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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Democracia, política e liberdade


Dadas as pequenas diferenças, por vezes, entre partidos políticos que são contíguos, penso que, cada vez mais, se vota em função dos elencos que são propostos à eleição e, menos, pelas siglas partidárias. Uma figura ou um nome podem fazer a diferença, consoante o seu grau de credibilidade pública ou a confiança que, nessa pessoa, possamos ter. Daí também a aposta, maior ou menor, que os partidos políticos fazem em personalidades independentes e, por vezes, em nomes prestigiados fora do espectro partidário. Mas a vida desses independentes, nos grupos ou aparelhos políticos, nem sempre é fácil. Como escreve, hoje no "Público", Rui Tavares: "...Primeiro, o independente faz falta. Depois, o independente começa a não dar jeito. E, finalmente, abre-se a caça ao independente."
São óbvios e bons exemplos recentes, o caso de Teixeira dos Santos, independente integrado no governo PS, que foi vergonhosamente marginalizado, nos últimos tempos de governação, pelo Partido; e o próprio Rui Tavares que se viu obrigado, por questões de coerência e honra, a desvincular-se do BE, muito embora se mantenha no Parlamento Europeu, "duplamente" independente - justificadamente, aliás.
Do ponto de vista dos partidos políticos, a independência de um "compagnon de route" parece ser, ainda e só, um rótulo meramente formal para dar colorido ao cinzentismo habitual. No fundo, esperam que o independente alinhe sempre no pensamento único e na disciplina cega, e gregária. Pensar por si é crime, e não se recomenda.

Obsv.: a imagem foi colocada apenas em 23/6/11.

terça-feira, 3 de maio de 2011

"Inconcluso desejo no limiar do transe"



O título que encima este poste não é meu, felizmente. Pertence a um plumitivo que, nos anos 90, assim intitulou um seu artigo de análise crítica, num defunto jornal literário. Usei-o, para não o esquecer, mas é, no meu entender excessivamente barroco, de mau gosto estético embora, quiçá!, possa ter alguma intenção erótica da parte do seu autor literato...isto, há gente para tudo, nestas coisas da literatura. Mas não é de literatura que eu queria falar, vamos, mas é, ao discurso: - Não percebo, hoje em dia, esta pressa política em comentar ou contraditar, de imediato e para os media, qualquer declaração do Governo. A prestação televisiva, cerca das 20,45 hrs., do Primeiro-ministro, que tinha a seu lado um Teixeira dos Santos patibular, para anunciar (parcialmente) o acordo com a Troika, mereceu incontinentemente e 10 minutos depois, uma declaração de Eduardo Catroga (pessoa, aliás, que respeito), pelo PSD, que foi, no mínimo, gaguejante, atabalhoada e infeliz. Seguiu-se, qual serial-killer, o comentário metralhado de Francisco Louçã. Assunção Cristas, do CDS, como teve mais tempo, foi também mais ponderada, prudente e medida. Porque que é que esta gente não pensa, antes de falar? E escolhe, friamente os argumentos explicando, claramente, as razões? Curiosamente, não ouvi nenhuma declaração do PCP. Ou se guardou para o fim sabiamente ou preferiu pensar antes, para falar de depois. Não é impunemente que se tem a honra de ser o mais antigo partido político da democracia portuguesa. 90 anos sempre dão alguma sageza...

domingo, 1 de maio de 2011

Primeiro de Maio, precário




Houve um tempo, e não vai há muito, que eu considerava que, para ajuizar da justeza e interesse profissional de um trabalhador, para a mais valia de uma empresa, através da legislação laboral em vigor para os contractos, 18 meses de experiência e análise crítica, não eram demais. Eram, apenas, o minimamente suficiente. Sei, hoje, que os trabalhadores precários e a recibo verde, em Portugal, são mais de 20% da força trabalhadora, quase todos jovens, a maior parte dos quais, do Estado: é uma hipocrisia monstruosa! Como posso aceitar que este estado de coisas provenha de um governo socialista, em princípio, solidário e de esquerda?


Mas, depois, há os outros precários... Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, que deu a cara, honradamente, e o sono tranquilo, para fazer face às agências de ratos, às bocas foleiras, ao egoismo cego da UE, às oposições populistas e demagógicas, à irresponsabilidade dos outros, com manifesta hombridade e atitude sincera, foi, pura e simplesmente, abandonado pelo PS, como um leão moribundo ao escoicear dos asnos. Não fossem hoje as palavras justas de Manuel Alegre, com o desassombro equilibrado que lhe é peculiar, e eu teria descrido, em absoluto, da Esquerda portuguesa ( no meio desta esquerda europeia de celulóide e gelatina), para sempre.


Viva o 1º de Maio!

quarta-feira, 2 de março de 2011

"Battaglia" de Andrea Gabrieli (1510?-1586)


...E como o cerco se aperta, com Teixeira dos Santos, em Berlim, e os rapazes da Moody's a invadir Portugal, ao som de Andrea Gabrieli: " Sus! A eles!"

Memória do Tempo : o Norte e o Sul


Houve uma altura, no tempo (1975-76), em que os políticos portugueses rumavam ao Porto, para receber o aval, benção e protecção do general Pires Veloso, que era chamado, na época, vice-rei do Norte. Hoje, somos mais cosmopolitas, mas continuamos a rumar a Norte. Mais concretamente, a Berlim. Onde Sócrates e Teixeira dos Santos se vão encontrar, esta quarta-feira, com Angela Merkel. Com variantes, a História repete-se, com outros figurantes.