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sábado, 20 de abril de 2024

Desabafo (87)


 
Há por aí uma poetisa gorda sexagenária, e com falta de vista, que nunca deveria ter deixado de colaborar no Almanaque de Santa Zita. Perdeu-se assim uma bonita vocação de servir...

sábado, 3 de novembro de 2018

Segundas vias


Uma coisa é vocação, outra, sobrevivência.
Há, no entanto, equivalências que são mais bem aceites do que outras, pelo espírito humano. Que um professor seja também romancista ou poeta, é tacitamente entendível e considerado normal, pela comunidade. Um médico romancear (Torga, Namora, Araújo Correia...), não causa ainda a mínima estranheza.
Já um bancário ser poeta e ensaísta (T. S. Eliot) cria alguma perplexidade e, nalguns espíritos demasiado ortodoxos, causa alguns engulhos de classe ou elitistas. Mais ainda, se um contabilista ou correspondente de línguas (Fernando Pessoa) se põe a poetar, ou se um empregado de uma loja de ferragens (Cesário Verde) se dedica, em primeira instância, a escrever versos. Primorosos, aliás.
Para subsistir, ocupar a rotina com banalidades pode ser útil e saudável, sobretudo se for para deixar à solta a criatividade pessoal. Como fez, por inicial necessidade, Carlos Paredes, administrativo dos Hospitais Civis de Lisboa, que nos deixou melodias maravilhosas...
O ócio, quando existe e é bem administrado, pode vir a ser arte. É preciso  é ter vocação para algo mais, do que passear na vida, por ver andar os outros.