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sábado, 10 de abril de 2021

Nota de pé de página

 De há uns dias a esta parte, dei pela vinda de um(a) visitante (de Lisboa ou arredores) sistemático que tem percorrido (ou devassado), no Arpose, o label Poesia, de forma fervorosa e continuada. São mais de 700 os postes desta temática. Só faço votos para que lhe faça bom proveito, esta pesca de arrasto, mas que não use, as traduções que fiz (e são muitas), de forma fraudulenta ou ilegal.

domingo, 14 de julho de 2019

Terceiras vias


Tenho a convicção enraízada de que grande parte das traduções que lemos, em Portugal, durante o século XX, de obras de escritores russos, foram feitas directamente das versões francesas. Duvido que houvesse muitos tradutores portugueses, por essa altura, que dominassem a língua eslava. O mesmo se poderia talvez dizer de obras originais chinesas e japonesas que, provavelmente, foram vertidas, já em segunda mão, de traduções inglesas. Raramente as editoras portuguesas tinham a franqueza de informar, no entanto, os leitores desse aspecto que, hoje, me parece ter alguma importância e que seria uma forma de honestidade intelectual.
Lembrei-me disto ao tomar conhecimento que Yukio Mishima (1925-1970), sendo um anglófilo conhecido, nunca facilitou nem permitiu que os seus romances fossem, em primeira mão, traduzidos para outra língua que não fosse a inglesa. E assim aconteceu até há bem pouco tempo: todas as obras publicadas em França, do escritor japonês, eram traduzidas do inglês. Só recentemente, e após a morte da sua viúva, que continuou a respeitar a vontade dele, apareceu em francês uma obra de Mishima traduzida do original. Trata-se de um dos seus primeiros livros, Confession d'un Masque (1949), que foi editado agora pela Gallimard, em tradução de Dominique Palmé, feita directamente do japonês.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Sobre transvases, nomeadamente, em poesia


Os poetas chegam normalmente tarde a outras línguas, ou, pelo menos, mais tarde do que os prosadores. Quero eu dizer, através de traduções e em tempo muito diferido. Por outro lado, nem sempre encontram o língua exacto e merecido. Que os traia, ao menos, com nobreza e honestidade profissional. Depois, muitas das vezes, o crivo é rarefeito e datado, e a sua poesia perdeu esse frescor de novidade no tempo, acabando por obedecer a critérios de academia e a internacionais de gosto conservador e a interesses muito particulares.
Se, por exemplo, Pessoa teve sorte e oportunidade temporal em França (Pierre Hourcade, nos anos 30), que dizer, em contrapartida, do conhecimento tardio de Cavafy, que chegou a Portugal, somente pela voz esforçada e redentora de Jorge de Sena, já só nos anos 60.

domingo, 2 de abril de 2017

Comic Relief (134)


Entre um bom e um mau tradutor, no entanto, vai um mundo...


Nota: a imagem foi colhida no jornal Le Monde de 24/3/2017.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

2 achegas para a bibliografia de E. de A.


Não serão obras muito frequentes em território nacional, uma vez que ambos os livros se destinaram a um público leitor estrangeiro. O primeiro voluminho (5 Poemas...), da Campo das Letras, de 1997, foi editado com o objectivo de ser distribuído na Feira do Livro de Frankfurt, e tem uma introdução breve de Arnaldo Saraiva, para apresentar a obra poética de Eugénio de Andrade (1923-2005). Nesse ano, recorde-se, Portugal foi o País-Tema, ou convidado. O segundo livro, editado em 2001, por L'Escampette, é uma tradução de Os Lugares do Lume (1998), efectuada por Michel Chandaigne. E tem um interessante prefácio de António Lobo Antunes, intitulado Bonjour, Eugénio.
Ambos os volumes foram adquiridos, ontem, no meu alfarrabista de referência, por preço módico.

sábado, 16 de junho de 2012

As inefáveis traduções...


Desta vez, o desditoso e incauto visitante era um gaulês de Bordéus, e teve a fatal ideia, talvez por curiosidade, de pedir ao Google a tradução de 5 postes do Arpose - em má hora o fez...
Vamos transcrever 3 frases de uma das traduções (?), colocando a par o texto original (poste: "Colheita do dia", de 12 de Junho de 2012) e as respectivas versões googlescas (ou grotescas?). Seguem:
1. a) no Blogue: "As sardinhas estavam óptimas e o modesto branco de Alpiarça portou-se bem."
b) versão Google: Les sardines ont eté une grande et modeste blanc Alpiarça
2. a) no Arpose: "Quanto a companhia, eu não poderia desejar melhor."
b) versão googlesca: En tant que societé, je ne pouvais rêver.
3. a) no Blogue: "Por isso, os (revistas «Mistério Magazine Ellery Queen») colhi da banca, e os trouxe para casa."
b) versão do Google: Par consequent, j'ai choisi le conseil d'administration, et a la maison.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Lost in Translation


Há muito que não falo das traduções exemplares do Google, no seu delirante trabalho de pés. Mas como o Grande Irmão, na noite passada, perdeu quase 6 horas com este nosso Blogue, recolhendo informação, com prejuízo do seu descanso mecânico, acho que merece reparação, recompensa e que eu perca com ele alguns minutos de atenção.
Acontece que um desditoso americano de Bethany, no Estado de Connecticut, levado talvez pela curiosidade de saber o que diziam alguns postes de Março de 2010, teve a peregrina e infeliz ideia de pedir ao Google que lhos traduzisse. As versões do Google, sobre o português do Arpose, são asneira sobre asneira e, por isso, aqui vão alguns dos casos mais disparatados:
1. No Arpose: "O vinho Deu la Deu"; tradução googlesca: "He gave it".
2. No Blogue: "Monção"; versão pedestre do Google: "Monsoon".
3. Em português: "Algés"; versão americana: "Bocksburg" (?).
4. Frase de G. Rosa, no Arpose: "A noiva tem olhos gázeos"; tradução: "The bride has her eyes Wall eye".
5. No Blogue: "Carta a um Amigo que faz anos"; versão googlesca: "Letter to a Friend who for years".

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

As delirantes traduções do Google


Não seria obrigação do Google oferecer um serviço de tradução aos utilizadores, sobretudo sendo este serviço de uma péssima qualidade e sem a mínima preocupação de rigor profissional. Assim como não é uma fatalidade que um usuário curioso se sirva destas "traduções"(?) delirantes que um "robot" mecânico e tolo faz, principalmente, neste nosso tempo de globalização.
Em tempos recuados da minha remota juventude, recebi, uma vez, uma carta escrita em polaco, de um filatelista. Na cidade, pequena, não havia ninguém que soubesse traduzir essa língua. Um familiar meu levou a carta ao Dom Prior da Colegiada; este, por sua vez, remeteu-o à comunidade monástica do Mosteiro da Costa. Daí a carta seguiu para Fátima onde, na mesma Irmandade, havia um padre polaco. Passadas menos de duas semanas, a carta voltou às minhas mãos, já traduzida para português - e, nessa altura, nem se sonhava ainda com a globalização...só que as pessoas eram mais expeditas a resolver problemas.
Ora, ontem, atraído talvez por um desenho de Otto Dix, um visitante alemão do Arpose pediu ao Google (ó Santa Inocência!) a tradução do poste "O pastelinho de bacalhau, o copinho de três e as «search words»", colocado no blogue, em 30/11/2011. Os dislates da tradução fornecida pelo Google bradam aos céus e diz-me, quem tem o alemão como língua materna, que o texto germânico parece ter sido escrito com os pés, tal a sua qualidade... Das asneiras surrealistas produzidas, aqui dou alguns (poucos dos muitos) exemplos:
1. Pastelinho de bacalhau foi traduzido por "Gebäck kabeljau" que, literalmente, significa: Bolacha de bacalhau...
2. Copinho de três, no título do poste, resultou no alemão mascavado da tradução em "drei der Tasse", ou seja: três da chávena.
3. (o nome do actor português) Santos Carvalho veio a dar "Heilige Eich", qualquer coisa como: Carvalho Sagrado.
4. Na "tradução"(?) é utilizada uma palavra, "lout", que nem sequer existe em alemão.
Creio que chega, por hoje...
Que a paz seja contigo!, ó Google, nesta caridade e benevolência natalícia para com os pobres de espírito, para com os maus profissionais, mesmo quando são americanos, para com os pantomineiros desajeitados. Amén.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mistérios, ou as traduções mirabolantes do Google


Alguém da Universidade Federal de Pernambuco (Brasil) veio ver, ao Arpose, um poste que fiz sobre Miguel Hernández, em que também traduzi um poema, para português, do vate espanhol. A estimada visita, provavelmente e na sua inocência, para ter acesso ao poema original, em castelhano, teve a ideia peregrina de pedir ao Google que lhe traduzisse o poema. Só que, ao pedir em português (deveria, talvez, fazer o seu pedido em castelhano), o preclaro Google retraduziu português para português...ou talvez para barranquenho ou mirandês, quem sabe? E, não só traduziu (?) o texto do poste, como também os comentários que existiam, desse poste: foi tudo a eito... Deixo, em imagem, parte da  fotocópia desta "tradução" abaixo de cão para se fazer uma ideia da quantidade de disparates, e da qualidade (?) exemplar destas traduções "à la Google". Coitado do Miguel Hernández que não tem culpa nenhuma destas americanices foleiras e irresponsáveis!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Comic Relief (20): homenagem às pedestres, "exóticas" traduções do Google

Deve ser por isso que os americanos e, às vezes, os ingleses não compreendem lá muito bem os europeus continentais...