Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viagens. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de outubro de 2023

Últimas aquisições (48)



É uma edição recente (Relógio D'Água, 2021) e acabei de comprar o livro hoje.
Stefan Zweig (1881-1942) foi um autor polifacetado e que era muito apreciado e vendido nos anos 50/70 do século passado. Li vários livros dele, na altura. E assisto recentemente, com muito agrado, à reedição de várias obras suas. É um ressurgimento pouco habitual em autores do passado. Mas que eu acho bem merecido.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Viajar, conhecer



Uma das formas de progresso, até pelo suceder das gerações é, do meu ponto de vista, alargar os horizontes e o conhecimento, bem como os estudos. As viagens têm nisto um papel importante. A minha mãe chegou a conhecer a Madeira e várias cidades de Espanha, na Galiza e do centro do país vizinho. O meu filho mais velho pôs os pés em países de três continentes. Eu fiquei-me pela Europa, mas a leste não fui para além da Alemanha. Lamento não ter ido nem à Itália, nem à Hungria, países que gostaria de ter conhecido, sendo agora já tarde para os vir a visitar. Nesse aspecto nunca fui muito ambicioso e nunca me deu para coleccionar países - creio que sempre fui excessivamente europeu, facto que talvez sirva de desculpa. Posso embora dizer que conheço um pouco da maneira de ser de, pelo menos, três povos da Europa, seus costumes e gastronomia. O que já não me parece mau e deve ser levado a benefício de inventário...

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Citações CDLXVIII



Viajar, - que horror! O que é, às vezes, agradável e útil, é ter viajado. Os incómodos passam - e as boas recordações ficam.

Júlio Dantas (1876-1962), in Páginas de Memórias (pg. 226).

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Novos caminhos da prosa?


A prosa parece querer assumir, neste século XXI, novos caminhos ou derivas de experimentação, talvez por cansaço ou esgotamento das orientações a que a ficção tinha sido conduzida. A efabulação de ficção-autobiográfica ou a prosa glosada sob o mote de outras artes, como a pintura e a fotografia, parecem assumir ou denunciar algumas dessas vias mais significativas. As viagens, sob um novo ângulo, em que se misturam história, biografia, revisitações de outros autores, diarística e ficção romanceada convocam, por exemplo, Bruce Chatwin, Claudio Magris e Paul Theroux.
Quanto à fotografia, como ponto de partida, mote ou fonte de inspiração, se ela surge esporádica, tímida e um tanto canhestra nos romances de Modiano, vem a ganhar dimensão maior nos livros de W. G. Sebald e, pelo menos, numa das obras mais recentes de Javier Marías ( Vidas Escritas, 2007).
Se neste livro, e na primeira parte, Javier Marías nos dá, por palavras e pequenos episódios, muitas vezes pitorescos, retratos instantâneos de 20 autores, na segunda parte (Artistas Perfeitos), cuja prosa é antecedida de 37 fotografias de cerca de 25 escritores, o escritor espanhol efabula livremente sobre as poses, os tiques observados nas fotos, as expressões, a indumentária usada e as conclusões a que chega a sua imaginação ou fantasia para caracterizar esses artistas. Creio que por aqui anda, ainda que discutível, uma experiência nova e singular de retratar e fazer prosa.



Para ilustrar o que disse, escolhi, dessa segunda parte de Vidas Escritas, o retrato do poeta W. B. Yeats (1865-1939), tirado por Howard Coster, em 1935, que Mariás seleccionou, fazendo-o acompanhar das considerações que lhe consagrou, neste livro. Assim:

Um poeta inegável é sem dúvida Yeats, apesar de na fotografia ter já os cabelos brancos e não ser costume associar facilmente os homens de idade com a produção de versos. Ao observar a sua expressão, vê-se um fanático ou um iluminado, alguém de carácter demasiado forte e convencido de tudo o que faz ou opina, é uma expressão de autenticidade. O cabelo desalinhado salva-o de ser velho e quase parece loiro, dota de movimento e brio toda a cara, é um indivíduo a que sobeja vigor. Mas chamam também a atenção as sobrancelhas mais escuras; e esse olhar invisível, apenas adivinhado por detrás das lentes, faz com que seja realmente com os lábios firmes que olha, como se todo ele fosse tão-só voz. (pg. 267/8)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Glosa 11


No seu livro Souvenirs de la Cour d'Assises, André Gide (1869-1951) refere:
Desde sempre os tribunais exerceram sobre mim um fascínio irresistível. Em viagem há, sobretudo, quatro coisas que me atraem numa cidade: o jardim público, o mercado, o cemitério e o Palácio de Justiça.

Se o turismo funerário está hoje na moda ( que o digam o Père Lachaise e o Cemitério de Praga ), os tribunais não creio que tenham sido, alguma vez, motivo de particular atenção para os turistas. Se alguns homens têm especial apetência pelos cafés e algumas senhoras se derretem pelas pastelarias (infâncias amargas?), o turista vulgar gosta sobretudo de sentir as ambiências e surpreender os costumes das cidades ou vilas estrangeiras.
Eu confesso a minha fraqueza pelas livrarias e museus, mas, quando vou a Barcelona, não resisto a dar uma volta por La Boqueria...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Bibliofilia 128


Nas últimas semanas, a oportunidade e a tentação da compra de livros usados tem sido mais que muita, ultrapassando largamente a minha capacidade de leitura e criando uma indisciplina quase caótica por sobre mesas, sofás e mesinha de cabeceira. Acalmo-me, ilusoriamente, pensando que haverá períodos de defeso em que nada haverá que mereça ser comprado. Mas o certo é que Steiner, Beauvoir, A. J. Saraiva, J. Pacheco Pereira, alguns livros de poesia inglesa, aguardam, numa já enorme lista de espera, o tempo de serem lidos.
Nos anos 50 e 60 do século passado, proliferou pelas editoras a publicação da temática: viagens. Era uma altura em que, por questões económicas, poucos se podiam dar ao luxo de viajar, pelo menos, para longe. E, por isso, a temática tinha muita procura e leitores. Também, para os intelectuais de esquerda, era de bom tom e norma visitar a U. R. S. S., tal como para os crentes do Islão, ainda hoje, é importante ir a Meca. Dessas viagens ao Leste comunista, ficaram livros de Gide, Sartre e Beauvoir, Tavares Rodrigues, por exemplo.
Graciliano Ramos (1892-1953) é um dos meus autores de referência. E, por isso, este Viagem, de 1954, obra póstuma do grande escritor brasileiro, logo prendeu irresistivelmente a minha atenção, no alfarrabista. O preço era módico e, ainda por cima, a capa do livro era de Portinari (1903-1962). Lá veio para casa e ficou a encimar uma das torres de leitura, a haver...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Apontamento 63: Alteridade




A compreensão do “alter”, ou seja, do outro, implica vontade e conhecimento. Houve tempos em que as Viagens serviam para completar a educação inicial, abrindo “Mundos” ao espaço limitado e conhecido.

Até os antigos regulamentos dos ofícios reconheceram o “valor acrescentado” de uma aprendizagem enriquecida por uma “carreira de deambulação” por espaços geográficos alargados. Ganharam os próprios oficiais e os países, de origem ou de destino e acolhimento. Basta lembrar os impressores do Centro da Europa que, espalhando a boa nova e o suporte da tipografia para a Humanidade, se fixaram nos países do Sul.

Ganhou o país de origem e o de destino numa partilha de conhecimento ao serviço da Humanidade.

Lamentável é que esse passado parece não ter deixado qualquer suporte mental quando comparado com o turismo de massa, que nos cerca, sem nenhum aproveitamento espiritual visível.

A imagem acima, com o sol a despontar, numa manhã serena em Lisboa, serve, apenas, para manifestar que a “alteridade” é um processo longo de aprendizagem do espaço – humano – em que os “ganhos” não entram na contabilidade da beleza interior acrescentada.

Com os agradecimentos aos homens do século XVI que souberam dar uma lição de vida tão intensa, sem abdicarem da sua própria personalidade ou da sua cultura de origem.

Post de HMJ


sexta-feira, 7 de março de 2014

Marcadores 18


Mais três marcadores de livros alemães, de duas casas impressoras, uma centenária (Delius Klasing), que se dedicam à edição de livros de viagens.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ilse Losa, de viagem


Até pouco depois de meados dos anos setenta e, com particular incidência, nos anos 50 e 60, a publicação de livros de viagens, por parte de escritores portugueses, era abundante. Estou-me a lembrar, por exemplo, de "Embaixada a Calígula" por Agustina, "Jornadas na Europa" de Urbano Tavares Rodrigues, "Descobri que era Europeia" de Natália Correia, entre outros livros.
A partir dos anos 80, creio, e muito embora o tema Viagens tenha ganho foros de alforria e destaque, até numa importante cadeira universitária ("Literatura de Viagens"), a edição deste tipo de livros decaíu, substancialmente. A Universidade, em Portugal, vai sempre muito atrasada em relação à realidade, habitualmente...
Entenda-se que, nos finais do séc. XX, as viagens se foram democratizando. Melhores salários, em geral, inter-rail para a Juventude, viagens aéreas low-cost, o programa Erasmus. Conhecer o estrangeiro passou a ser, quase, normal, até entre os jovens. Não falemos de Cancun ou da Praia das Galinhas, por uma questão de caridade cristã...
Em conclusão: o tema Viagens perdeu força e interesse, na leitura. Foi por isso talvez que, ontem, resolvi comprar, num alfarrabista amigo ( o Bernardo), um livro que desconhecia da bibliografia de Ilse Losa (1913-2006), escritora discreta, esquecida, mas que, afectuosamente, estimo. O livro intitula-se "Ida e volta, à procura de Babbitt", e fala de uma viagem aos Estados Unidos (1959) desta escritora nascida na Alemanha, de origem judaica, naturalizada portuguesa, que se fixou (1934) e casou, no Porto, com um arquitecto português, e de quem teve duas filhas. É também autora de histórias infantis muito interessantes e que revelem uma sensibilidade generosa e atenta aos outros.
O livro de viagens de Ilse Losa lê-se bem... Embora a surpresa ingénua da descoberta da modernidade da sociedade americana, que se nota na escrita de Ilse Lose, hoje, na época da globalização, quase nos faça sorrir. Julgo que este livro nunca foi reeditado. Mas estou a lê-lo, com muito agrado.