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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Uma fotografia, de vez em quando (100)


A fotógrafa norte-americana, de ascendência francesa, Vivian Maier (1926-2009), levou uma existência apagada, com empregos diversos e indiferenciados, nunca chegando a expor, em vida, obras suas. Discreta ou tímida, provavelmente pouco confiante na qualidade das suas fotos, até uma boa parte dos seus auto-retratos foram tirados indirectamente, muitos deles por reflexão do seu corpo em espelhos.



Captava cenas de rua, banais, fixando gente anónima e sem história, mas também, dissimuladamente, se juntava a paparazzi, na esperança de fixar um instantâneo de celebridades que iriam aparecer. Como foi o caso de um retrato de Salvador Dali, que veio a ser descoberto no seu espólio, composto por milhares de fotografias e filmes, muitos dos quais não tinham sequer sido revelados, e que apareceram, depois da sua morte, armazenados em caixas de cartão.



Pressionada por dificuldades financeiras, Vivian Maier, em 2007, vendeu uma parte do seu acervo fotográfico, que foi adquirido pelo coleccionador John Maloof. Foi este que primeiro reconheceu a qualidade artística do seu trabalho e o divulgou. Mas só após o seu falecimento, e com a descoberta do enorme acervo da fotógrafa, lhe foram consagradas algumas exposições e a fama estética lhe foi atribuída, mais do que merecidamente.