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segunda-feira, 25 de novembro de 2024

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Filatelia C


Os selos executados por impressão a talhe doce sempre foram uma das minhas tentações filatélicas maiores. Portugal tem uma década brilhante, neste particular, durante os anos 40 do século passado. Mas o fabrico, por este processo, é muito dispendioso.
A Suécia, no entanto - creio -, continua a produzir uma boa parte das suas estampilhas postais em talhe doce. O que confere aos seus selos uma qualidade estética superior. Deixo, em imagem e para exemplo, uma série de 1970, que tem por motivo o círculo polar árctico.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Filatelia XCI


Há selos que, pela sua extrema raridade, são considerados míticos e cuja existência, improvável, faz sonhar ou especular a imaginação de qualquer filatelista avançado. É o caso do 3 sk., amarelo, da Suécia, na primeira imagem do poste, de que se conhece apenas 1 exemplar, aparecido em 1885. A taxa foi impressa na cor verde, mas esta única variedade, acidental e inexplicavelmente, surgiu em cor amarela. É inútil dizer que tem um valor incalculável...
A filatelia portuguesa, na sua versão alargada, que abrange as ex-Colónias, tem várias peças raras, embora não únicas, que fariam o júbilo de qualquer filatelista, que as possuísse. Estou a lembrar-me da variante de um selo de Cabo Verde, tipo Coroa, ou de alguns selos, ditos Nativos, da Índia Portuguesa, por exemplo.
Os dois selos portugueses, na segunda imagem deste poste, não sendo únicos, não são, também, nada frequentes e muito raramente aparecem à venda, ou mesmo em colecções avançadas, em exposições filatélicas abertas ao público.
O primeiro dos selos, da emissão não denteada de D. Pedro V (1856-1858), cabelos anelados, 25 réis, corresponde ao nº 13 do catálogo do Ateneu e, se não fosse a anormal perfuração em zig-zag, seria um exemplar banal. Acontece que, uma empresa alemã (Eisenach), de Lisboa, para maior facilidade de separação das estampilhas, para uso da sua correspondência, resolveu usar este processo mecânico original. Que acabou por tornar raros os poucos selos ainda existentes.
O segundo selo, da segunda imagem, da emissão de D. Luís (1870-1876), Fita direita, também da taxa de 25 réis (carmim), tem o nº 40 no catálogo acima referido. Este selo é vulgar nos denteados 12 1/2 e 13 1/2. Menos frequente, aparece com a perfuração 14. Mas, com o denteado 11 ("...é possível que tenha sido feito fora da Casa da Moeda..." - A. H. de Oliveira Marques) poderá considerar-se raro. Este meu exemplar tem, batido, o carimbo 38, correspondente a Sobral de Monte Agraço.
Ambos os selos vieram de Inglaterra, onde os adquiri.

domingo, 18 de agosto de 2013

Férias 5: Conhecer a Escandinávia via "InterRail"




Embora não sendo adepta de “ajuntamentos forçados”, sempre considerei que as Pousadas de Juventude permitiam, na altura e sem a recente profusão de “Hostels”, um conhecimento do país de origem, e até do estrangeiro, numa fase em que a autonomia financeira era ainda inexistente ou muito reduzida.
Quando surgiu, pois, o programa “InterRail”, possibilitando a compra e um “bilhete único” de comboio para percorrer a Europa, considero que se juntou o útil ao agradável. Com efeito, e segundo uma receita anterior, escolhi para férias a Escandinávia, aproveitando os relatos e as “dicas” de amigos que a tinham visitado no ano anterior. Como sempre gostei de mapas – até para fazer viagens imaginárias – tracei o meu plano em função da rede ferroviária da Escandinávia, das Pousadas de Juventude disponíveis e o orçamento previsto.
Parti, sozinha, de Colónia com uma primeira paragem em Copenhaga, de que não ficou grande memória, para além da ambiência - pós-68 ou alternativa – que já conhecia de uma visita a Amesterdão. A diferença de “tomo” deu-se com a passagem de barco para a Noruega. Gostei de Oslo e ficou-me para sempre o espaço e o museu dedicado à obra de Edvard Munch.


Do comboio, que seguia em direcção a Narvik, passando o círculo polar, saí várias vezes em diversas localidades. Como o “cartão InterRail” permitia saídas e entradas ao nosso gosto, desde que fosse numa continuação do trajecto, estabeleci ca. de 4-5 horas de comboio para me apear, conhecer terras novas e localizar o “poiso nocturno”. Ao partir de Oslo, no Verão, achei estranho que a locomotiva levasse um dispositivo para afastar a neve, mas, ainda antes de chegar ao círculo polar, tive umas curtas férias na neve, se não me engano perto de Mosjøen. No entanto, o mais insólito, sobretudo para os que passeiam sem o conhecimento da História, esperava-me em Narvik. O chamado “pai” da Pousada, assim que viu o meu passaporte germânico, calou-se sem mais palavras, lembrando-se, certamente, das batalhas do exército alemão durante a 2ª Guerra Mundial. Para além deste episódio, tirei uma foto com as distâncias geográficas, semelhante à imagem seguinte.



Saí de Narvik, passando para a Suécia via Kiruna, entrei na Lapónia e parei em Luleå. A Pousada de Juventude eram umas casinhas de madeira, no meio da floresta, como demonstra a imagem seguinte. Apercebi-me, depois, que devia ser a única hóspede, já que não me cruzei com mais nenhum ocupante.


Aliás, desde a entrada na Noruega, tinha-me habituado a falar muito pouco, porque os habitantes do Norte são mais discretos na conversa, habituados como estão à solidão em espaços pouco habitados. Assim, no dia de partida da Lapónia, dei com um espectáculo memorável. Uma família italiana, pai, mãe e duas criaturas, estavam no cais a tentar entrar no comboio, com a habitual algazarra do Sul. A tarefa de entrar estava bastante dificultada, porque, atado à mochila, tinha o pai umas hastes de uma Rena.  Bela recordação ! O senhor nem entrava de frente, nem de lado, apesar dos empurrões e gritos da mulher e perante o ar calmo e silencioso do revisor. Da Lapónia ficou-me, portanto, esta lição das diferenças entre os povos do Norte e do Sul.

Parei, ainda, na cidade universitária de Uppsala antes de chegar a Estocolmo. Como o dinheiro já era pouco, porque a Suécia era, e é como julgo, um país caríssimo, não aproveitei, na altura, para ir de barco até à Finlândia. Ainda hoje tenho pena, porque completava um círculo que, assim, ficou incompleto. Apanhei o barco, no regresso, em Malmö, onde tive oportunidade para conviver com uma família sueca.

Convém, no entanto, sublinhar que a convivência com os povos nórdicos se reduz ao essencial da palavra. Foram, portanto, umas férias para apreciar a natureza, a estética das cidades, pouco palavrosas e numa aprendizagem imensa do supremo bem da solidão.

Post de HMJ

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Idiotismos 17


A fazer fé em Alexandre de Carvalho Costa apud Joaquim António Nunes (Imagens de Lisboa, 1976), a expressão popular dar vivas à Cristina reporta-se mesmo à rainha Cristina da Suécia (1626-1689) e tem mais de 3 séculos e meio. Tendo tido origem em Lisboa, no ano de 1651, reinava D. João IV.
Acontece que Portugal, na altura, estava isolado politicamente na Europa e a braços com a Guerra da Restauração contra Espanha, sem aliados notórios. No meio deste abandono, o diplomata Francisco de Sousa Coutinho, na corte sueca, e através do chanceler Axel Oxenstierna, consegue assinar um tratado de amizade e colaboração comercial entre a Suécia e Portugal. O tratado reconhecia, tacitamente, também, os direitos de Portugal à Independência.
A notícia terá sido recebida com júbilo, em Lisboa, e D. João IV, em sinal de reconhecimento, mandou que se dessem salvas de artilharia e que, junto da casa do embaixador sueco Lourenço Skytte, se fizessem  manifestações de gratidão e alegria. O povo, em grande multidão, correspondeu e houve foguetório, dança e folguedos junto da Embaixada da Suécia. E, pela primeira vez, se deram vivas à Cristina...
Hoje, a expressão terá um significado mais comedido e laico, valendo por dar largas à sua alegria e regozijo.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Curiosidades 26 : Boas Festas oficiais


Ainda mais dois cartões de Boas Festas dos directores dos Correios da Holanda e da Suécia, este último ainda do século XIX. Foram ambos enviados para Portugal.