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sábado, 2 de dezembro de 2017

Mercearias Finas 127


Ardilosamente, alguns jornais e revistas, por esta altura do ano e sabendo as bolsas mais folgadas, vão tentando os incautos novos ricos para produtos diversos de preços excessivos ou, pelo menos, desproporcionados. Estão neste caso alguns vinhos tintos e brancos portugueses.
O Fugas, do jornal Público de hoje, por exemplo, no artigo "Dez escolhas de grandes colheitas", publicita vinhos tintos que vão de 27,50 euros (Sidónio de Sousa, Garrafeira 2011) até 90 euros (Villa Oliveira, 2014). Quanto aos brancos, o mais barato (Quinta das Bágeiras, Garrafeira 2015) fica por 17, enquanto o mais caro (Quanta Terra, 2007) atinge o preço de 35 euros.



Nem sempre o preço é sinónimo absoluto de qualidade. Na minha perspectiva, o branco alentejano Pêra Manca, não merece os 15 euros por que o põe à venda. O Herdade Grande que ronda os 7 euros, é-lhe francamente superior, em anos de boa colheita. Outro caso excelentíssimo é o Frei Gigante, picaroto, que comecei a comprar na Casa dos Açores, à volta de 7 euros (bem merecidos) e que, agora, as grandes superfícies estão a vender a cerca de 14!!! Um despautério...




Creio que o vinho tinto mais caro que comprei, até hoje, foi um Quinta da Gaivosa, do proficiente enólogo duriense Alves de Sousa. Esportulei, há uns anos, cerca de 25 euros e arrependi-me. Embora bom, o vinho, para o meu gosto era inferior ao Quinta das Caldas, do mesmo produtor. Que era, na altura, muito mais barato.



O Dão, região demarcada portuguesa minha predilecta, não tem tido até hoje o enólogo genial que merecia. Mas há alguns produtores que se aproximam, e talvez, com o tempo, lá cheguem.
Se quiserem, caros amigos e visitas, acolher a minha sugestão, não gastem mais de 10 euros, e comprem um Vinha Paz tinto, de António Canto Moniz. Que ficam muito bem servidos, para a época natalícia, que está próxima. E merece. Isto, se o peru recheado entrar na Consoada. Se, no entanto, vier a tradicional bacalhauzada para a Ceia de Natal, então, arrisquem o branco Herdade Grande, de António Lança, alentejano de quatro costados, ali da zona da Vidigueira, e soberbo na sua pujança.
E Boas Festas!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Mercearias Finas 92


Peritos, algo sofisticados, dizem que se devem escolher os pratos de acordo com o vinho que tencionamos abrir. Ou seja, ao contrário do que faz o comum dos mortais que, em função do prato premeditado, vai à garrafeira seleccionar o vinho mais apropriado. Não chego eu àquele esmero enológico, até porque não sou um perito, nem sofisticado.
Mas já me tem acontecido que, ficando duvidoso em relação a um vinho tinto, depois do prato principal, o confronte com queijo, para uma prova dos nove; e, se for branco, para uma maior certeza, o faça acompanhar, depois, de fruta, ou doce, à sobremesa, para uma opinião final.
Duma coisa, tenho eu a certeza: dos brancos alentejanos que conheço, o meu favorito é o Herdade Grande, de António M. Lança, da região da Vidigueira. Abri, no passado domingo, uma garrafa da colheita seleccionada de 2013, que confirmou, pelo seu lote cuidado (Antão Vaz, Arinto e Viosinho que, desta vez, substituiu o Roupeiro), a excelência. Para acompanhar uma criação de HMJ, de peixe-galo com gambas. Que estava uma beleza!
Uma saudade recente...


P. S.: um agradecimento especial, a MR, pelos pimentinhos...