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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Em reparação, e louvor


A fidelidade não tem preço, ou aquilo por que a entendemos. Raríssima entre os seres humanos, encontra um terreno de eleição entre os bichos e o homem. Cães sobretudo, que os gatos são mais interesseiros, normalmente, e egoístas.
Em outro reino, não o animal, eu tenho uma relação singular com uma sardinheira (gerânio) de flores brancas, habitante de um velho vaso que, com o tempo e a água, se vai esfarelando por fora. A planta, na varanda a leste, acompanha-me, tutelar, há mais de 30 anos, e parece observar-me, ou proteger-me, lá do alto e do lado esquerdo, quando me sento para ler, escrever ou, simplesmente, estar.
São singelas as flores, na sua brancura sucessiva (a não ser quando começam a murchar acinzentando o seu tom, até cairem), mas ao longo deste tempo todo, de Inverno ou de Verão, não houve um dia, um único dia, em que não me banhassem com a sua alvura e presença, vindas dos seus ramos envelhecidos.
A isto chamaria eu, com propriedade, uma grata, imensa fidelidade. Em troca de algumas gotas de água que, sempre com estima, lhe vou dando, de vez em quando.