdade uma personagem do meu livro O Pêndulo de Foucault! Ele leu as mesmas coisas que eu li. A diferença é que ele as levou a sério!"

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Últimas aquisições (7)


Tenho paciência bastante para, tranquilamente, esperar que, de autores recentes e modernos, as suas obras venham a aparecer nos alfarrabistas, embora usadas. Do processo, excluo por impaciência pessoal, apenas Steiner, Sebald, Magris e Manguel - e é tudo, creio. Que gosto de ler, mal sejam editados, em Portugal.
O resto, é uma questão de tempo e o preço, normalmente, compensa bem a espera. Tirando Los Sueños (Espasa-Calpe, 1952), de Quevedo, que aposentado na "salgadeira" (H. N. dixit), me custou apenas 1 euro, dei pelos outros 4 livros, que comprei ontem, aquilo que daria, pouco mais ou menos, por um deles, novo.


Vou assim também averiguar das excelências da escrita de Philip Roth (1933-2018), que muita gente incensa, e de quem nunca li nada.
Um único problema subsiste: em que lugar irei eu arrumar estes 4 livros, depois de lidos, quando a casa já está superpovoada e pejada deles?

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

As diferenças de grau e o sentido crítico, ou a eterna infância


Por extremo limite e desatenção flagrante, ou por amável estultícia infantil, é claro que podemos meter no mesmo saco, de Poesia, António Aleixo e Luís de Camões. Em cinema, não fazermos distinção entre  Ed Wood e Kubrick. Umberto Eco e Dan Brown, na ficção histórica. A noção de qualidade é, ou devia ser, uma exigência de quem cresce. A sua ausência denota, também, a inexistência de sentido crítico e a eternidade inocente de algumas infâncias que se perpetuam, para felicidade  pueril e inefável dos seus donos...

sábado, 28 de maio de 2016

Citações CCLXXXVII


Pode afirmar-se que a história da cultura moderna não tem sido outra coisa senão a oposição contínua entre a exigência duma ordem e a necessidade de distinguir no mundo uma fórmula mutável, aberta à aventura, impregnada de possibilidades.

Umberto Eco (1932-2016).

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Obituário


Nesta semana, que amanhã termina, desacompanharam-nos duas figuras maiores da literatura mundial. A singular romancista norte-americana Harper Lee (1926-2016), celebrizada por, praticamente, um só livro publicado (To Kill a Mockingbird), no bom exemplo dos nossos António Nobre e Camilo Pessanha, embora poetas. É certo que, da romancista, veio a sair, em anos recentes, um seu livro antigo (escrito nos anos 60), Go Set a Watchman que mais não seria senão do que uma primeira versão da sua obra inicial cujo título, em português, foi traduzido por Mataram a Cotovia.
A outra figura desaparecida foi o italiano Umberto Eco (1932-2016). Nas altas esferas intelectuais, não era uma figura consensual. Não lhe perdoaram, talvez, ter tido um imenso sucesso com o seu romance O Nome da Rosa (1980) e, mais ainda, por ter dado origem a uma prole numerosíssima de danbrownsinhos medíocres, por todo esse mundo fora...
Eco era uma figura polifacetada, não se esgotando na sua obra de ficção. Era, também, um professor universitário reputado, um fílósofo, um linguista. E um bibliófilo respeitado. Nessa qualidade, foi-lhe atribuído, em 2014, o prémio Gutenberg, pela Sociedade homónima, sita em Mainz (Alemanha). O Gutenberg-Jahrbuch, de 2015, publicou o seu texto de agradecimento. Pelo tom despretencioso e saborosamente coloquial do discurso, vou traduzir 3 pequenos excertos:

"A bibliofilia é certamente o amor pelos livros, mas não necessariamente pelo seu conteúdo."
...
"O amador de leitura, ou estudioso gosta de sublinhar os livros contemporâneos, até porque existe um certo tipo de subterrânea literatura, nisso, um sinal à margem, um destaque a lápis preto ou vemelho, que irão recordar, no futuro, uma experiência de leitura."
...
"Era uma vez um Mister Salomon, um velho livreiro e alfarrabista de Nova Iorque, no ângulo da 3ª Avenida com a 9ª Rua, a quem eu comprei, por quantias que oscilavam entre um e dois dólares, páginas belíssimas de livros antigos, óptimas para alindar uma casa de campo (...) Dizia-me ele: «eu faço vandalismo democrático, e a quem não possa permitir-se ter a Crónica de Nuremberga, eu, por não muitos dólares, posso vender-lhe uma página. Mas sejamos claros: eu adquiro apenas livros que estão condenados ao massacre.»"

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Comic Relief (111)


A princípio, fazer uma tese deve ser divertido. Depois, escrever uma tese é como cozinhar um porco: nada vai para desperdícios.

Umberto Eco (1932), in Come si fa una tesi di laurea (1977).

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Glosa


"...O mundo condena os mentirosos que não fazem senão mentir, até sobre as coisas ínfimas, e vai premiando os poetas, que só mentem sobre as coisas grandíssimas." 
Umberto Eco, in Baudolino (pg. 46).

Depois de Pessoa, é muito difícil dizer, ou mentir, melhor. Ruy Belo tentou, Gamoneda também, talvez com mais autêntica sinceridade, mas não foi longe. Sem o dizer, fazendo da mentira seu voto de castidade poética, Herberto Helder experimentou uma segunda via, com alguns resultados menores, embora de poesia maior. Os melhores poetas são, em última instância, grandes fantasistas, oscilando entre o malabarista talentoso da metáfora, e o mágico truque para consumo doméstico. Buscam um equilíbrio subjectivo por compensação externa. Por extremo, sendo bem sucedidos, conseguem criar uma nova linguagem. Ou uma outra realidade virtual, mas possível.
Se eu disser: o Polo Norte há-de vir a ser o sexto continente - talvez esteja a admitir uma verdade provável. Mesmo que esteja a mentir, no presente. Com o aquecimento global, esta constatação é, apenas, uma mentira menor. E sem grande qualidade poética.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Umberto Eco galardoado


Terá passado despercebido na nossa imprensa o facto, em finais de Junho passado. O prémio Gutenberg 2014 foi atribuído pela cidade de Mainz e por iniciativa da Sociedade Internacional de Gutenberg, ao escritor italiano Umberto Eco (1932). Além de ser o autor do conhecido livro O Nome da Rosa (obra pioneira que desencadeou, depois, numerosos e sucessivos Codigozinhos secundários ou oportunistas...), Eco é também um reputado bibliófilo. O prémio, no valor de 10.000 euros, ser-lhe-á entregue na próxima Feira do Livro de Frankfurt, em Outubro.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O araújo sulista ataca novamente


Desta vez veio pela calada da noite, o araújo.
Entre a insónia (talvez) e a falta de inspiração para o seu blogue, chegou, ao Arpose, à 1 hora, 43 minutos e 26 segundos, e só o largou às 2h58. Andava à procura dum tal "humberto luis rosado cabral da silveira", mas o Google trocou-lhe as voltas e mandou-o para um poste sobre o Umberto Eco (3/11/10). Aí ficou fascinado com uma imagem do Pinóquio - não deve ter tido uma infância feliz, o araújo, porque ainda fica encantado com bonecos... A seguir, passou a estudar gravemente um poste sobre "Intervenção ou neutralidade" dos intelectuais (7/2/13), com uma transcrição muito interessante de Alfredo Barroso.
Sugou, sugou e, depois, pelas 3 da manhã deve ter ido "vampirizar" para outro lado...

segunda-feira, 19 de março de 2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Umberto Eco, bibliófilo


O último "Le Nouvel Observateur" (nº 2469) traz uma entrevista com o italiano Umberto Eco (1932), onde se fala de livros, nomeadamente, da sua obra "O Nome da Rosa". O entrevistador, Didier Jacob, a meio da conversa pergunta: "É um bibliófilo?" Ao que Umberto Eco diz:
"Eu tenho 50.000 livros. E mil são obras raras. De cada um, recordo-me da maneira como o adquiri. Tenho, por vezes, a mesma obra em duplicado, muito embora, quando eu quero tocar no objecto, pego na minha edição rara, e se procuro simplesmente uma citação, folheio a edição normal. Aquilo de que mais gosto, nesses livros antigos, é que eles têm histórias para contar, as histórias dos seus numerosos leitores. Eu tenho um Paracelso que não tem grande valor porque é um volume isolado de uma série. Mas nesse livro não há um único espaço que não esteja coberto por uma caligrafia da época em três cores diferentes, e com linhas sublinhadas. É mais do que um livro, é autêntica renda fina bordada."

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Salão de Recusados XXIX : Umberto Eco



O jornal Le Monde, de 12 de Outubro de 2010, publicou uma entrevista de Umberto Eco (1932) sobre diversos assuntos. Dela retirei 2 respostas que passo a traduzir:
1. Sobre a Internet: " A Internet é o escândalo duma memória sem filtragem onde não se distingue o erro, da verdade."
2. Sobre livros: "Há o amor do objecto. Se eu vou à minha cave e reencontro o meu Pinocchio de quando eu tinha 8 anos (...) regressam-me as emoções que eu não encontro numa disquete que contenha o texto do Pinocchio."

P.S.: para H.N., com agradecimentos.