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domingo, 7 de dezembro de 2014

Conclusões inconclusivas


A leitura sequencial, no TLS, do desagrado da recensão crítica de Kelly Grovier, depois de ver na Tate Britain, a exposição dos 4 finalistas (James Richards, Ciara Phillips...) concorrentes ao Turner Prize, e, três páginas depois, ler o texto de compreensiva bonomia com que Laura Freeman aprecia a obra pictórica do pescador da Cornualha e pintor naïf Alfred Wallis (1855-1942), levou-me a algumas reflexões desencontradas sobre a arte, em geral.
Parece-me pacífico afirmar que as obras dos pintores-de-domingo estão para a Pintura, num plano semelhante em como as quadras populares estão para a Poesia. A diferença reside na erudição clássica de que uns são portadores qualitativos e, outros, possuirem apenas o jeito e o gosto da reprodução tosca e sincera das coisas, numa transposição pura sem qualquer transfiguração elaborada. Mas, até aqui e pelo menos para mim, há uma diferença abissal entre a pintura de Le Douanier Rousseau e os quadros de Frida Kahlo.
Não posso deixar de simpatizar com a obra do pintor naïf vimaranense Mestre Caçoila, alfaiate de profissão - que nos anos 70 chegou até a expor no Palácio Foz -, mas longe de mim compará-la com os quadros de José de Guimarães, que até o apreciava e coleccionava.
A diferença está, porventura, na tal poética do teclado que Schubert referia e Alfred Brendel cita no poste abaixo, na tentativa de explicação de uma sonata schubertiana...


Nota: o quadro em imagem, que antecede este poste, é da autoria de Alfred Wallis.

domingo, 24 de novembro de 2013

Arte


Criado em 1984, para dar conta das novas tendências artísticas, o Tate Turner Prize é um dos mais conceituados certames ingleses da actualidade. O montante do prémio é de 40.000 libras, sendo que o vencedor ganhará 25.000, e os restantes três finalistas, 5.000, cada um deles. A mostra, este ano, decorre em Londonderry (Irlanda do Norte), Cidade Capital Europeia de Cultura 2013, e o vencedor será anunciado em 2 de Dezembro próximo. Os 4 finalistas são: David Shrigley, Laure Prouvost, Lynette Yadom-Boakye e Tino Sehgal. As obras vão desde a fotografia (Shrigley, "I'm Dead") e vídeo (Laure Prouvost), até à escultura, instalação e pintura (Lynette Y.-B., com 3 quadros, em imagem no poste). À entrada, os visitantes são desafiados a desenharem uma estátua-modelo, de Shrigley.
A crítica especializada apoia, entusiasticamente, as escolhas dos seleccionados, este ano. E há quem afirme que, desde 1989 (em que foram seleccionados: Lucian Freud, Richard Long, Paula Rego e Sean Scully), nunca houve finalistas de tão grande qualidade artística.