Mostrar mensagens com a etiqueta Torre de Belém. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Torre de Belém. Mostrar todas as mensagens

sábado, 19 de agosto de 2023

Recuperado de um moleskine (43)



Uma das regras básicas da ficção séria é trocar o nome aos sujeitos fictícios, confundindo-os.
Os terratenentes da Quinta da Estrelinha, quase sobre o Atlântico, deixaram de abrir os portões do pátio, por onde eu via, ao passar, os pavões abrir o rabo em esplendor, talvez por que as aves sumptuosas quiseram ganhar a liberdade por inteiro. Ficou-me só para ver a nesga triangular em delta, por onde eu contemplo um bocadinho de Lisboa. Hoje, que ora se descobre, por entre a neblina, a Torre de Belém, ora o Centro Champalimaud à beira Tejo, passo ao lado do quartel abandonado por onde já não tocam os clarins. Pergunto-me por onde andará o capitão César Monteiro, que fora emprateleirado depois da rendição de Goa, e que chegou a dar aulas de informação aos cadetes? Com aquele seu ar britânico de oficial retornado, mas infeliz.
No regresso, à esquerda e à direita, só nos sobram os campos já limpos de feno e as árvores esgarçadas ou caídas por terra com falta de suporte ou de água que as segure ou prenda à vida.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Torre dos Clérigos versus Torre de Belém



Das tigelinhas, confesso que já não me lembrava, quando mão amiga me mandou, gentilmente, o livro "Heróis à moda do Porto"(seguido do)"Dicionário do Caraças" - Editora lugar da palavra, 2010. São 7 contos tradicionais adaptados à gíria portuense, seguidos de um glossário do calão tripeiro, muito embora algumas palavras, graças à globalização, sejam também usadas em Lisboa, hoje em dia. Do cimbalino ao café expresso, do aloquete ao cadeado já eu estava habituado. Mas um caso há que nunca consegui, cabalmente, esclarecer: o que, em Lisboa, se chama nêspera, chama-se no Norte (e no Porto também)- magnório (ou magnólio). Ora, no Norte, nêspera é um fruto muito concreto, no exterior castanho-chocolate, no interior de massa escura e mole, de sabor pouco definido e relativamente insípido. É um fruto de Outono/Inverno. Em Lisboa não existe ou, pelo menos, nunca o vi à venda. Voltando ao livro, genuinamente tripeiro, passo a transcrever do "Dicionário do Caraças", alguns exemplos que achei mais interessantes, quanto à correspondência ou significado.

"Amassos : troca de carícias; Avião : mulher jeitosa e bonita; Brou : amigo ou irmão; Andar de gunas : andar pendurado na parte traseira do eléctrico; Dar corda aos vitorinos : correr; Jeco : cão; Lafrau : ladrão; Noias todas cegas : ideias malucas; Pipi da tabela : janota; Tigelinha : pastel de nata(pastel de Belém); Trengo : atrasado, atoleimado."

P.S.: Agradecimento fraterno ao António d'Almeida Mattos.