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segunda-feira, 15 de julho de 2024

Impromptu 76



Olhem-me para este farsante, nos seus preparos e atavios, com a mulher, para assistir ao casamento de um riquíssimo indiano. Sempre disposto a vestir qualquer papel para ganhar mais dinheiro.
Como Schröder e Hollande, nos seus outros respectivos países, que se disfarçaram de socialistas, para serem os coveiros dessa ideologia de esquerda.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Uma fotografia, de vez em quando... (134)


Recentemente falecida, a britânica e judia Sally Soames (1937-2019) trabalhou fundamentalmente como fotógrafa para The Observer e para The Times. Retratista dotada, em boa parte da sua obra, é notória a sua faculdade inata para fixar pela expressão a personalidade principal dos seus modelos.


Desde o felino olhar cerval de Blair à quietude tranquila, ligeiramente tímida (ou irónica?) de Updike, Sally Soames tentava captar intimamente o modo de ser de quem retratava. Em 1966, terá passado toda uma tarde com Orson Welles, antes de o fixar para sempre através da sua objectiva.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Confirmar ou renegar


"Numa altura em que os partidos políticos se preparam para a disputa das eleições gerais de 7 de Maio, os seus candidatos olham selectivamente para os seus passados. A grande maioria dos Tories escolhe Margaret Thatcher, purificada pela morte, mesmo para aqueles que a odiavam enquanto viva. Tristemente, para os Trabalhistas, o seu equivalente e bem sucedido líder, Tony Blair, é ainda um produto tóxico e assim continuará..."

Do editorial de The Times Literary Supplement (nº 5844, de 3 de Abril de 2015).

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O novo Cruzado


Um pouco a contra-gosto, aqui vai.
Em recentes declarações à televisão, o católico Blair defendeu uma nova escalada de tropas ocidentais no terreno do Médio Oriente, para aniquilar o recém-criado Estado Islâmico (EI). Esqueceu, ou desvalorizou o facto de ter sido ele, com o evangélico Bush, filho, e a cumplicidade de Aznar e Barroso, anfitrião, que, indirectamente, foram a origem do caos político na região, iniciada com a invasão do Iraque, em 2003.
Falarmos, ainda que mal, de figuras sinistras, é também uma forma de lhes darmos publicidade e lhes fazermos propaganda, trazendo-as ao primeiro plano. Sempre que posso, evito fazê-lo.
Correm por aí, na net e nas redes sociais, fotos e imagens de encenações macabras de mortes violentas e despojos humanos provocados pela sanha irracional do novo califado medieval, que já ocupa partes consideráveis da Síria e do Iraque, numa superfície maior do que a França. O gosto pelo sensacionalismo explica esta difusão tonta e de mau gosto.
É por estas e outras imagens, falsamente heróicas, que algum lumpen juvenil de emigrantes de 2ª geração, dos bairros sociais degradados europeus, se empolga e vai juntar, no Médio Oriente, a essas hordas de fanáticos selvagens e animalescos. Até porque a juventude é, também, excesso, sobretudo quando deseducada e desestruturada. E pode ser, também por isso, de uma crueldade irresponsável.
Mas se os nazis, à noite, se reuniam para ouvir e tocar Schubert - como refere Steiner - e, de manhã, voltavam ao seu sinistro labor  nos campos de concentração, essas imagens que correm na net, e de que eu falei acima, não deixam de ser uma "remake" semelhante também a outras que surgiram durante a nossa guerra colonial. De um e de outro lado...
O homem continua a ser, muitas vezes, um sanguinário animal disfarçado. Um monstro desconhecido.

domingo, 31 de agosto de 2014

Remate


Nunca gostei de falar de matadouros, muito embora tenha, como observador desinteressado e alheio, assistido a algumas desmanchas de carnes, sobretudo de bovinos, que é uma forma de ver o vermelho na sua expressão mais simples. Crua e real.
Agosto acaba-se por entre uma aragem fresca, vinda de Norte, e os gritos ululantes das hordas futeboleiras, vindas de um café chunga, aqui, à beira Sul. Mas que se integram bem na silly season, que termina hoje.
Entre a sra. Merkel que, na sua curteza de vistas e roupas foleiras, conseguiu secar tudo à sua volta, e os morticínios de África, do califado medieval e da Ucrânia, que sobra? Talvez o angelical sr. Holanda, o sorriso figé do sr. Valls, que reproduz, serôdio, o esgar católico do sr. Blair - seu antepassado - que, por sua vez, imitava (mal) o joker-Jack Nicholson da irrealidade cinematográfica.
Não me peçam para ser feliz, em Setembro, s. f. f. !

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Os copinhos de leite


Hoje, o nosso ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, brindou-nos com esperança. Anunciou, embora em tom engasgado, que em breve começará, dadas as concessões, a exploração de ouro, no Alentejo, e de gás natural, na costa algarvia. Ao que parece, dentro de 3 anos...
Por um estranho mimetismo, ou moda, nos últimos tempos, os perfis dos líderes e políticos europeus parecem assemelhar-se e reproduzir-se. Repare-se: Blair, Sarkozy, Sócrates - hiperactividade, mais ou menos, agressiva. Mas o clone-tipo parece estar a mudar. O Partido Socialista Francês escolheu François Hollande para defrontar Sarkozy, nas próximas eleições. O melhor que dizem dele, em tom de frase assassina, é que "é um homem normal!". Creio que David Cameron, PM da Inglaterra, é aquilo que, em Portugal chamamos "um menino copinho de leite". Por cá, o PS escolheu, para secretário-geral, António José Seguro. Confesso que vou ter enorme dificuldade em o ouvir, durante 4 anos, à hora do telejornal...