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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Osmose 88


Naquele pequeno e rectangular baldio, outrabandista, habituei-me a ver, desde os anos 90, alguns reformados (?) a jogar, durante a semana e de tarde, prolongadas partidas da malha, ou de chinquilho - numa sua variante, como se diz no Norte. Aos fins-de-semana, sobretudo no Estio, juntava-se-lhes um pequeno grupo de jovens, que alegravam estes jogos populares e tradicionais, com o seu entusiasmo adolescente.
Por discreta mas firme vontade, que porventura a cor política autárquica ajudou, veio a construir-se, pouco a pouco e já no século XXI, um modesto mas bonito e moderno, até pela sua claridade arquitectónica, Centro Recreativo e Cultural, neste bairro da margem Sul. Confronta, a Leste, com vivendas de quintais cheios de rosas, buganvílias, aloendros e árvores de citrinos; a Norte, com uma pequena arriba e um verde pinhal.
A esplanada, ampla, é protegida por uma pala aerodinâmica inspirada nas de Siza Vieira, mas não tão ousada. E, com atenta sensibilidade aos moradores do bairro, conservaram, do baldio, um espaço suficiente para que a malha ou chinquilho continuassem a poder ser praticados. O local permanece agradável, tranquilo e acolhedor pelo seu equilíbrio (quase diria, encantador) natural.
Ultimamente, temos ido lá almoçar algumas vezes. Para lá do Café-restaurante, de preços módicos e cozinha bem confeccionada, o Centro Recreativo e Cultural tem também uma pequena biblioteca que eu, por simpatia e estima, tenho ajudado a aumentar, solidariamente. Até hoje, totalizam 9 os livros que lá entreguei. Policiais, ficção, ensaio ligeiro, divulgação histórica. E assim me vou sentindo parte dele...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Os sinais inequívocos


A saga Loff/Ramos prossegue, para entretém de um pequeno grupo de intelectuais que preferem ocupar o seu tempo e palavras em "guerras de alecrim e manjerona", em vez de se preocuparem com a res publica portuguesa actual.
Aqui há algum tempo, mas não muito, citei, aqui no Blogue, Henrique Granadeiro que dizia: "Estamos a viver um PREC de direita". Hoje, gostaria de referir um desabafo do arquitecto Siza Vieira que, na Bienal de Cádiz, disse: "...ultimamente, a sensação em Portugal é de se viver de novo em ditadura". Não se poderá dizer que a questão do momento histórico, que se vive no País, seja, nos 2 casos, vista do mesmo ângulo, porque são duas personalidades políticas distintas. Mas é um facto que:
- Nunca houve, nestes últimos 40 anos, tão manifesto desrespeito pela Constituição e pelos Direitos Humanos, como hoje, em Portugal.
- A última vez que houve diminuição de salários, decretada pelo Governo, foi há cerca de 80 anos, no início do consulado de Salazar. E agora.
Poderia alongar-me em exemplos, mas não quero. Por outro lado, afirmar-se que não há grandes diferenças entre esquerda e direita, é mera falácia de alguns pseudo-apolíticos - situação civil e ética que não existe - por mero comodismo mental. Em abono do que disse, creio ser vantajoso ler-se uma carta-aberta que Eugénio Lisboa (ver Blogue "Da Literatura", de Eduardo Pitta, 10/9/12) dirigiu ao PM e um artigo esclarecedor de José Vítor Malheiros, no Público de ontem, intitulado: "O sonho de Pedro Passos Coelho" - que vai em imagem, neste poste.

domingo, 10 de junho de 2012

Portuguesa em destaque (6) : Joana de Vasconcelos


Podemos até não apreciar, excessivamente, a sua obra, mas é sempre um motivo de orgulho sabermos que Joana de Vasconcelos (1971) vai ter expostas em Versalhes, várias obras, de 19 de Junho até ao fim do Verão: entre elas, um gigantesco coração filigranado, que será visto por milhares de visitantes. Mas os jornais também informam que o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MOMA) adquiriu, recentemente, três projectos do arquitecto português Álvaro Siza, para o seu acervo.
Depois disto, a derrota da selecção portuguesa, ontem, contra a Alemanha, até já passou à história...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Regressos


Por lá andava, também, um rosto esbatido de Ilda David, que se não vendera no último leilão. E uns esquissos muito lineares e elegantes de Siza Vieira, numa outra sala, mas eu viera por causa de Pedro Chorão, que parecia ter regressado aos azúis, embora mais carregados. Mas havia também, por ali, areias da Índia, algumas manchas muito cruas - que a vida sempre as deixa. Impressas na memória. Ou seus indícios de "conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos", como diria Camilo Pessanha, que também cruzou os mares. Havia ali um regresso.
Quando nós regressamos, o Largo atravessou-nos com um vento gelado. Mas eu já trazia comigo os sinos de Kiev, os sons fortes e arrebatados de Mussorgsky, que me ajudaram a lutar contra o frio. E o azul carregado da noite começada prolongou, apenas, o anil escuro das telas do Pintor.

terça-feira, 29 de março de 2011

Português em destaque (4) : Arq. Souto Moura



Nem tudo são tristezas, em Portugal. O arquitecto Eduardo Souto Moura (1952) venceu o Prémio Pritzker (equivalente ao Nobel, para Arquitectura) 2011. E isto, depois, de há 19 anos, Siza Vieira também ter sido galardoado. Em menos de 20 anos a Arquitectura Portuguesa recebe 2 Pritzker - é de destacar o facto, com orgulho patriótico. Com uma obra já vasta e abrangente, que conta no curriculum, com o Estádio do Braga (em imagem) integrado numa pedreira desactivada (2003/4), a "Casa das Histórias", em Cascais, para albergar o obra de Paula Rego, ou as estações do Metro do Porto (1997-2004), Souto Mouro está de parabéns.