sábado, 9 de maio de 2026

Um poema de E. de A.



O cheiro do Verão

Quem me traz morangos não sabe
que também me traz
um punhado
desses tão delicados e carnais
frutos silvestres
que os garotos de Roma vendem
pelas ruas, sorrindo, ao fim da tarde.
Só eles me trazem a sombra
dos bosques do verão,
e o canto do rouxinol
pegado ainda à frescura da pele.


Eugénio de Andrade (1923-2005), in Rente ao Dizer (1992).

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